Pelo mundo fora


contador gratis

Cascatas da Namaacha: sete anos depois da seca

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Kodak anuncia o fim do rolo de diapositivos a cores mais antigo do mercado

O retrato icónico que Steve McCurry captou da afegã Sharbat Gula, em 1984, parece confirmar a descrição que muitos fizeram das cores presentes nas fotografias registadas em rolos Kodachrome - tonalidades “vibrantes, ricas e intensas”. A imagem que correu mundo e que foi capa da National Geographic passará a fazer parte de um memorial muito particular ligado ao suporte com que foi conseguida já que a Eastman Kodak Company anunciou ontem que deixará de produzir este tipo de película, 74 anos após ter sido colocada à venda.

Aquele que era o mais antigo rolo a cores do mercado – celebrado também na música por Paul Simon numa canção de 1973 cujo refrão pedia: “Mamã não me tires o Kodachrome” - tinha um processo de fabrico complexo e uma revelação igualmente complicada. Nos últimos anos, o aparecimento de rolos com resultados a nível da cor semelhantes e menos dispendiosos, bem como a massificação do suporte digital (o próprio Steve McCurry fotografa preferencialmente em digital) fizeram com que as vendas significassem uma pequena parcela do um por cento de receita que a Kodak tem com as películas.

As exigências técnicas da revelação dos Kodachrome transformaram-se também num obstáculo ao ponto de hoje existir apenas um laboratório no mundo (Dwayne`s Photo, Kansas, EUA) capaz de dar vida a este tipo de imagens. A empresa estima que os stocks de diapositivos Kodachrome deverão terminar no início do Outono. Por seu lado, o Dwayne`s Photo anunciou que só revelará os filmes até afinal de 2010. Steve McCurry terá o privilégio de usar os últimos rolos e as fotografias que deles saírem serão entregues ao museu Eastman House, em Rochester (EUA).

Perante um cenário em que os rolos eram utilizados por um grupo muito restrito de fotógrafos, a empresa americana não precisou de pedir à mãe de ninguém para acabar com o Kodachrome. Ela própria tirou-o do mercado.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Zena – essa grande diva da música Macua

Por Edmundo Galiza Matos

Conheci-a nos primeiros anos da década de 80 do século passado em Nampula. Ela, o Gimo (Mendes) Abdul Remane e o Salvador Maurício.

Os três tinham fortes ligações com a Casa da Cultura, organismo sob responsabilidade da Direcção Provincial de Educação, à frente da qual estava o actual ministro do pelouro, Aires Ali.

Zena Bacar (seu nome completo), com quem raramente cruzo no emaranhado das ruas e avenidas de Maputo, continua ligada a música e muito recentemente esteve num evento cultural na China, integrada num grupo do qual fazia parte o meu amigo Chico António, também ele um artista musical de grande calibre. Disse-me, a Zena, no último encontro que está na forja o seu primeiro disco a solo, a ser gravado num dos estúdios de Maputo.

O Gimo (Mendes) Abudl Remane, esse divide a sua vida, privada e artística, entre a Dinamarca e a Ilha de Moçambique, esse património mundial defronte do qual fica Mussoril, sua terra natal. Sei que para além de se apresentar em espectáculos, tanto nas escandinavas como em Moçambique e outras paragens, o Gimo dedica-se, aqui e ali, a dar aulas ou a proferir palestras sobre música, sobretudo a tradicional. Tem gravado um disco, “A Luz”, de 2005, com o selo da “Gateway”. Tomo conhecimento que acaba de ser nomeado, juntamente com o seu compatriota, Deodato Siquir, para a categoria de Melhor Artista Africano – Dinamarca (DK) 2009, cuja indicação dos premiados está prevista para Outubro próximo.

O Salvador Maurício, como se sabe, já não está no mundo dos vivos. Deixou-nos uma obra antológica, considerada o primeiro registo em disco de canções cantadas em Ximácua. Uma das suas canções, “Os Ratos Roeram Tudo”, muito popular, viria a ser banida na Rádio Moçambique, então única estação radiofónica no pais. Razões: de cariz eminentemente política, a letra criticava os dirigentes, no caso provinciais, de se apoderarem de todos os produtos alimentares e outros, escassos no mercado na altura, deixando para o grosso dos consumidores (população) quantidades insignificantes. Do género “Eles Comem Tudo, Não Deixam Nada” de Zeca Afonso. Estava-se na era do monopartidarismo em Moçambique.

