Pelo mundo fora


contador gratis

Cascatas da Namaacha: sete anos depois da seca

terça-feira, 22 de abril de 2008

A SOLIDARIEDADE QUE NOS MATA

Há uns anos, quando a pandemia ainda era circunscrita a países longíquos e o tratamento só acessível aos bolsos de uns tantos infectados, a “coisa” pouco ou quase nada nos interessava. Ou não nos dizia respeito.
De dia para a noite, o céu desabou-nos pela cabeça, a pancada atordou-nos por instantes e, teimosamente, continuamos convencidos que estavamos perante um fenómeno engedrado pelos outros – as gulosas farmaceúticas – para, à nossa custa, amealharem mais uns biliões de USD. “É doença de ricos”, diziamos, sustentando a nossa crença no facto de os medicamentos para a maleita serem acessíveis a carteiras bem avantajadas.
Hoje: a Sida é doença da pobreza e afecta milhões de deserdados que pululam aqui e ali a uns poucos kilometros. A “Coisa” começou a ficar preta.
Os anti-retrovirais deixaram de ser caros: a Índia e o Brasil, países ricos na pobreza, mandaram passear os donos das patentes e começaram a “cozinhar” os “Cocktails” para retardar os efeitos letais da Sida. Popularizaram o tratamento.
Em Moçambique, ainda que em números exíguos, são milhares os sero-positivos que estão a beneficiar das mistelas que, para serem eficazes, devem ser acompanhadas por uma dieta alimentar saudável.
O paradoxo, caro leitor, chega-nos do centro do país: 50 sero-positivos que utilizavam no seu dia-a-dia a Neverapina e quejandos, morreram nos últimos trés meses porque ... deixaram de se alimentar convenientemente, uma vez que o “Xikhafu” que recebiam gratuitamente do Programa Mundial de Alimentação foi desviado para as vítimas das recentes cheias e inundações. Isto nos distritos do Dondo, Buzi e Nhamatanda.
Os doadores, muitos dos quais não passam de abutres sempre à cata de catástrofes para, à custa do que chamam solidariedade, ganharem milhões que lhes rendem os poucos milhares que gastam, os doadores escrevia eu, abandonaram os seus doentes à sua sorte (a de morrer) e atiraram-se à turba dos que perderam tudo devido à fúria das aguas.
O confragedor disto tudo é ausência do espírito de auto-estima de muitos moçambicanos que, neste caso particular, morrem por falta de uma dieta alimentar de certo modo menos cara do que os caros “Coktails” importados. O feijão, as papas, os mais variados cereais e verduras estão a dois passos da casa.(X)

SOLDADOS DA FÉ E DA PROSPERIDADE

"Onde há Coca-Cola e Correios temos Assembléia de Deus": cultos em tudo que é canto

Desde a década de 80 cientistas políticos, antropólogos e sociólogos, sem contar padres e freiras, tentam entender um mistério digno das melhores elucubrações de teólogos católicos, de Santo Agostinho a Hans Kung: a conversão pacífica de milhões de pessoas às centenas denominações evangélicas que existem pelo mundo fora. Esse processo de conquista de almas já foi interpretado como puro fanatismo, exploração de gente humilde por espertalhões, desqualificado por boçal e vítima dos preconceitos mais pitorescos.(X)

NOVA LISTA DE PECADOS PELO VATICANO?

Quem frequentou a catequese lembrar-se-á, ainda que vagamente, dos sete pecados capitais: soberba, inveja, gula, luxúria, ira, avareza, preguiça.
O Osservatore Romano, jornal oficioso do Vaticano, publicou, no passado dia 9 de Março, uma peça com o título "As Novas Formas do Pecado Social", a partir de uma entrevista com mons. Gianfranco Girotti, bispo do tribunal da Penitenciária Apostólica, organismo da Santa Sé. Mons. Girotti, depois de lembrar que o pecado "é sempre a violação da aliança com Deus e os irmãos", referiu que há várias áreas dentro das quais deparamos hoje com atitudes pecaminosas referentes aos direitos individuais e sociais.E enumerou-as: "Antes de mais, a área da bioética, dentro da qual não podemos não denunciar algumas violações dos direitos fundamentais da natureza humana, através de experiências, manipulações genéticas, cujos êxitos são difíceis de vislumbrar e ter sob controlo. Outra área, propriamente social, é a área da droga, com a qual a psique enfraquece e se obscurece a inteligência, deixando muitos jovens fora do circuito eclesial. Mais: a área das desigualdades sociais e económicas, nas quais os mais pobres se tornam cada vez mais pobres e os ricos cada vez mais ricos, alimentando uma injustiça social insustentável. E a área da ecologia, que reveste actualmente um interesse relevante."(X)

