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Cascatas da Namaacha: sete anos depois da seca

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

França participou no genocídio do Ruanda, acusa o governo de Kigali

KIGALI - O governo do Ruanda acusou ontem, 5, altos funcionários do governo francês de envolvimento no genocídio de 800 mil pessoas em 1994. Entre os citados estão o ex-presidente francês François Mitterrand e o ex-primeiro-ministro, Dominique de Villepin.
O ministro francês dos Negócios Estrangeiros declarou que o seu governo ainda está a analisar as acusações documentadas pelo governo ruandês, e que, por enquanto, não irá fazer nenhuns comentários sobre o assunto.
O governo de Kigali e organizações de sobrevivente dos genocídio há vários anos têm acusado a França de ter treinado as milícias armadas e antigos militares governamentais que lideraram o genocídio.
As últimas acusações apresentadas são as mais detalhadas em relação as já divulgadas em outras ocasiões e apontam nominalmente altos funcionários franceses.
Mitterrand e Villepin aparecem numa lista de dezenas de outros nomes no final do documento, acusados de darem apoio de natureza "política, militar, diplomática e logística."
Recorde-se que militantes hutua e tutsis se combateram-se durante o massacre ocorrido entre abril e julho de 1994.
As autoridades francesas negaram várias vezes que a França tenha ajudado as forças hutu.
"Soldados franceses estão directamente envolvidos nos assassinatos", afirma o relatório do governo do Ruanda, compilado por uma equipe de investigadores independentes.
O mesmo documento refere que "Os soldados franceses cometeram vários estupros, especialmente de mulheres tutsi".
O ministro da justiça do Ruanda, Tharcisse Karugarama, afirmou que o país não tem planos imediatos para lançar acusações formais, mas o documento que estamos a citar "pode ser uma base para potenciais acusações individuais ou contra o Estado francês."
Em 1998, um painel parlamentar francês absolveu a França de ter responsabilidade no massacre, mas os deputados gauleses afirmaram que sucessivos governos franceses deram suporte diplomático e militar para o governo extremista de Ruanda entre 1990 e 1994.

Histórico do massacre

Cerca de 800 mil pessoas, a maioria da etnia tutsi, morreram em apenas cem dias durante o genocídio no Ruanda.
O país sempre conheceu divisões profundas entre a sua população, nomeadamente, entre membros da etnia hutu, que constituem 85% da população, e tutsi, que tradicionalmente são a elite do país.
Em 1994, o governo, formado por hutus, tentou desesperadamente conter o avanço dos rebeldes de etnia tutsi.
Em abril desse mesmo ano, um avião que transportava o presidente, um hutu, foi derrubado.
Em questão de horas, alguns membros do governo, incluindo o próprio primeiro-ministro, organizaram milícias para percorrer o país e, sistematicamente, assassinar tutsis.
Bloqueios foram criados nas estradas e qualquer pessoa que se identificasse como tutsi era morto com armas de fogo, mas mais frequentemente com golpes de catanas.
Vizinhos mataram os seus vizinhos e até hutus moderados que se recusaram a participar no massacre foram assassinados.
Mesmo freiras e padres foram considerados culpados de participar no genocídio.
A comunidade internacional fez pouco para impedir o massacre, mas depois as Nações Unidas criaram um tribunal internacional na cidade de Arusha, na Tanzânia, para julgar os líderes das milícias.

“Governação e Integridade em Moçambique”

“Governação e Integridade em Moçambique” é o título do mais recente relatório do Centro de Integridade Pública a ser publicado já na próxima sexta-feira, 8, em Maputo.
Os autores do documento, baseados em estudos e análises feitos nos mais variados sectores da governação no país, identificaram os problemas práticos e os desafios reais para a sua resolução, no que pode ser visto como uma singela contribuição para uma boa e transparente governação em Moçambique.