Outros contextos históricos bem determinados, onde, curiosamente, a “filtragem” do que podia ou não ir para o “AR” na RM e outros media públicos de então era selada por alguns escribas que hoje, em jornais ditos “independentes”, “berram” aos quatro ventos contra a existência de uma Foice para capar os jornalistas mais atrevidos. Um deles – exactamente aquele que achou por bem banir a música “Os Ratos Roeram Tudo”, acabou ele próprio por zarpar para as Costas Ibéricas.

E porque estava a falar sobre o Salvador Maurício, vale a pena referir que ele legou-nos dois discos, ambos gravados e editados pela RM: On Hipiti (Ilha de Moçambique) em 1982 e, um ano depois, “Salvador Maurício”.

Enquanto na primeira obra pontificaram as colaborações de músicos do então grupo RM (Sox, José Guimarães, Milagre Langa, Zeca Tcheco, Pedro Ben, Wazimbo, Ernesto Zevo, José Mucavele e Alípio Cruz (Otis) e ainda Hortêncio Langa), na segunda o Salvador socorreu-se dos préstimos da “malta” da sua terra, Nampula, nomeadamente, Roque, Orlando, Eurico e Valentim Centura, nomes então desconhecidos mas que terão imprimido na obra sonoridades daquela região do país. Fernando Azevedo e António Francisco Cuna, já falecidos, foram os técnicos que registaram as duas obras, editadas em suporte vinil.

Mais tarde, os três (Gimo, Salvador e Zena) formariam então aquela que viria a ser a primeira banda estruturada da província de Nampula, o Eyuphuro, na qual pontificaram outros nomes, entre eles o Omar Issá. Uma banda incontornável no cancioneiro nacional, autora de três discos gravados em Maputo – um dos quais pela Rádio Moçambique – e na Grã-Bretanha.

Se é verdade que o trio só viria à ribalta da música moçambicana após a gravação da canção “Os Ratos Roeram Tudo”, não o é menos o facto de o primeiro registo das suas músicas ter sido feito por mim, em fita magnética “Scotch”, no Emissor Provincial da Rádio Moçambique em Nampula. Deve ter sido entre 1983/84. Infelizmente tal registo perdeu-se no emaranhado dos vários quilómetros de fita em bobines que existiam na discoteca daquele emissor.

A gravação foi feita nas antigas e degradadas instalações do emissor, num estúdio equipado com uma consoleta dos anos 30/40 (RCA, a válvulas) e a que acoplei um misturador romeno de má qualidade, com seis entradas para os microfones. O gravador era uma Revox PR 99, mono, moderna e um luxo na altura.

Para os padrões de então, a qualidade do registo era razoável e convenço-me agora que terá sido aquela tosca experiência que terá levado a Zena, o Gimo e o Salvador a pensar em “voos mais altos” e, de violas a tiracolo, rumarem para a sede da Rádio Moçambique, em Maputo, onde tinham melhores condições técnicas de gravação e edição das suas canções. A aposta deu certo.

Hoje, tal como referi, a Zena Bacar prepara-se para pôr no mercado o seu disco a solo, juntando-se assim a outras mulheres de Nampula, entre elas as irmãs Domingas e Belita. Recentemente, a “Diva da Música Macua” esteve na República Popular da China, integrada num grupo que incluía o Chico António, para se apresentar num evento cultural sino-africano. Ao que me contaram, não se saíram nada mal.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Clube dos Entas (*): Conjunto “João Domingos”, a música e o “Whisky Time”para a Frelimo

O Texto que se segue, de autoria do Luís Loforte, é parte da edição do “Clube dos Entas” a ser transmitido Quinta-feira, 18, e Segunda-feira, 22, na Antena Nacional da Rádio Moçambique. É ilustrado com músicas do Conjuntos João Domingos e Djambu.

Muitos ouvintes (leitores) quererão saber as circunstâncias em que João Domingos da Conceição se interessou pelo mundo da música.

