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quarta-feira, 28 de maio de 2008

Espanha ainda recebe escala de vôos dos EUA para Guantánamo

MADRI - Os Estados Unidos continuam a utilizar a Espanha como base para as escalas dos seus vôos secretos até Guantánamo. A informação foi confirmada pelo governo de Portugal, que afirma que dois aviões partiram da Espanha e cruzaram o espaço aéreo português em direcção à ilha cubana. Nesta quarta-feira, 28, o governo de Madrid confirmou os vôos, mas afirmou que eles foram autorizados após Washington declarar que seriam transportados equipamentos militares.
Os dados revelados pelo executivo de Lisboa no Parlamento afirmam que, entre julho e dezembro de 2007, 56 vôos com destino à base americana de Guantánamo, instalada em Cuba, passaram pelo espaço aéreo luso. A prisão abriga os presos acusados de supostas relações com grupos terroristas islâmicos. A informações relatam que duas escalas aconteceram da base aeronaval de Rota, em solo espanhol.
Segundo a nota do Ministério de Relações Exteriores, o vôo realizado em 22 de junho levava "pessoas do Departamento da Defesa", e o segundo, registado em 30 de setembro, transportava "forças e material militar americano". O comunicado detalha que "em 2007, somente dois vôos das Forças Armadas dos EUA para Guantánamo foram autorizados" pelo Ministério da Defesa. Além dessas aeronaves, "não consta nenhum pedido ou autorização com destino ou origem a ilha cubana".
Em fevereiro deste ano, a CIA e o Reino Unido admitiram que dois vôos do Serviço Secreto dos Estados Unidos (CIA) que transportavam suspeitos de terrorismo pararam para reabastecer em território britânico, na ilha de Diego Garcia, apesar de garantias anteriores do governo dos EUA de que tais vôos nunca haviam usado espaço aéreo nem território britânico desde os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001. O governo de Londres declarou que não tinha evidências de que o Reino Unido estava envolvido no programa dos EUA de transportar secretamente suspeitos de terrorismo detidos em diversas partes do mundo e que não estava ciente que seu território estava sendo utilizado desde 2001, quando o presidente George W. Bush visitou o governo britânico.
Uma investigação européia apontou em 2006 que 14 países europeus foram coniventes com vôos secretos da CIA, a agência de inteligência americana. De acordo com o relatório, Espanha, Turquia, Alemanha e Chipre foram postos de passagem para as operações de rendição e Reino Unido, Portugal, Irlanda e Grécia foram pontos de escala. Itália, Suécia, Macedônia e Bósnia permitiram o sequestro de residentes em seu território, afirmou o documento.(X)

terça-feira, 22 de abril de 2008

EMPRESA ESPANHOLA LANÇA PAPEL HEGIÉNICO LITERÁRIO (Clássicos literários foram impressos em rolos para deleite dos leitores)

O velho hábito de ler na casa de banho ganhou um componente moderno: o papel higiênico literário. A empresa espanhola “Empreendedores” está a lançar rolos de papel especial onde aparecem impressos clássicos da literatura mundial para que as pessoas vão lendo enquanto permaneceerem nas casas de banho. E porque não nas nossas latrinas.
O produto, vendido só através da internet, inclui trechos de literatura clássica, teatro, poesia e até textos sagrados da Bíblia e do Budismo.
“Hemingway dizia que clássico é aquele livro que todo a gente respeita, mas que ninguém lê”, afirma o dono da empresa, Raúl Camarero, que acrescenta que a ideia “é levar os livros às casas de banho, aproximando a literatura do homem”.
Raúl Camarero vai, entretanto, avisando que “surge aí um conflito interessante: limpar o traseiro com uma bela obra e o dilema moral que isso representa”.
Da Bíblia foram escolhidos trechos do Apocalipse, do Cantar dos Cantares e dos Provérbios.
Os textos sagrados budistas são O Sutra do Loto e o Livro Tibetano dos Mortos.
A intenção dos sócios da companhia era incluir também trechos do Corão, mas tiveram medo da possível reacção dos islâmicos.
“Tivemos medo de provocar ira e vingança. Alguns até ameaçaram sair do projecto, se insistíssemos”, explicou o empresário.
A idéia surgiu a partir de um espectáculo teatral.
Raúl Camarero, que dirige uma companhia de teatro, escreveu uma peça intitulada “Empreendedores”, onde uma empresa imprimia clássicos literários em papel higiênico.
A peça ganhou um prêmio no Festival de Teatro de Sevilha e a companhia decidiu então transformar ficção em realidade.
Os trechos escolhidos para a impressão são clássicos de domínio público, pelos quais não é preciso pagar direitos autorais. Mas a empresa avisa que está aberta a propostas de novos escritores.
Os rolos literários custam quase 4 euros – pouco mais de cem mil meticais - cada, e o “leitor” tem a opção de escolher os textos e a cor do papel higiênico. Eles estão disponíveis nas cores branco, laranja e rosa, feitos de uma celulose mais resistente.
A maioria dos pedidos tem sido de trechos de livros de Federico García Lorca.
“Usamos letras grandes com espaço entre as palavras para que seja uma leitura fácil e relaxante. Às vezes as pessoas não têm muito tempo na casa de banho e tem a tentação de usar o papel e não ler. Mas se pensar que esse material vai ser desperdiçado para sempre...” aí então o gosto pela leitura vence, comentou Camarero.
Desde que apareceu num programa de televisão, a companhia “Empreendedores”, que anuncia o seu produto apenas na internet, está a ficar famosa na Espanha.(X)