Trata-se do primeiro de uma série de relatórios que o Centro de Integridade Pública se propõe produzir de ora em diante tão somente como um contributo para o aprofundamento do debate sobre as reformas democráticas em curso no país.
No entender dos autores do documento, “a governação em Moçambique tem sido avaliada a partir de fora por organizações e governos estrangeiros preocupados em captar a qualidade das reformas em curso”.
Estudos e analises feitos por entidades moçambicanas são escassos, escreve o Centro de Integridade Pública, instituição que, tendo em conta esta realidade, se propõe agora com este relatório, apoiar o governo de Moçambique na identificação das lacunas encontradas nos nossos quadros legais e institucionais.
Os tres poderes do Estado, Direitos Humanos e Liberdades Básicas, Governação e Financiamento Eleitoral, Sector Público, Anti-corrupção e Comunicação Social, são algumas das áreas, de um total de oito, sobre as quais o Centro de Integridade Pública se debruçou para aferir sobre a qualidade da governação no nosso país.
Neste esforço, o relatório identifica diversos tipos de problemas, que vão desde vazios legais e o facto de, a existência de leis e regulamentos adequados, não bastar para garantir o bom funcionamento das instituições da governação.
Na óptica do CIP, concorrem para esta lacuna, o facto de algumas daquelas leis e políticas públicas carecerem de uma aplicação coerente e completa, derivada da falta de capacidade e meios, por um lado, e por outro, por mera ineficiência e ausência de interesse dos actores envolvidos ou das instituições de controlo e supervisão.
Recomendações
* O relatório do Centro de Integridade Pública propõe a transição do actual regime presidencialista para um regime parlamentar que assentaria na designação por sufrágio indirecto do Presidente da República e a introdução da figura de um primeiro-ministro responsável perante o parlamento.
Os autotres do relatório propõem ainda a redução dos poderes de nomeação do Presidente da República, o controlo acrescido do parlamento sobre as actividades do governo e sobre a execução das leis através de um organismo do gênero “Observatório de Execução de Leis”.
* Sobre o financiamento aos processos eleitorais, o CIP propõe a revisão da lei 7/20007 no sentido de se proibir ou limitar a contribuição a partidos políticos ou candidatos presienciais por parte de cidadãos estrangeiros e de organizações não governamentais estrangeiras.
* No capítulo da corrupção ou das acções para o seu combate, a equipe do Centro de Integridade Pública, avança com a proposta de alargamento do grau de cobertura das auditorias do Tribunal Administrativo, a responsabilização criminal dos responsáveis pelos desvios que o Tribunal Administrativo detectar na Conta Geral do Estado.
* A aprovação de uma lei sobre o direito à informação, a descriminalização da difamação e a alteração dos mecanismos de designação dos Presidentes dos Conselhos de Administração das estações públicas de rádio e de televisão, são algumas das propostas avançadas pelo Centro de Integridade no capítulo referente à sociedade civil e com,unicação social.
Interessante ainda é a proposta do estabelecimento de um código de conduta que sirva de guia do comportamento das organizações da sociedade civil e a promoção e expansão de práticas transparentes de governação interna das OSC.
* No Sector Público, o CIP propõe, por exemplo, a aprovação do que chama “Carta da Função Pública” com mecanismos complementares de monitoria do sector pelos cidadãos e a introdução da obrigatoriedade dos fornecedores e provedores regulares de serviços ao estado serem sujeiros a auditorias independentes anuais e a publicação dos respectivos relatórios.

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

A gestão Gil

Não se pode dizer que a gestão do compositor e cantor Gilberto Gil no Ministério da Cultura, durante os mais de cinco anos - e três tentativas de saída - em que lá permaneceu, tenha sido muito boa, ou muito ruim, assim como justo não seria atribuir-lhe a pecha de medíocre, algo incompatível, aliás, com a personalidade de um dos mais criativos artistas da música popular brasileira (MPB). É preciso dar à questão o enfoque correcto e condicionar a avaliação à expectativa que se poderia ter na actuação de um artista de grande popularidade na condução da política cultural do País.

Não se esperava - a começar pelo presidente Lula - que Gilberto Gil viesse a produzir uma política cultural de grande relevância, modificadora ou transformadora - no melhor sentido - da visão que a sociedade brasileira tem da Cultura e das Artes. Mas esperava-se que o governo "pegasse carona" no prestígio artístico e popular do compositor-cantor baiano, fazendo-o funcionar como uma espécie de garoto-propaganda artístico do País pelo mundo afora.