Nasceu em Maio de 1933 e cresceu até os 14 anos na vila de Inharrime, 70 quilómetros a sul da cidade de Inhambane. É em Inharrime que João Domingos tem as suas primeiras paixões pela música, primeiro como disc jockey dos gramofones e respectivos vinis de 78 rotações, e depois assistindo, fervorosamente, a actuações da popular «Ossumane Valgy Jazz Band», ida de Zandamela.

Em conversa telefónica que mantivemos recentemente com ele, João Domingos surpreendeu-nos ao fazer questão de nos dizer que Ossumane Valgy tocava a “verdadeira marrabenta”, o que nos pareceu com isso querer esbater a percepção que alimentávamos de que teria aprendido a ouvir e a tocar a marrabenta nos subúrbios da então cidade de Lourenço Marques.

Com ou sem essa percepção, a verdade é que o guitarrista, vocalista e compositor Ossumane Valgy inspirou várias gerações de músico nacionais, como o intérprete Fernando Luís, que ficou célebre, nos anos 80, por interpretar temas da banda de Zandamela, nomeadamente Zavala Tótè. Mas aqui falamos do conjunto «João Domingos».

Nós acreditámos que o conjunto «João Domingos» terá sido o agrupamento que mais palcos pisou, quer nacionais, quer internacionais, pelo menos ao seu tempo. Até ao extremo-oriente se fez representar, representando-nos, afinal, a todos nós.

De todos esses palcos queremos, porém, destacar um em especial, nomeadamente o da Associação Africana da então cidade de Lourenço Marques.

Destacamo-lo não somente pelos espectáculos memoráveis que o conjunto «João Domingos» lá deu, mas também pelo seu contributo no enriquecimento da folha de serviços sociais, culturais e políticos que a agremiação acumulou ao longo dos anos da dominação colonial. Só quem não sabe, ou finge que não sabe o valor histórico da Associação Africana pode tolerar que aquele espaço físico seja votado àquele abandono, ou a actividades que não sejam mais dignas da sua estatura política.

Como podemos dizer aos mais novos, olhando para aquilo que é hoje aquele espaço, que era ali onde se editava o «Brado Africano»? E isto para perguntarmos porque é que aquele espaço não é declarado um monumento nacional, tal como em tempos foi declarado, e muito merecidamente, o Centro Associativo dos Negros da Província de Moçambique? Um preconceito de alguns?

Lamentações à parte, a verdade é que a Associação Africana foi um grande palco do João Domingos da Conceição, do «Gonzana», do «Young» Issufo, do «Globe Trotter» e do Filipe Tembe. Mas também de grandes dançarinos que os acompanhavam, como foram os casos de Mussá Tembe, Alfredo Caliano, Elarne Tajú, Carolina Albasine, Lázaro, Saíde Mundle, esse grande futebolista que jogou ao lado de Eusébio, e ainda Arlindo Haridás.

E já agora, uma pequena curiosidade, só digna de pessoas com coragem.

Contrariamente ao que hoje acontece, em que as festas são abrilhantadas por música em regime contínuo, naqueles anos havia o chamado Whisky Time, um intervalo geralmente destinado ao arrefecimento dos amplificadores da aparelhagem, mas também ao retemperar das forças pelos músicos.

O que acontece é que no toque de chamada para o grupo subir ao palco, o João Domingos usava o acorde principal do indicativo musical do programa radiofónico da Frente de Libertação de Moçambique. Só pessoas restritas sabiam desse temerário atrevimento de João Domingos.

(*) O “Clube dos Entas”, é um programa radiofónico da Rádio Moçambique, transmitido na sua Antena Nacional (FM 92.3). É produzido por Edmundo Galiza Matos, Luís Loforte e Nassurdine Adamo. Pode ser escutado também na Net: http://www.rm.co.mz/. Vai para o “AR” as quintas-feiras (22H05) e segundas-feitras (02H05)

terça-feira, 16 de junho de 2009

Companhia Nacional de Canto e Dança actua na Alemanha

A Companhia Nacional de Canto e Dança (CNCD) parte no dia 22 de Junho para Alemanha onde vai actuar nas cidades de Berlim, Hamburgo e Munique, no âmbito da realização da Semana Cultural de Moçambique, por ocasião das celebrações do 34º aniversário da proclamação da independência.

