Pelo mundo fora


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Cascatas da Namaacha: sete anos depois da seca

sábado, 18 de abril de 2009

Mudanças climáticas já são ameaça à pesca

O impacto das mudanças climáticas está a ameaçar a produção pesqueira no Arquipélago das Ilhas Primeiras e Segundas, onde na semana passada foram detectadas evidências de destruição de recifes de coral devido, sobretudo, ao aumento da temperatura das águas naquela região costeira das províncias de Nampula e Zambézia, cento e norte de Moçambique.

Cobrindo uma extensão aproximada de 500 quilómetros entre os distritos de Angoche, em Nampula e Pebane, na Zambézia, o Arquipélago das Primeiras e Segundas abarca um total de dez Ilhas ricas em recifes de coral, considerados habitates mais produtivos da fauna marinha. Atenta aos relatos sobre a existência de tal potencial na costa moçambicana, a The Nature Conservation (TNC), uma instituição de pesquisa sediada em Durban, na África do Sul, apresentou às autoridades moçambicanas uma proposta visando o desenvolvimento de programas especiais de protecção, tomando como base a experiência adquirida em intervenções anteriores no Oceano Pacífico.

Segundo Peter Bechtel, coordenador de Programas do Fundo Mundial para a Natureza na região norte do país, foi na sequência dos contactos com as autoridades moçambicanas que a TNC enviou ao país uma equipa de investigadores que, durante dez dias realizou sessões de mergulho para se aperceber da situação real dos corais nas Ilhas Primeiras e Segundas.

“A principal constatação feita pela equipa de investigadores é sobre a presença de sinais alarmantes de branqueamento dos recifes de coral, um fenómeno que terá iniciado há cerca de três semanas. Segundo as Nações Unidas, Moçambique é um dos três países do mundo mais propensos à ocorrência de calamidades naturais e a previsão é que o país venha a sofrer fortes impactos das mudanças climáticas, o maior dos quais poderá ser exactamente sobre os recifes de coral do Arquipélago das Ilhas Primeiras e Segundas. Esta situação vai ter sérias implicações na produção pesqueira das ilhas, facto que preocupa, considerando que a pesca é a principal actividade naquela região de Moçambique”, explica Peter Bechtel.

Segundo a fonte, dois factores, ambos ligados às mudanças climáticas, estão por detrás do branqueamento de corais no arquipélago, nomeadamente o ciclone "Izilda" que recentemente se abateu sobre as ilhas na região de Angoche, e a movimentação de uma massa de água quente do alto mar para a costa das ilhas, situação a que se junta o intenso calor que faz aquecer a água, provocando o seu aquecimento acima do normal.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Um olhar sobre a canção moçambicana nos anos 60 e 70 (*)


Por aqueles anos, salvo melhor opinião, a música ligeira de Moçambique estava ancorada nas terras do rand, Africa do Sul. Atrevemo até a dizer que Fany M’Pfumu, Alexandre Langa, Moniz Nothisso, Daniel Marivate, Alfiado Vilanculos, Lisboa Mathavele, Dilon Njinji, Francisco Mahecuane, Alexandre Jafete e tantos outros, não teriam certamente sido aquilo que vieram a ser se não tivessem desenvolvido a sua arte e as suas potencialidades na África do Sul. Em Moçambique não havia, nem mercado, nem indústria discográfica que os pudesse sedimentar.

Existem pelo mundo fora, na forma original, os registos discográficos que aqueles nossos artistas fizeram, cujas matrizes originais são mantidas pelas gravadoras que os registaram, não sendo por isso despropositado apelar, aqui e agora, que as entidades da cultura nacionais procurem resgatar aquele riquíssimo património.

Um exemplo propositadamente escolhido até para lançar mais achas na discussão em curso (que eu pretendo sã e desapaixonada), temos a versão de «João Domingos» para o tema «Georgina». Escutando com atenção, notaremos que está nela patente o ritmo da marrabenta, a primeira, ou talvez a mais conhecida expressão estilizada da música ligeira produzida em Moçambique. E porque está em voga uma discussão interessante sobre a origem da marrabenta, que tal metermos uma colherada na matéria por um ângulo bem diferente daquele por que temos acompanhado o debate?

Em 1959 (já já vai meio século), em Joanesburgo, Alexandre Jafete gravou um tema a que deu o título de Marrabenta, através do qual critica a juventude de então por se alhear do trabalho, do estudo, da higiene, do casamento, dos bons hábitos, de tudo por causa da marrabenta. A marrabenta era, então, uma forma de alienação cultural. Em todas as épocas e em todas as latitudes as coisas novas provocam estas reacções. Foi assim com a bossa nova, no Brasil, com o blues, jazz, swing e soul, nos Estados Unidos, com o yé-yé, em todo o mundo, com o twist, e até com o xitsuketi , entre nós.