Foi para isso que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva o convidou para o Ministério, pouco depois de eleito pela primeira vez, pelo que somos levados a avaliar que a gestão Gil não se saiu mal. O ministro espalhou a descontração e a informalidade típicas dos brasileiros ao cantar, dançar e transformar cerimônias oficiais, em vários países, naqueles divertidos espectáculos improvisados que só o irreverente talento caboclo seria capaz de produzir. Neste aspecto, nem são cabíveis as críticas feitas ao ministro, quanto ao facto de ele preocupar-se mais com os seus shows internacionais do que com os compromissos burocráticos de governo, pois Gilberto Gil, no governo, apenas se dedicou a fazer mais o que sabe fazer melhor - e foi assim que deu visibilidade à sua Pasta ministerial, como, certamente, se previa quando da sua nomeação. Deixemos à liberdade poética do artista da MPB o cálculo sobre o porcentual da sua dedicação ao governo e à carreira artística - 80% a um, 20% à outra? Tanto faz, pois, Gilberto Gil estivesse no Brasil ou no exterior, fazendo seus shows, da gestão dos assuntos burocráticos - e não apenas deles - do Ministério da Cultura incumbiu-se quem nunca foi artista: o sociólogo Juca Ferreira.

Importa mais registar o que houve de mais positivo e de mais negativo. O mais negativo, diga-se desde já, foi a desastrada proposta, em agosto de 2004, de criação da Agência Nacional do Cinema e do Audiovisual (Ancinav), visando a regular as actividades no cinema e na televisão. Não houve como deixar de ver, na iniciativa, uma tentativa de interferência na liberdade de criação dos profissionais dessas áreas - o que resultou no arquivamento que o presidente Lula fez da idéia. Também se critica a gestão Gil por não ter cumprido a promessa, que fizera, de reformulação da Lei Rouanet, de estimulo à produção cultural. Mas a verdade é que, como já foi dito, não se esperava do artista qualquer renovação estrutural da política cultural do País. Os produtores de espectáculos teatrais e de outras áreas reclamaram muito da excessiva morosidade da tramitação dos projectos incentivados pela Lei Rouanet no Ministério da Cultura e suas comissões.

Menos reclamação fizeram os produtores de cinema, visto que os incentivos audiovisuais funcionaram melhor - haja vista à boa produção da indústria cinematográfica brasileira nos últimos anos. Também positivos na gestão Gil foram os justamente chamados "Pontos de Cultura", dedicados às novas mídias e facilitadores de acesso à internet - que hoje chegam a 733 instalações, espalhadas por várias regiões do País. Sob o ponto de vista estritamente político, não se pode dizer que tenha faltado habilidade a um quadro do Partido Verde que se tornou um dos quatro ministros, de todos os empossados no início do mandato do presidente Lula, que permaneceram até agora. Isso não significa, porém, que estará firme no cargo, em definitivo, o sucessor que o ministro demissionário se incumbiu de anunciar - o seu braço direito Juca Ferreira. Pode ser que o Partido dos Trabalhadores e seus aliados tenham planos diferentes para o Ministério da Cultura.