Organizada pela Embaixada moçambicana naquele país europeu a Semana Cultural insere-se no quadro das celebrações do 34º aniversário da Proclamação da Independência de Moçambique.

A CNCD, que escala pela quarta vez a Alemanha, sendo a ultima em 1997, integra uma delegação que inclui escritores, artistas plásticos e músicos.

A Semana Cultural de Moçambique, que vai decorrer de 23 a 30 de Junho, contará igualmente com a presença de altos dignitários de Moçambique e da Alemanha e os titulares das Pastas dos Negócios Estrangeiros dos dois Países irão presidir a abertura da Semana, e o Ministro da Educação e Cultura Aires Ali, por seu turno, irá proceder ao encerramento da Semana Cultural, no dia 30 em Munique.

A CNCD, que é o prato mais forte da Semana Cultural, vai orientar Workshops e apresentará dois espectáculos em Berlim, onde se inclui a Gala da Independência, a ser apresentada no dia 26 de Junho no “Haus Fur Kulture der Welt” (A Casa para a Cultura do Mundo), um dos maiores e mais moderno Teatro da Europa.

Nesta gala, a CNCD vai apresentar as suas obras mais emblemáticas – o “N’TSAY”, um bailado criado por David Abílio, que conta a história de Moçambique, e em “MOÇAMBIQUE O SOL NASCEU”, um espectáculo do mesmo autor, que é uma amostra das danças mais representativas do País inteiro.

Depois de Berlim, considerada capital cultural da Europa, a CNCD ainda vai escalar as cidades de Hamburgo e Munique, onde, para além de apresentar as danças mais representativas do país, vai apresentar um concerto de música tradicional, com enfoque para Timbila, proclamada pela UNESCO como obra-prima do Património Oral e Imaterial da Humanidade.

A realização desta Semana Cultural insere-se na divulgação das potencialidades culturais, turísticas e artísticas de Moçambique, como também reavivar a chama patriótica dos moçambicanos lá residentes, a amizade e cooperação com a Alemanha.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

O “Até sempre Ricardo Rangel” é hoje em Maputo

(Ricardo Rangel ao lado de outro "Monstro" das artes moçambicanas: Malangatana)

Vão hoje a enterrar no cemitério de Lhanguene, em Maputo, os restos mortais do proeminente fotojornalista moçambicano, Ricardo Rangel, falecido na noite da passada quinta-feira, 11.


O estado moçambicano tomou a si a responsabilidade das cerimónias do último adeus a este ícone da fotografia moçambicana, aguardando-se que várias centenas de pessoas, entre colegas, familiares, fazedores de arte, membros do governo, da sociedade civil e outros, prestem o derradeiro adeus a Rangel.


A urna contendo os restos mortais do foto-jornalista estará depositada nos Paços do Conselho Municipal da cidade de Maputo, após o que será transportada para a sua derradeira morada.


A morte de Rangel ocorreu de forma súbita, quando ele se encontrava em sua residência por volta das 20 horas desta Quinta-feira. No mesmo dia, ele havia estado a trabalhar no Centro de Formação Fotográfica (CFF), onde ele era director.


Contudo, desde Setembro de 2006, Rangel padecia de problemas cardiovasculares, tendo ficado hospitalizado durante perto de um ano. Por causa deste problema, foi-lhe amputada uma das suas pernas em 2007, mas desde lá vinha recuperando, apesar de sofrer recaídas de quando em vez.


Considerado decano dos fotojornalistas moçambicanos, Ricardo Achiles Rangel foi um dos primeiros jornalistas de imagem do país não-brancos com carreira iniciada no tempo colonial.


Ao longo do regime colonial português, diversas fotografias de Rangel foram banidas devido ao seu carácter crítico. Aliás, em entrevista dada a BBC em Junho de 2005, Rangel chegou a dizer que os “censores” da era colonial não eram muito inteligentes.

“Muitas vezes eles não se apercebiam da mensagem que transmitia certo texto ou determinada fotografia: não sabiam ler as fotografias. Passaram algumas que eram declaradamente contra o regime, mas a grande maioria só foi publicada depois da independência”, disse ele, na altura.


Ao longo da sua careira, Rangel fotografou diversos acontecimentos que documentam diversos acontecimentos de carácter socio-económico e cultural do país.