BOCAS DE WOODY ALLEN (*)

* "A vocação de um político de carreira é fazer de cada solução um problema".
* "Às vezes me perguntam por que trabalho tanto. É porque, quando ficar velho, quero pôr meus pais num asilo".
* "Certo dia, atrasei-me ao voltar da escola e meus pais pensaram que eu havia sido sequestrado. E aí entraram imediatamente em acção: alugaram meu quarto".
* "Como posso acreditar em Deus se, na semana passada, prendi a língua no rolo de minha máquina de escrever?"
* "Eu detestaria concluir que, sem Deus, a vida não teria sentido e, depois de dar um tiro nos miolos, ler no jornal no dia seguinte que Ele foi encontrado".
* "Meus reflexos não são muito bons. Certa vez fui atropelado por um carro que estava sendo empurrado por dois sujeitos".
* "Na Califórnia não se joga o lixo fora. Eles o reciclam na forma de programas de TV".
* "Não despreze a masturbação - é fazer sexo com a pessoa que você mais ama".
* "Não que eu esteja com medo de morrer. Eu só não queria estar lá quando isso acontecesse".
* "Se Deus existe, por que Ele não me dá um sinal de Sua existência? Como, por exemplo, abrir uma bela conta em meu nome num banco suíço".
* "Para você eu sou um ateu; para Deus, sou a Oposição Leal".
* "Sexo é a coisa mais divertida que eu já fiz sem rir." (X)

(*)Humorista, comediante e cineasta americano.

segunda-feira, 21 de abril de 2008

O PÃO NOSSO DE CADA DIA

O Director do Fundo Monetário Internacional, disse recentemente o que já tanta gente anda a dizer há muito tempo: que se os preços dos alimentos continuarem a subir, as consequências serão terríveis e sabe-se já que este tipo de questões às vezes acaba em guerra.
África é o continente mais desmunido e, por isso mesmo, mais vulnerável.
Robert Zoellick, do Banco Mundial, avisa que dezenas de países poderão confrontar-se com crises sociais graves.
No continente africano o impacto dos preços é já bastante forte e as soluções, para já, não são muitas.
A "revolução verde", defendida pelo secretário-geral da ONU, desencadeada a partir da transformação da agricultura africana, será, avançando, uma parte da solução e apenas a prazo.
Alguns exemplos:

* na Guiné-Bissau, o pão e o arroz são bases fundamentais da alimentação nacional e as comunidades, confrontadas com três aumentos do preço do pão em apenas um mês, começam a regressar "à comida da terra", ou seja, à batata, inhame, manga e caju.

* Em Moçambique, experimenta-se a adição de farinha de mandioca, seguindo, afinal, o caminho que o Brasil foi trilhando, fazendo render, de forma crescente, o seu velho alimento de base, a mandioca.
O chamado “pão francês”, o mais popular no Brasil, há muito que é feito com dez por cento de farinha de mandioca e o mais provável é que a percentagem vá subindo, a menos que também venha a mandioca a entrar no domínio da especulação global.(X)

PARA FRANCESES, SARKOZY PROVOCA "CHOQUE CULTURAL"