Jorge Amado

Por: Leda Tenório da Motta

Para o Brasil bem-pensante, Jorge Amado nunca foi tema. Trata-se de um objecto não pensado. Panfletário, folclórico, populista, estereotipado, melodramático, inverossímil, comercial e, no mau sentido, socialista, coloquialista, carnavalesco, assim o tem visto todo o nosso scholarship. A muitas vozes, e trazendo à baila a geração de 30 e seu expoente máximo - Graciliano Ramos -, entoa-se que ele está aquém de tudo o que de melhor saiu das vertentes modernistas, em matéria de romances. De todo lado, vem a acusação de que passou distraído pelos verdadeiros problemas de uma sociedade brasileira extremamente injusta, que representou como alegremente ecumênica e sincrética. A tudo isso, uma crítica feita por mulheres, já com um pé nas questões de gênero, acrescentará, desde os anos 70, a pecha de machista e sexista.
Trata-se de uma monotonia quebrada, às vezes, por caprichos classificatórios que mais confirmam que derrubam esse tipo de discurso e o veto, na verdade liminar, que ele traz consigo. Assim, alguns salvaguardam uma segunda fase amadiana - para lançar na roda esse qualificativo ousado -, menos propagandística e mais satírica, de que o turning point seria Gabriela Cravo e Canela. Enquanto outros, sem deixar de notar o apelo fácil e o patético de segunda ordem, admitem certa passagem de uma visão lírica pitoresca da nossa realidade para melhores perspectivas dos conflitos sociais que nos caracterizam. Uma coisa invalidando a outra, como se vê. De tal sorte que só encontraremos algo diverso nas vozes discordantes de sempre. Aqui, um crítico-poeta que evolui à margem da universidade, como José Paulo Paes, por exemplo, não por acaso, o autor de um dos posfácios providenciados para um dos três volumes das obras completas do escritor já disponíveis, suficientemente atrevido para vir opinar, de além-túmulo, que Gabriela Cravo e Canela é "um quadro de tessitura polifônica dos mais bem logrados, de que se pode orgulhar a prosa de ficção no Brasil". Acolá, um boca-do-inferno como Haroldo de Campos, que veio a público, em 2001, por ocasião da morte de Jorge Amado, declarar que o falecido era dono de uma enorme imaginação fabular, e que traços metafóricos de cunho lírico percorriam e davam graça aos seus textos. Ambos precedidos nessa sua idiossincrasia por Sérgio Buarque de Holanda, que, pedagógico como sempre, num dos artigos hoje recolhidos nas páginas de O Espírito e a Letra, nos fala de uma força poética, justamente lírica, não prejudicada pela identificação emotiva desse sentimental nostálgico com o Lumpenproletariat dos morros e das areias baianas.
Mas quem se aprofundar na história dessa fortuna crítica descobrirá um tópico ainda mais demolidor que todos os anteriores, porque mais técnico. Em quase 80 anos de recepção aversiva, todos ou quase todos são levados a referir o escritor a Graciliano. E a inferir desse comparatismo obrigatório o regionalista menor, o sub-Graciliano. É por esse parâmetro, principalmente, que se mede Jorge Amado. Em dois sentidos complementares. Em termos de estilo, contrapõe-se a crispação, a secura, a economia de meios de um às abundâncias, fluências, molezas, malemolências do outro. Em termos temáticos, o pessimismo, o fundo sombrio de um, menos pactuado com um obreirismo de programa, ao partidarismo cheio de fé no progresso social do outro.
Disparados dos mais prestigiosos departamentos da universidade brasileira, esses são veredictos que saem, por isso mesmo, de uma tradição crítica forjada no interior do marxismo e dos rigores adornianos. Estamos a falar daquele método crítico que, com maior ou menor felicidade nos resultados, entrelaça forma literária e forma social, pautando-se por buscar em tudo o estigma da história, o álibi ideológico escondido. Daquela escola que viu nas experimentações das vanguardas brasileiras tardias - concretismo, tropicalismo, desdobramentos locais do pós-moderno - um atestado do atraso nacional, uma subserviência ao modelo estrangeiro, uma "idéia fora do lugar". O que não a impediu de também ver numa escritura neutra, transparente, directa como a de Jorge Amado, na sua maneira de integrar a língua comum, no seu suposto não-estilo, a reiteração de um lugar-comum - somos mestiços, sensuais, desencanados - e, neste caso, idéias por demais no lugar. Idéias saídas da pregação da mistura feliz das raças e das diferenças, respeitosas demais do preconceito nacional para serem respeitáveis.
Diante de tudo isso, e dado o recente desencadeamento da edição das obras completas de Jorge Amado por uma das mais prestigiosas editoras brasileiras, a boa pergunta é: estaria em curso no País em que a "revisão" virou gênero, de tanto que tivemos revisões críticas ao longo da segunda metade do século passado, uma revisão de Jorge Amado? Será que, com a colecção de 35 títulos actualmente em fase de preparação começamos a "compreender", principalmente no sentido forte da palavra - conter, abranger, incluir -, a obra em questão? A tirá-la do sequestro? A dar-lhe direito de cidade?Se fosse verdade, os comentários inseridos no final dos belos volumes que nos chegam - com uma farta iconografia, reproduções de manuscritos, fotos do escritor, com o seu physique du role, porém modesto aparato crítico, orelhas anônimas, ausência de notas, posfácios em vez de apresentações - talvez não tivessem que ser assinados por um morto - José Paulo Paes - e dois estrangeiros - José Saramago e o jornalista português Miguel Sousa Tavares. Nem teriam o tom de tributo que têm - mesmo no caso do texto infinitamente superior de José Paulo Paes, que não padece da bonomia insípida que valeu a Saramago o prêmio Nobel -, mas seriam estudos ou ensaios. Ainda temos mais de 30 volumes pela frente. Será que vem aí gente saída do establishment acadêmico local para reforçar o trabalho?
Mas a pergunta talvez mais importante seja outra. Será que a arte de Jorge Amado suporta uma revisão crítica? Haveria, de facto, algo a descobrir ou redescobrir?
Ajudada por todos aqueles que enalteceram o contador de histórias, e mesmo por aquelas novas gerações, geralmente unicampineiras, menos adornianas e menos indignadas, que, hoje em dia, admitem o history teller, embora notando que ele não resolve bem as intrigas que arma, arrisco aqui alguns palpites críticos.