Alexandre Jafete Simbine, de seu nome completo, estudou no Colégio de Khambine, no distrito de Morrumbene, em Inhambane, nos anos 40. Conta um seu condiscípulo que a grande paixão que Jafete nutria pela música fê-lo abandonar o colégio, levando consigo um pequeno tesouro da sua turma: o hinário da Igreja Metodista Episcopal. Ao que se sabe, Alexandre Jafete nunca mais voltou a Moçambique, acabando por morrer, ao que se diz assassinado, na África do Sul.

A questão que se coloca é: defendendo-se com veemência que a marrabenta nasceu e se desenvolveu no bairro da Mafalala, na então Lourenço Marques, de que marrabenta fala e canta, então, Alexandre Jafete? Pergunta pretensiosa, admito, mas talvez a merecer uma modesta resposta dos entendidos, que presumo existirem entre nós.

(*) Este artigo, da autoria de Luís Loforte, foi publicado no programa da Rádio Moçambique O Clube dos Entas e foi adoptado por mim para este espaço virtual. Assim, e porque para uma melhor compreensão das ideias de Loforte (colaborador do programa), necessário se torna que os interessados escutem aquele programa esta quinta-feira (16) as 22H05 e segunda-feira (20) as 02H05 na frequência 92.3 (FM).

20 anos da queda do Muro de Berlim



Em novembro vai passar vinte anos que o Muro de Berlim caiu, mesmo mês em que está prevista a finalização do restauro das suas pinturas.

Nestas imagens das obras em curso.

India: eleitora de 105 anos

Mulher de 105 anos deixa assembleia de voto na cidade de Varanasi,no norte da Índia, nesta quinta-feira.

Entre combates, tensões regionais, miséria e negócios milionários, a maior democracia do mundo começou ontem, 16, a escolher um novo governo.

Só no primeiro dia votaram cerca de 143 milhões de eleitores, mas foi a violência que se destacou num dia em que o governo indiano excluiu os franceses da Dassault dum negócio multimilionário para a aquisição de 126 aviões de combate, valendo nove mil milhões de euros.

Woody Allen processa marca de roupa

O realizador norte-americano pôs um processo em tribunal contra a American Apparel, marca de roupa americana, por uso indevido da sua imagem num spot publicitário.

O realizador exige uma indemnização no valor de 7,5 milhões de euros, alegando que o anúncio em causa prejudica o seu bom nome.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

50 anos da Revolução Cubana em debate na Rádio Moçambique

Cuba é sinónimo de Revolução. Desde 1 de Janeiro de 1959 que a maior ilha das Caraíbas é um marco incontornável para o resto do mundo.

E, precisamente 50 anos depois, a sua influência - apesar de diminuta - não desapareceu de todo.

Muitos de nós crescemos influenciados pela Revolução cubana, pelas façanhas e desventuras dos seus protagonistas.

Para alguns, a Revolução cubana significa uma história de heroísmo, de luta pela liberdade e contra o imperialismo.

Para outros, é justamente o contrário: um símbolo de ditadura e de opressão.

O que é certo é que Cuba desata paixões, e falar do que foi, do que é, e do que será a Revolução de Fidel Castro acaba por ser um verdadeiro desafio.

No programa Linha Directa da Antena Nacional (FM 92.3) da Rádio Moçambique de sábado, 18, com início as 09H05, vamos tentar explorar os 50 anos da Revolução cubana analisando os seus êxitos e o futuro da ilha.

O internauta é convidado a participar por telefone ou enviando antecipadamente perguntas para o e-mail eagmatos@gmail.com.

quinta-feira, 12 de março de 2009

John Lennon completo

John Lennon (1940-1980) tinha um dom para a música que o levou muito mais à frente das suas raízes que ele próprio poderia ter sonhado. À frente dos Beatles, alcançou o feito raro de um artista britânico conquistar os americanos com um estilo americano de música, electrizando adolescentes com uma batida que cruzou continentes, culturas e classes. Mas era também um homem complexo, que teve uma relação conturbada com a família e os companheiros da banda.


Eis o perfil que sobressai do livro John Lennon - A Vida, de Philip Norman. Um tijolaço que, se não traz nenhuma revelação bombástica, aprofunda questões controversas como a quase relação sexual que manteve com a mãe, a diversão que tirava de deficientes físicos, o uso das drogas iniciado com o baseado fumado com Bob Dylan. Mas também retrata a parceria com Paul McCartney, com quem criou o mais rico acervo existente de músicas universalmente adoradas. Sobre esse homem que foi assassinado à queima roupa, Norman conversou por telefone com o jornalista Ubiratan Brasil.