Ele faz parte do grupo de jornalistas da revista Tempo, a primeira publicação a cores do país, bem como trabalhou para os jornais “A Tribuna”, “Domingo”, entre outros, tendo depois fundado o CFF, onde era director desde 1983.


Ano passado, a Universidade Eduardo Mondlane (UEM), a maior e mais antiga instituição do ensino superior do país, distinguiu Rangel com o titulo de Doutor Honoris Causa em História Visual, em reconhecimento da sua contribuição para o país ao longo do seu percurso humano e profissional.

É o único fotojornalista moçambicano que, graças à grandiosidade e universalidade da sua obra, foi seleccionado para figurar numa lista mundial de ouro, que integra apenas os melhores mestres da arte de fotografar de todo o mundo. Actualmente, conta com 327 nomes compilados nos últimos 200 anos.

Outro facto que mostra que Rangel foi um grande mestre na arte de fotografar, é que essa lista de ídolos fotográficos mundiais, encabeçada pelo pioneiro francês desta arte Louis Daguerre, nascido em 1787 e falecido 73 anos antes do nascimento de Rangel – é que o nosso RR é apenas um dos três africanos que fazem parte dessa galeria de ouro dominada por grandes mestres fotográficos dos EUA, França, Grã-Bretanha e vários outros países desenvolvidos, como Itália, Alemanha, Suécia, Suíça, Japão, Canada e Austrália.


Os outros dois mestres do nosso continente são Gary Schneider, da África do Sul e Samuel Fosso, apresentado na lista como sendo apenas um africano.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Morreu Ricardo Rangel, decano do foto-jornalismo moçambicano

(Uma das mais emblemáticas imagens de Ricardo Rangel)
(Auto-retrato de Ricardo Rangel)
O foto-jornalista moçambicano Ricardo Rangel, 85 anos, morreu esta quinta-feira, 11, em Maputo, enquanto dormia, disse fonte familiar.

Ricardo Rangel, uma referência na área da fotografia em Moçambique, através da qual denunciou a ditadura colonial, participou em dezenas de exposições em diversos países.

Começou a trabalhar na área da fotografia aos 17 anos, num laboratório, passou pelo jornal bi-lingue “Lourenço Marques Guardian” e depois entrou para o jornal “Notícias da Tarde”, onde foi o primeiro foto-jornalista não branco.

Em 1996, chegou o seu reconhecimento internacional, quando foi incluído na mostra “Fotógrafos africanos de 1940 aos nossos dias” (Museu Guggenheim, Nova Iorque) e numa homenagem prestada pelos Encontros da Fotografia Africana em Bamako, no Mali. Foi condecorado com o grau de Oficial das Artes e Letras pelo governo francês.

O seu percurso começou em 1941, como aprendiz do fotógrafo Otílio Vasconcelos.

Lourenço Marques Guardian , Notícias, Notícias da Tarde , A Tribuna , Diário de Moçambique, Voz Africana e Notícias da Beira , foram jornais onde trabalhou.

Fundou a revista “Tempo”, o Sindicato Nacional dos Jornalistas – SNJ e a Associação Moçambicana de Fotografia – AMF . Em 1983, foi nomeado para fundar e dirigir o Centro de Formação Fotográfica.

Expôs em Moçambique, Mali, Itália, África do Sul, Portugal, Alemanha, Estados Unidos, Zimbabwe, Holanda, Suécia e França.

Sebastião Salgado, foto-jornalista português, disse, numa exposição em Paris, ter sido bastante marcado pelas fotos de Ricardo Rangel, quando as viu, em 1974, na sua primeira viagem a Moçambique.

Numa entrevista ao jornal “Público”, em Junho de 1991, Rangel afirmou que começou a tomar consciência da importância das suas fotografias pelo facto de a censura as cortar.

Licínio de Azevedo, cineasta brasileiro radicado em Moçambique desde 1976, fez em 2006 um documentário de 52 minutos intitulado “Ricardo Rangel – ferro em brasa” em que Rangel nos conduz pela sua vida e obra, onde a cidade de Maputo, a boémia e o jazz tem um lugar especial.