OBRA DO ESCRITOR SERÁ RELANÇADA ATÉ 2012, ANO DE SEU CENTENÁRIOREEDIÇÃO:

Até 2012, quando será comemorado o centenário de nascimento de Jorge Amado, a Companhia das Letras deve lançar novas edições de todos os seus livros. A promessa faz parte do plano de relançamento que garantiu à editora os direitos de edição da obra, leiloados pela família no ano passado. Os volumes ganharam novos posfácios assinados por escritores e críticos como Roberto DaMatta, Milton Hatoum, Ana Maria Machado, Mia Couto, Affonso Romano de Sant?Anna, José Paulo Paes e José Saramago, entre outros. A primeira leva, lançada em março, tinha Dona Flor e Seus Dois Maridos, Capitães da Areia, Mar Morto, A Morte e A Morte de Quincas Berro D?Água, Tocaia Grande e o infantil A Bola e o Goleiro. Acabam de ser lançados A Descoberta da América pelos Turcos, Gabriela Cravo e Canela e Terras do Sem-fim. Ainda este ano, devem ser lançados Hora da Guerra, Tenda dos Milagres, Tereza Batista Cansada de Guerra, O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá, Tenda dos Milagres, O Capitão-de-Longo-Curso, Jubiabá e O Milagre dos Pássaros.

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

FOTO DA SEMANA (minha escolha)

CRIANÇAS CHINESAS A BRINCAR NO DESERTO DE GAOTAI

Paul Anka, autor de "My Way", mantém devoção à música

Pergunta: É difícil continuar a fazer 40 apresentações por ano?
Resposta: Na verdade faço 75. Muitas delas não são divulgadas. Faço shows para empresas, trabalho em cassinos. Hoje é muito mais fácil, acredite se quiser, do que era anos atrás, quando não havia tecnologia neste ramo. A gente não tinha controle sobre o que queria fazer, como tem hoje. Quando trabalhávamos para a máfia em Las Vegas, eles nos diziam o que fazer, onde e como, e não havia discussão (ri). Era uma grande lição. Aprendíamos muito em termos de foco, integridade e profissionalismo.
P: Você poderia falar mais sobre a máfia?
R: Quando comecei no ramo musical, era tudo praticamente controlado pela máfia. Naquela época a máfia era dona de tudo, controlava tudo, e a gente tinha que trabalhar para ela. Não havia outro lugar para trabalhar, até que os Beatles abriram o mercado, então o hard rock chegou nos anos 1960, e os locais onde se tocava mudaram. Mas a gente trabalhava para aqueles sujeitos, estávamos ali com Frank Sinatra, Sammy Davis e Dean Martin, e era bastante interessante.
P: Então as coisas estão mais fáceis hoje?
R: Estão mais fáceis, mas acho que o mundo se tornou mais perigoso. Naquela época, (o presidente dos EUA John) Kennedy podia vir, havia garotas, dançarinas, prostitutas, e nada disso saía nos jornais. No mundo da grande mídia hoje, isso não é mais possível. A imprensa fica em cima dessas pessoas, Britney Spears ou qualquer outra pessoa.
P: Falando em mudanças tecnológicas no ramo musical, o que você acha dos downloads?
R: O ramo musical mudou e vai mudar mais. Acho que os CDs ficarão obsoletos, as gravadoras com as quais trabalho ficarão obsoletas. É como no ramo do cinema ou qualquer uma dessas infra-estruturas: a gente tem que trabalhar com a evolução dos tempos. Mas acho que tudo se resolverá a partir do momento em que as pessoas aceitarem qual é o novo modelo.
P: Foi difícil livrar-se do rótulo de "ídolo teen"?
R: Eu diria que os anos 1960 foram a época mais difícil, em termos de carregar aquele rótulo como um peso. Mas foi curioso porque, enquanto outros eram colocados de escanteio, eu continuei a funcionar e a ganhar a vida muito bem, talvez pelo fato de ser letrista. "My Way" marcou a virada para mim, porque deixei de ser um letrista adolescente. Passei a ser o cara que escrevia letras para seu parceiro.
P: Olhando para trás, tantas pessoas no mundo da música não sobreviveram, mas você, sim. Existe algum segredo?
R: Todos nós fazemos escolhas na vida e eu aprendi isso ainda criança, porque ninguém queria me proteger. Eu me fiz sozinho, me cerquei de pessoas boas. Eu via Sinatra e todo aquele pessoas, como eles viviam bem. Aprendi com eles, mas também aprendi com eles o que não fazer: o álcool, as drogas. É a sobrevivência de quem está mais em forma. Passei por isso com Elvis e entendi que esses caras não estavam sabendo lidar com o sucesso e que eu não queria me isolar de quem eu era, de minhas origens.
P: Você não pensa em se aposentar?
R: Não acredito na aposentadoria. Se você olha para a expectativa de vida, hoje, a chave dela é a atividade. Sou uma pessoa que cuida da saúde. Eu sei que preciso da atividade, preciso continuar a fazer o que eu amo.