Depois de quase um ano de mandato, o presidente da França, Nicolas Sarkozy, raramente mencionou a arte ou a cultura. Uma das poucas vezes em que tocou no assunto, foi quando declarou no último mês de fevereiro que a cozinha francesa deveria ser considerada como patrimônio da humanidade pela Unesco.
O general De Gaulle tinha André Malraux ao seu lado. François Mitterrand reformou o Louvre. Pouco antes de deixar o cargo, Jacques Chirac abriu um grande museu para culturas não-Ocidentais.
Todo presidente francês desde o fim da 2.ª Guerra construiu algum museu faraônico, uma casa de ópera, biblioteca ou iniciou algum programa cultural. Isto é, até agora.
Dizem que o gosto do actual presidente está mais para Lionel Ritchie e Céline Dion (Mitterrand lia Dostoievski, já De Gaulle preferia Chateubriand). A afeição do actual presidente pelo showbizz e o seu casamento com uma modelo-cantora italiana se combinaram para produzir algo como um choque cultural.
"Uma ruptura", como define o cientista político Pascal Perrineau ou "uma mudança incrível", como diz Jean Lacouture, biógrafo de De Gaulle.
Nos últimos dias, as bancas de jornal francesas mostravam uma edição especial da publicação satírica Le Canard Enchaîné que trazia uma outra foto de Sarkozy nos seus usuais Ray-ban em um iate. Tanta pose rende insultos como "Sarkô, o americano".
Sarkozy é o primeiro líder moderno francês que não se formou nas escolas da elite e tem alguns hábitos que irritam os franceses, como durante a sua visita ao papa no Vaticano ficar enviando mensagens de texto para o celular de alguém enquanto estava com o líder católico.(X)

quinta-feira, 17 de abril de 2008

FESTIVAL DE MONTREUX TERÁ QUINCY JONES E GGIL

Quincy Jones fará um concerto para comemorar seu 75º aniversário no Festival de Jazz de Montreux, entre 4 e 19 de julho, que também terá Joan Baez, Herbie Hancock e Gnarls Barkley, anunciaram na quinta-feira (17) os organizadores.
O ministro da Cultura do Brasil Gilberto Gil vai cantar em 12 de julho. Um dia antes, será a vez de Chico César, e um dia depois, de João Bosco e Milton Nascimento.
A 42ª edição anual do festival suíço terá também o norte-americano Paul Simon, o compositor canadense Leonard Cohen e Lenny Kravitz.
Jones, produtor e compositor que tem uma filha com a atriz Nastassja Kinski, está entre os três maiores ganhadores de Grammy de todos os tempos, acumulando 27 troféus.
Quase 90 grupos ao todo vão se apresentar nos dois palcos principais de Montreux.
O ingresso mais caro custa 380 dólares, para a noite de Quincy Jones, mas haverá outros concertos às margens do lago Genebra que serão gratuitos.(X)Quincy Jones fará um concerto para comemorar seu 75º aniversário no Festival de Jazz de Montreux, entre 4 e 19 de julho, que também terá Joan Baez, Herbie Hancock e Gnarls Barkley, anunciaram na quinta-feira (17) os organizadores.
O ministro da Cultura do Brasil Gilberto Gil vai cantar em 12 de julho. Um dia antes, será a vez de Chico César, e um dia depois, de João Bosco e Milton Nascimento.
A 42ª edição anual do festival suíço terá também o norte-americano Paul Simon, o compositor canadense Leonard Cohen e Lenny Kravitz.
Jones, produtor e compositor que tem uma filha com a atriz Nastassja Kinski, está entre os três maiores ganhadores de Grammy de todos os tempos, acumulando 27 troféus.
Quase 90 grupos ao todo vão se apresentar nos dois palcos principais de Montreux.
O ingresso mais caro custa 380 dólares, para a noite de Quincy Jones, mas haverá outros concertos às margens do lago Genebra que serão gratuitos.(X)