Você acredita que hoje é mais fácil tratar da intimidade de Lennon?

Acredito que sim, pois Lennon teve vários fracassos, praticou algumas maldades, foi um ser humano normal, enfim. E, apesar do enorme talento, era muito inseguro sobre as suas capacidades. Toda essa complexidade é mais bem aceita e compreendida nos dias actuais.

De que forma Lennon influenciou a cultura do século passado?

Na verdade, foram os Beatles, mais que ele, que mudaram enormemente a música popular no século 20. Primeiro na Europa, depois nos Estados Unidos até contagiarem todo o mundo. De certa forma, era complicado para John ter um lugar fixo entre os Beatles, pois ele tinha muitos outros talentos que não podia usar enquanto membro do grupo. Mas o seu filho Sean disse algo com que concordo: Lennon inventou um jeito inseguro de escrever canções, pois não tinha confiança em relação a saber ler e escrever música, que as tornou bem-humoradas, de um jeito ainda pouco conhecido entre os músicos pop, até então muito sérios e controlados. Ele trouxe elementos engraçados que tornaram a música mais engraçada.

Yoko Ono foi, de facto, fundamental no processo de pesquisa?

Sim, a viúva de Lennon foi muito honesta sobre si mesma, sobre a sua relação com John. Mostrou filmes particulares (como a viagem ao Japão) e não escondeu detalhes, agindo de uma forma que, acredito, seria a mesma tomada por John. Confesso ter ficado surpreso com essa atitude e isso deve ter acontecido porque, desde o início, o meu propósito foi o de apresentar um retrato fiel de John Lennon.

Por que, então, ela desaprovou o livro tão logo foi publicado?

Realmente, não sei. No início, amigos próximos dela leram o livro e aprovaram. Daí a minha surpresa com sua reacção, pois, durante o processo, Yoko fazia questão de não fugir de nenhum assunto. Acho que ela não gostou do espírito do livro, o que é estranho pois reproduzi a forma de Lennon falar e pensar segundo a forma que ela mesma me passava, uma forma ao mesmo tempo amorosa e exasperada. Ainda tenho esperanças de que ela mude de opinião.

Um dos momentos tristes do livro é o que retrata o último encontro de Lennon e o antigo produtor de discos dos Beatles, George Martin. Foi em Nova Iorque, no início dos anos 1970 e, para surpresa de Martin, Lennon disse que, se pudesse, regravaria tudo o que os Beatles fizeram, sobretudo Strawberry Fields.

Foi realmente chocante. Martin conhecia bem John Lennon e raramente se surpreendia com as suas atitudes, mas essas declarações o deixaram perplexo, especialmente reescrever Strawberry Fields, uma das suas obras-primas. John nunca se satisfez plenamente com nada do que tinha feito e essa é uma das qualidades que o colocam entre os grandes criadores do século passado. Ele realmente não suportava a mediocridade.

E o que você diria sobre a disposição de Lennon em explorar o sexo não apenas com mulheres mas também com homens?

Bem, é preciso lembrar, antes de tudo, que ele era de facto heterossexual - John gostava realmente de mulheres. E, durante a fase dos Beatles, nenhum deles podia ter algum affair por conta da má publicidade. O que acontecia, então, eram encontros fortuitos em banheiros de hotel. Mas Brian Epstein, o primeiro empresário da banda, era gay e apaixonado por John, que soube aproveitar-se disso em determinados momentos - como quando garantiu a Epstein que iria até o fim para que ele aceitasse ser o manager do grupo. Mesmo entendendo o recado, Epstein não quis se aproveitar da situação. Há também a história de um desejo de John por Paul McCartney, que não vingou porque Paul se interessava apenas por mulheres. Por fim, a sua paixão por Yoko Ono, cujos traços são um tanto masculinos. Enfim, há diversas evidências mas nenhuma verdade. Durante os anos 1970, quando as fronteiras sexuais existiam para ser derrubadas, John gostava de dizer que gostaria de ter duas relações com outro homem: a primeira como descoberta e a segunda para ter a certeza de que não gostava.

Ringo Starr sempre foi a figura mais apagada dos Beatles, não?

Sim, mas John Lennon gostava muito dele. Ringo sempre foi uma pessoa muito agradável, com um constante bom humor e um comportamento normal. Era disso que John mais precisava: ele dependia dessa maneira honesta de Ringo. E, mesmo depois da separação do grupo, John se preocupava com aquele sujeito simples e descontraído que sempre o ajudara a se manter na linha.

Você sabia que...

... o segundo nome de Lennon, Winston, era em homenagem ao primeiro-ministro Winston Churchill?

... o nome Beatles nasceu de uma ideia de Stuart Sutcliffe, o Stu, baixista da primeira formação da banda, que queria algo despretensioso?