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Cem anos do FIBI

É a polícia mais famosa do mundo. Prendeu ladrões, executou mafiosos e arrastou para a lama alguns políticos. Para muitos, é a guardiã da segurança norte-americana. Para outros, o FBI ameaça as liberdades. Ao festejar um século de existência, a Agência Federal de Investigação - FBI, na sigla inglesa -, continua como no dia em que foi criada: controversa.
Foi a 24 de Julho de 1908 que o procurador-geral, Charles Bonaparte, descendente de Napoleão, sugeriu ao Presidente Theodore Roosevelt a criação uma equipa especial de investigação para o Departamento de Justiça. De início contava apenas com 34 agentes e tinha poderes reduzidos. Mas a nomeação de um director, em 1924, mudou o rumo da polícia federal.
O polémico advogado John Edgar Hoover, então com 29 anos, chegava com a ambição de fazer do FBI uma grande maquina de investigação para combater a Mafia. A história dos anos da decadência, também chamada 'era do inimigo público', foi escrita com as aventuras de gangs e mafiosos. E Hoover soube usar a explosão da criminalidade como pretexto para reclamar o aumento dos poderes e autoridade da sua polícia.
Sob a sua liderança, o FBI venceu a guerra contra os mafiosos e passou incólume o período da II Guerra Mundial. Mas nos negros anos 50 a organização usou os seus poderes aos serviço do maccartismo. Hoover foi mesmo um dos protagonistas da 'caça às bruxas' comunistas que varreu a América.
A má imagem então deixada só foi apagada durante os anos 60. O FBI tomou parte na luta pelos direitos humanos, tendo levado à prisão os líderes do Klu Klux Klan, uma organização racista dos Estados Unidos. Hoover morreu em 1972, após 48 anos à frente da organização. Nessa altura, ficou claro que o ex-director tinha atropelado direitos humanos em várias cruzadas pessoais.
Mas a mudança de liderança não tirou o FBI das capas do jornais. Por bons e maus motivos. Nos últimos anos, a polícia federal capturou o homem que fez explodir o centro comercial em Oklahoma, Timothy Mc Veigh, e o serial killer, Ted Bundy. Mais recentemente o FBI desvendou os crimes de colarinho branco da empresa eléctrica Enron. Os sucessos da polícia federal ficaram porém comprometidos depois de um relatório oficial ter concluido que a polícia podia ter evitado os atentados de 11 de Setembro.
Mesmo assim, na nova luta contra o terrorismo, o FBI viu aumentados os seus poderes e o orçamento em nome da segurança nacional. Os grupos de defesa dos direitos humanos têm denunciado recorrentemente as suas tácticas de investigação e comparado a luta contra o terrorismo como uma nova caça às bruxas.
A poucos meses da realização de eleições presidenciais na América e quando se adivinha uma nova política contra o terrorismo, o Congresso deu ouvidos às criticas. Os congressistas americanos rejeitaram este mês o novo orçamento da polícia federal, uma decisão que, já se diz, inicia um novo capítulo na história da polícia mais famosa do mundo.