segunda-feira, 31 de março de 2008

Xinderi de Primeirissíma

Trés instrumentos mexem com a minha sensibilidade musical – o Bandolim, o Banjo e a Cítara. Todos eles de cordas.
Não significa isso que os acordes da viola acústica, o piano ou a flauta ou outros instrumentos não tenham esse dom de agradar qualquer ouvido minimamente educado para absorver a boniteza de quaisquer que sejam os sons: o duelo entre namorados de Xiricos preparando-se para o acasalmento ou o coaxar bem sincopado de uma “orquestra” de rãs tendo como palco uma lagoa no silêncio audível de uma noite molhada – tudo isso faz-me bem a alma. É como que um tónico.
Mas é do Banjo, da Cítara e sobretudo do Bandolim que me proponho escrever, depois de, numa madruagada em que o sono vinha e ia, ter escutado perplexo numa dessas populistas rádios algumas músicas nas quais os executantes utilizavam aqueles instrumentos.
Do Bandolim, e tanto quanto a memória me permite recordar, mantive o primeiro contacto através do “Moda Xicavalo”, uma lendária música de Fany Mpfumo e Francisco Mahecuane gravada em finais dos anos 50 na África do Sul e bastas vezes passada na Hora Nativa do Rádio Clube de Moçambique. Servia para o fecho da emissão diária.
Encerrada que foi a Hora Nativa com a nacionalização do RCM e consequente criação em 1975 da actual Rádio Moçambique, o bandolim de Fany e sua “Moda Xicavalo” se não desapareceram, no mínimo deixaram de serem dedilhados ou cantados pelos seus executantes, inclusive pelo próprio “Rei da Marrabenta”.
Porquê esse sumisso de tão pequeno/grande instrumento? Eis uma pergunta sobre a qual não tenho uma resposta plausível embora, no plano da especulação, possa pensar que tanto o Fany como outros seus discíplos o tenham preterido optando pela guitarra eléctrica. Até porque dá para perceber pela raridade, mesmo pelo mundo fora, de agrupamentos musicais que utilizavam o Bandolim.
Desde então, por aí 1975/76, o Bandolim foi remetido ao silêncio até que ... o acaso, sempre o acaso.
De microfone em riste e com pressa de “arrancar” uma entrevista ao Raúl Domingos – em 1992 – deparo-me com dois homens, um dos quais desinteressadamente tirava uns sons que, pela sua raridade, me aguçaram a curiosidade. Foi aí que fiquei a saber que o instrumento sobre o qual escrevo era de madeira julgo que prensada e com oito cordas.
O executante na circunstância era o Ernesto Zevo (Ximanganine para os amigos) na companhia daquele que daí viria a saber ser Abílio Manldaze, entretanto já falecido.
A entrevista a Raúl Domingos não se realizou simplesmente porque o Zevo e o Mandlaze foram por mim enfiados à força no Estúdio Teatro e... minutos depois veio à luz do dia aquela música que na parada do Ngoma de 1993 se tornaria a a Canção Mais Popular: “Juro Palavra D´honra, vou Morrer Assim”.
Refira-se, contudo, que a popularidade do “Juro ...” começa com a radiodifusão, no “Onda Matinal” hoje “Jornal da Manhã”, do tosco registo em cassete normal feito por mim, até atingir o clímax depois de o Roberto Aúze lhe dar a versão tecnicamente mais apurada, mas não tão original que aquela por mim registada. Passe a petulância. De resto não o pode ser quando me dizem hoje, volvidos 15 anos, que até o “Izi Jazz” Izidine Faquirá figura na ficha técnica da música como executante da bateria programada “Rolland”.
Entretanto só me dou verdadeiramente conta da popularidade do “Juro...” numa noite escura como breu em plena baía de Inhambane quando toco a cassete com a conversa e a música do Zevo e Mandlaze. Os dois ou trés marinheiros que nos transportavam, a mim e à minha mulher e filhos, a meio do trajecto Inhambane/Maxixe, acto contínuo, param a a barcaça e desligam o motor. Sem nenhuma explicação.
O silêncio da noite, importunado apenas pelo bater das ondas no casco do vaso e dos acordes do bandolim que saíam do gravador, pareceu-me que tiveram o condão de transportar aqueles velhos lobos do mar para um tempo que viveram intensamente, certamente já diluído nas suas memórias, qual espuma salgada das aguas do mar.