Gimo Remane: Melhor Artista Africano na Dinamarca

O músico moçambicano radicado na Dinamarca Gimo Remane Mendes, fundador e ex-líder do grupo Eyuphuro, foi recentemente nomeado para a categoria de Melhor Artista Africano – Dinamarca (DK) 2009, cuja indicação dos premiados está prevista para Outubro próximo.

A nomeação de Gimo Remane Mendes surge em reconhecimento do trabalho que tem desenvolvido naquele país europeu em prol da música africana.

Para a categoria de Melhor Artista Africano – DK 2009, segundo informações em nosso poder, foram nomeados nove artistas africanos radicados naquele país europeu, no âmbito da escolha anual realizada pela “Celebrate África”. De referir que esta é a terceira edição do certame que premeia os melhores artistas africanos na Dinamarca (Best African Achievements Awards).

Gimo Remane Mendes nasceu em Mossuril, província de Nampula, mas viveu na Ilha de Moçambique onde cresceu influenciado pela diversidade musical fruto de um cruzamento de culturas dos vários povos que durante séculos passaram por aquelas terras.

Viveu e cresceu num ambiente de riqueza cultural, de história e de beleza natural. Muito cedo mostrou os seus dotes musicais tocando e trabalhando com grupos culturais dos bairros da ilha e, desde 1974, embalado pelos ventos da revolução moçambicana, começou a compor músicas na sua língua materna. Foi um dos primeiros músicos moçambicanos a compor e cantar músicas em macua para o público.

Músico convicto e determinado, fundou em 1985, com Salvador Maurício e outros músicos daquela parte de Moçambique, o conhecido grupo Eyuphuro. Inspirando-se nos diferentes ritmos e instrumentos tradicionais da Ilha de Moçambique, Eyuphuro marcou a música moçambicana com um estilo único na nossa música ligeira.

Actualmente a residir na Dinamarca onde prossegue a sua carreira de músico e artista, Gimo Mendes não pára de surpreender aos moçambicanos e aos apreciadores da boa música. Depois de produzir e lançar “A Luz”, seu primeiro e belíssimo álbum a solo, provou ser um músico de mão cheia. Em 2007, foi galardoado com o prémio “Danish World Awards 2007” na categoria de melhor música do ano 2007 com o número “500 anos”, um trofeu que veio premiar um trabalho que só Gimo sabe fazer e que prestigia a música moçambicana além-fronteiras.

Como artista, criativo e pensador fundou na Dinamarca a associação “Artists Take Action” (ATA), uma associação de carácter cultural e humanitário onde procura juntar músicos, jornalistas e outras entidades do mundo da arte e cultura dinamarquesas para interagir com artistas moçambicanos.

Gimo Remane Mendes é um artista que sabe conjugar as oportunidades que lhe são oferecidas pelo país de acolhimento (Dinamarca) e as potencialidades do seu país de origem (Moçambique) e que juntando moçambicanos e dinamarqueses debaixo da ATA espalha o orgulho de ser moçambicano na diáspora.

40 anos de Woodstock comemorados em caixa

Este ano comemoram-se os 40 anos desde a primeira edição do festival Woodstock, um dos marcos da década de 60. Para se celebrar este aniversário, será editada uma caixa com seis discos com gravações inéditas de artistas como Jimi Hendrix, The Who, The Grateful Dead ou Jefferson Airplane.

Esta caixa tem por título Woodstock - 40 Years On: Back to Yasgur's Farm e será editada no dia 18 de Agosto, pela editora Rhino Records. Cheryl Pawelski, vice- presidente da editora, referiu que esta será "a mais completa colecção de músicas do Woodstock". Ao todo, esta edição reúne 77 canções, sendo que 38 delas nunca foram editadas em disco. Além dos seis discos, esta caixa traz ainda um pequeno livro com informações sobre os vários espectáculos que se realizaram neste festival.

Mas esta não é a única edição marcada para este ano de forma a celebrar os 40 anos de Woodstock. Serão ainda reeditados os discos Music from the Original Sound-track and More: Woodstock 1, Woodstock 2 e ainda o DVD Woodstock: 3 Days of Peace and Music - The Director's Cut.

Este ano vai ainda estrear-se o filme Taking Woodstock, de Ang Lee. O filme, exibido pela primeira vez no festival de Cannes, conta com argumento de James Schaus e é protagonizado por Liev Schreiber e Emile Hirsch.