Mick Jagger faz 65 anos e ganha aposentadoria do governo

LONDRES - A partir de sábado, Mick Jagger terá direito a uma aposentadoria básica do governo britânico. São quase 91 libras semanais. Mas o líder dos Rolling Stones terá que esperar outros cinco anos para ter direito ao isolamento térmico gratuito do telhado de sua casa. Este benefício só é dado aos britânicos com mais de 70 anos.

Veja também:
'Amo duas mulheres', revela guitarrista dos Rolling Stones


O vocalista da banda britânica Rolling Stones completou 65 anos no sábado, 26, e, com isso, se tornará aposentado por idade - mas apenas no papel.
Mick Jagger continua a fazer o relógio andar para trás com performances ao vivo em que desafia a sua idade. Recentemente, impressionou platéias em cinemas com seus malabarismos, caras e bocas captados pelo director Martin Scorsese no documentário Shine a Light.
Embora as suas façanhas fora do palco já não se equiparem aos excessos do Stone Ronnie Wood, que passou recentemente por uma clínica de reabilitação devido a problemas com o álcool, está claro que Jagger não pretende simplesmente viver da sua fama, afastar-se do mundo e cuidar do seu jardim. Ele vem se envolvendo cada vez mais na produção cinematográfica, tendo sido produtor executivo de Shine a Light e trabalhado em dois outros longas desde então.
Rumores sobre um novo álbum e nova digressão mundial dos Rolling Stones chegam aos noticiários regularmente.
Se a fortuna de Jagger, estimada em 225 milhões de libras, somada à aposentadoria, não for suficiente para pagar as suas despesas, outra digressão seria uma maneira certeira de ajudá-lo a ficar fora do vermelho.
A digressão A Bigger Bang foi a mais lucrativa de todos os tempos. De acordo com o produtor de digressões dos Stones, Michael Cohl, o seu faturamento foi de US$558 milhões entre 2005 e 2007.
Michael Philip Jagger nasceu em Dartford, sul da Inglaterra, em 26 de julho de 1943, filho de um professor e uma cabeleireira. Ele se tornou vocalista dos Rolling Stones, formado no início dos anos 1960, e cantou uma longa lista de hits que viraram clássicos, desde (I Can't Get No) Satisfaction a Ruby Tuesday e Angie.
Estima-se que a banda já vendeu mais de 200 milhões de álbuns em todo o mundo. Figura constantemente no topo ou perto do topo das listas dos grupos e artistas mais influentes da história da música pop.
Jagger já teve vários relacionamentos com mulheres de destaque, incluindo Marianne Faithfull e Carla Bruni, a actual mulher do presidente francês Nicolas Sarkozy.
Ele casou-se com a beldade nicaraguense Bianca Perez Macias em 1971 e com a modelo texana Jerry Hall em 1990. Eles se divorciaram em 1999.
Jagger, que tem sete filhos, incluindo um com a apresentadora brasileira Luciana Gimenez, já é avô.
O libertino do rock recebeu o título de cavaleiro britânico em 2003, quando rejeitou sugestões de que teria se vendido ao establishment britânico que criticou durante tanto tempo. "Acho que o establishment, tal como o conhecíamos, não existe mais", disse ele.
Agora que chegou à idade oficial da aposentadoria, é provável que Jagger enfrente mais perguntas sobre o seu futuro e o dos Rolling Stones. Mas isso é algo com que ele já deve estar acostumado.
Mais de 45 anos atrás lhe perguntaram por quanto tempo ele conseguiria continuar com os Rolling Stones e, em outra entrevista, questionaram: "Você pode se imaginar aos 60 anos fazendo o que faz hoje?". "Sim, tranquilamente", ele respondeu.