Depois de religiosamente escutarem a música e a entrevista e informados de quem eu era e que parte da minha infância tinha sido também envenenada pelos sons que saíam dos “His Master Voice” numa aldeola chamada Matacalane não muito distante dali, os homens nada disseram, manobraram o barco e já na corcomida ponte cais da Maxixe é que um deles, meneando a cabeça, balbuciou qualquer coisa como isto: Singu Wonega, ou seja “dá para perceber”. E mais não abriram a boca.
Onde está o primeiro registo magnético do “Juro Palavra D´honra, Vou Morrer Assim”? Nem eu o posso afirmar, nem a minha mulher e filhos, embora algo me diga que a cassete foi parar, por oferta minha, às mãos de um ancião da aldeola que de forma insistente mo pedira enquanto lá estivera em gozo de férias.
E a cópia feita para a radiodifusão? Essa, sei eu, teve o mesmo destino que muita relíquia sonora tem na Rádio Moçambique – simplesmente desgravada porque na RM a cultura de arquivar não existe. Incluo-me, embora por vezes o acaso...
Não fosse a crónica falta de meios de trabalho na Rádio Moçambique um registo de suma importância para a história da música moçambicana ter-se-ia irremediavelmente perdido: à cata de uma fita magnética e depois de muito suar, acho uma com evidentes sinais de que há muito não era manejada, tanta era a poeira que a envolvia.
O impulso normal de a desmagnetizar felizmente cedeu perante a curiosidade de ouvir o que eventualmente lá estivesse registado: a primeira e exclusiva entrevista que Fany Mpfumo, acabadinho de regressar da Africa do Sul, concedeu a Gulamo Khan. Em 1974.
Esta relíquia do melhor executante do Bandolim está arquivada na Fitateca da Rádio Moçambique. Para quem está interessado na história da nossa música.
Enfim ... perante tanta mediocridade que vivemos no expectro musical em Moçambique, apetece-me afogar-me num gericam de Xinderi da primeirissíma, cantando “Juro Palavra D´honra, Vou Morrer Assim”.
E então? Será que, desaparecido o “Rei” Fany Mpfumo só nos resta apenas um executante do Bandolim? O Ernesto Zevo ainda me disse “parece-me que o Hortêncio Langa dá uns toques, não sei”.
E os outros instrumentos?
Em Moçambique, tanto quanto sei, não temos executantes do Banjo e da Cítara, muito embora existam alguns aficionados pela Country Music e pela obra do indiano Ravi Shankar.
Ambos os instrumentos são originários de mundos diametralmente opostos, geográfica e culturalmente: o primeiro da Irlanda e muito popularizado nos EUA e o segundo da Índia.
Com alguma semelhança com o Bandolim, o Banjo “põe-me nas nuvens” desde que numa alucinante noite do longíquo ano de 1974 assisto um filme – muito estranho, é preciso que se diga – que tem por título original “Deliverance” (Fim de Semana Alucinante em português) realizado em 1972 por John Boorman e estrelado por Jon Voigth e Burt Reynolds.
A tenra idade que não permitiu então ajuizar a finalidade última da obra, não evitou que ficasse como que petrificado no banco do Cinema Pemba perante o “Dueling Banjos” corporizado por um miúdo cego de cabelos eriçados, aliás o melhor que há do Bluegrass Music gravado por Eric Weissberg no Banjo e Steve Mandel no Violão.
Sons enigmáticos tanto quanto o era o Anvar Abdulatifo saem da Cítara, esse instrumento que, não sei porquê, me parece muito feio, no entanto tão bonito quando manejado por Ravi Shankar.
O Anvar era, a seu tempo, a minha referência em matéria de música de vanguarda, consubstanciada nas emissões que realizava como locutor no Emissor Regional de Cabo Delgado (ou Porto Amélia), cujo raio de acção terminava lá para as bandas de Mahate e, à noite, em Mecufi.
Forçado então a ter que escutar os sons dedilhados com mestria por Shankar, esperando que o admirável locutor passasse trechos dos Jimi Hendrix e Page, que é o que a malta gramava, o ouvido foi se acostumando à Cítara, gosto ainda mais acentuado quando em finais dos anos 70 me vem ter às mãos – já como sucessor do Anvar – uma gravação do Woodstok, esse festival que lançou Ravi Shankar para o mundo, ao lado de nomes como Jimi Hendrix e Janis Joplin.