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terça-feira, 3 de junho de 2008

Moçambique: Bispos católicos manifestam "extrema preocupaçã" com "barbárie" xenófoba na Africa do Sul

Maputo – A Conferência Episcopal de Moçambique (CEM), que reúne os bispos católicos moçambicanos, manifestou a sua "extrema preocupação" face à "barbárie" contra os estrangeiros na África do Sul e atribuiu à frustração dos sul-africanos a causa da violência.
"Manifestamos a nossa extrema preocupação perante a situação em que se encontram muitos dos nossos irmãos e irmãs moçambicanos residentes na vizinha África do Sul, em consequência do aumento da intimidação, violência e morte a que eles estão sujeitos", pode ler-se na mensagem hoje divulgada.
Os bispos católicos referem ainda que "na sequência dos actos de barbárie e intolerância" registados na África do Sul, "mais de 40 moçambicanos foram gratuitamente linchados até à morte", o dobro das vítimas apontadas pelas autoridades moçambicanas no seu último balanço oficial, segunda-feira divulgado.
Na nota ontem divulgada, os bispos deploram o regresso inesperado de "mais de 30 mil" moçambicanos que tinham "ido trabalhar [para a África do Sul] em busca de melhores condições de vida para si e seus familiares", muitos dos quais foram "despojados dos seus haveres".
A onda de xenofobia na África do Sul começou no último dia 12 de Maio e já provocou mais de 60 mortos, 650 feridos, a saída forçada de mais de 40 mil estrangeiros e a deslocação para centros de refugiados internos de mais de 50 mil pessoas.
Para os líderes católicos moçambicanos, as causas da fúria dos cidadãos sul-africanos contra os imigrantes são a "degradação da condição social, distribuição desigual da riqueza e a exploração da mão-de-obra barata estrangeira em detrimento de trabalho e salários justos reivindicados pelos sul-africanos".
"Por outro lado, a riqueza gerada na África do Sul, que não é pequena, parece estar longe de ser distribuída equitativamente por todos. A vida melhor sonhada pelo povo sul-africano, com o fim do apartheid, não está sendo uma realidade", observa o prelado católico moçambicano.
A CEM faz um apelo ao Governo sul-africano no sentido de "compensar todos aqueles que perderam os seus bens nesta onda de xenofobia e que, deste modo, viram o seu futuro e o das suas famílias seriamente comprometido".
A exortação dos bispos católicos é igualmente estendida a todos os povos da África Austral, "para que se neutralizem os extremismos, uma vez que com esse tipo de manifestações todos sairão a perder".
Ao Governo moçambicano, os religiosos pedem que dialogue com as autoridades sul-africanas, para encontrarem formas de desencorajar a violência contra imigrantes.
Os bispos católicos moçambicanos instam as autoridades moçambicanas a formularem, "com a celeridade que o assunto exige, um plano exequível que concretize as melhores práticas de reintegração social" dos moçambicanos que fugiram da xenofobia na África do Sul.
A população moçambicana em geral é também evocada na mensagem episcopal, onde é feito um apelo à calma e contenção face a qualquer tipo de provocação e violência e é lembrado que Moçambique é "um exemplo mundial de resolução pacífica de conflitos".(X)

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Xenofobia: governo levanta alerta laranja

O Governo moçambicano decidiu desactivar o alerta laranja levantado no país na sequência da violência xenófoba registada na África do Sul causando a morte de vários cidadãos moçambicanos e o regresso forçado de milhares de outros.
O levantamento do alerta laranja vai acontecer esta quarta-feira depois do regresso de cerca de trezentos moçambicanos que manifestaram esse desejo.
O Ministro da Administração Estatal, Lucas Chomera, revelou que a decisão foi tomada hoje, em Maputo, pelo Conselho Coordenador de Gestão de Calamidades, em mais em uma reunião semanal destinada a fazer balanço da violência xenófoba na África do Sul.
Chomera considerou que a operação de apoio aos moçambicanos vítimas daquele fenómeno foi positivo e que a situação naquele país vizinho voltou à normalidade.
Segundo este governante aos moçambicanos que não pretendem regressar à África do Sul o governo vai dar o apoio possível tendo em conta as condições que o país tem.
No total regressaram 36.400 moçambicanos, sendo que 32 mil dos quais usaram meios próprios e 4.109 através de meios disponibilizados pelo governo, numa operação que custou até ao momento ao executivo moçambicano mais de quatro milhões de meticais.
Os restos mortais de trés moçambicanos que perderam a visa na África do Sul já se encontram em Maputo, esperando-se que os dos outros doze deverão chegar nos próximos dias.(X)