... Lennon faz a voz de fundo na canção All You Need Is Love, no coro de She Loves You?

... Paul McCartney compôs Hey Jude para confortar o filho de Lennon, Julian, logo após a separação dos pais?

... Yoko Ono era uma companheira tão inseparável que, durante as gravações do Álbum Branco, acompanhava Lennon até quando ele ia ao banheiro?

... a canção Sexy Sadie era uma crítica ao guru Maharishi Mahesh Yogi que, por ter rompido o celibato com uma moça americana, irritou profundamente Lennon?

... Lennon tinha tanto medo de que seu filho Sean fosse sequestrado que não deixou ser publicada nenhuma foto dele na imprensa?

... ele foi declarado oficialmente morto às 23h07 do dia 8 de dezembro de 1980, minutos depois de levar cinco tiros de Mark Chapman?

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Quem vai ser a primeira dama da África do Sul?

Por: Susana Salvador, in DN, 08.02.09


"Há muitos políticos que têm amantes e filhos que escondem para fingir que são monógamos. Eu prefiro ser aberto. Amo as minhas mulheres e tenho orgulho nos meus filhos." Jacob Zuma, o zulu que é líder do Congresso Nacional Africano (ANC) e favorito à vitória nas presidenciais de Abril, não podia ser mais directo. Mas a sua poligamia, que é legal na África do Sul, pode tornar-se num verdadeiro problema de protocolo, caso seja eleito. Afinal, quem será a primeira dama?


Thobeka Mabhija, de 34 anos, deve tornar-se em 2010 na mulher número cinco de Zuma, de 66 anos. Os últimos preparativos para o casamento com a mãe de dois dos seus 17 ou 18 filhos (o número certo nunca foi revelado) foram dados em Janeiro, um ano depois da boda com Nompumelelo Mantuli - a número quatro. E diz-se que Zuma está já a pensar na número seis, Bongi Ngema, que é a mãe de um dos seus filhos mais novos, de quase dois anos.


A última candidata a primeira dama é Sizakele Khumalo (a esposa número um), que ele conheceu em 1959 e que vive na sua mansão em Nkandla, na província de KwaZulu-Naral. Já Nkosazana Dlamini e Nancy são cartas fora do baralho. Zuma divorciou-se em 1998 de Dlamini, a número dois, que já foi ministra dos Negócios Estrangeiros, devido a "diferenças irreconciliáveis" e a terceira mulher suicidou-se em 2000, deixando uma carta em que dizia que os 24 anos de vida de casada tinham sido "amargos e dolorosos".


Três outras mulheres cruzam o seu percurso. Minah Shongwe é um antigo amor e a mãe do seu filho mais velho, Edward, de 30 anos. A princesa Sebentile Dlamini, neta do falecido rei Sobhuza III da Suazilândia, continua à espera de Zuma, depois deste ter pago parte do labolo pela sua mão (dez vacas) em 2002. Finalmente há a jovem seropositiva, amiga da família, que o líder do ANC terá violado: em tribunal Zuma explicou que ela usava uma saia pelo joelho o que, no costume zulu, é uma provocação. E que não usou preservativo, mas tomou um duche depois para se proteger do vírus.


A poligamia, prática comum entre os zulus, é legal. Basta que o homem declare a escolha no primeiro casamento e que as mulheres dêem autorização para as novas bodas. Há contudo quem diga que é um costume antiquado e vai contra a Constituição, que estabelece a igualdade entre os sexos.


Por outro lado, o custo de criar uma família numerosa é elevado. O conselheiro financeiro de Zuma foi condenado por fraude e corrupção em pagamentos feitos em seu nome. Acusações idênticas recaem sobre o próprio líder do ANC, que não está livre da Justiça.


A poligamia pode ainda revelar-se uma desvantagem caso os sul-africanos decidam que não querem arcar com os custos das várias mulheres do eventual presidente. Talvez para evitar que se fale de si, Zuma saiu em defesa do Presidente Kgalema Motlanthe, ele próprio envolvido num escândalo sobre as várias mulheres da sua vida: "A vida privada de Motlanthe não tem nada a ver com a forma como dirige o país."


O número dois do ANC, de 59 anos, está separado (mas não divorciado) de Mapula, mãe dos seus três filhos. Contudo, há vários anos que mantém um relacionamento com uma colega do partido, Gugu Mtshali (que se divorciou em Dezembro do seu marido de há 17 anos). Ainda assim, o verdadeiro escândalo é o facto de o Presidente estar aparentemente envolvido com outra mulher, de apenas 24 anos, que ainda por cima está na fase final da gravidez. É caso para perguntar, como fez a imprensa sul-africana, "Quem é a nossa primeira dama?"