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Cascatas da Namaacha: sete anos depois da seca

domingo, 2 de agosto de 2009

Dê o seu voto: Gimo Remane e Deodato Siquir: melhores artistas africanos na Dinamarca?

Os moçambicanos residindo ou não na Dinamarca podem participar no processo de votação do melhor artista africano 2009 naquele país europeu.

Dois artistas moçambicanos figuram entre os eleitos, nomeadamente os músicos Gimo Remane e Deodato Siquir.

Fontes ligadas à organização do evento revelaram à Rádio Moçambique que quem quiser votar poderá fazê-lo tantas vezes quantas quiser.

O voto deverá ser dirigido para o endereço electrónico www.celebrateafrica.dk

O anúncio do melhor artista africano 2009 na Dinamarca está agendado para o próximo dia três de outubro.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Ponte Armando Emílio Guebuza: nada vai deter os moçambicanos

A ponte em toda a sua extensão, trés anos após o início da sua construção (Foto de Stélio Bacar)
(EGMatos, numa imagem registada em outúbro de 2008, com a ponte ainda em construção)

"E agora, conseguimos concretizar esse grande sonho de todos nós ... os 20 milhões de moçambicanos ... este grande sonho de unir o país fisicamente, a partir de Caia e Chimuara” – palavras proferidas aos microfones da RM pelo Engenheiro Elias Paulo, esse moçambicano dirigiu as obras daquele que a partir de amanhã, 1 de agosto, ostentará o nome de um outro símbolo: Armando Emílio Guebuza


Por Edmundo Galiza Matos Stélio Bacar (Fotos)

A imperiosidade da construção de uma ponte sobre o Rio Zambeze sempre esteve presente desde que Moçambique se tornou independente em junho de 1975. Não apenas por motivos meramente económicos mas, e sobretudo, porque a remoção daquele obstáculo natural à livre circulação de pessoas e bens, era e é visto como um factor importante a acrescentar ao projecto de criação de um Moçambique verdadeiramente unido, do Rovuma ao Maputo.

Trinta e quatro anos depois da conquista e proclamação da soberania dos moçambicanos, eis pois que o sonho se vai tornar realidade quando amanhã, 1 de agosto, o Presidente da República, Armando Emílio Guebuza, atravessar num veículo os 2.376 metros desta infra-estrutura erguida alguns metros acima do caudaloso canal Rio Zambeze.

Para a história ficará então o registo do 1 de Agosto de 2009 como um marco inigualável em que os moçambicanos lograram atingir mais uma vitória, com a qual a independência e a unidade da nação fica mais cimentada.

O povo moçambicano está assim perante a mais importante obra de engenharia construída desde 1975, pondo fim a toda a uma série de constrangimentos que obstaculizavam os esforços de desenvolvimento visando acabar com a pobreza de milhões de pessoas.

“E agora, conseguimos concretizar esse grande sonho de todos nós ... os 20 milhões de moçambicanos ... este grande sonho de unir o país fisicamente, a partir de Caia e Chimuara” – palavras proferidas aos microfones da Rádio Moçambique pelo Engenheiro Elias Paulo, esse moçambicano que, dia e noite, ombro a ombro com outros compatriotas seus, dirigiu as obras deste símbolo nacional que a partir de amanhã, 1 de agosto, ostentará o nome de um outro símbolo: Armando Emílio Guebuza.

Especificações técnicas da ponte

Na luta contra este grande obstáculo que “cortava profundamente” o país entre o sul e o norte do país, houve uma primeira tentativa interrompida no início da década de 1980 do século passado com o recrudescer da guerra de desestabilização protagonizada pelos regimes anacrónicos da então Rodésia do Sul e do apartheid na África do Sul.

Tendo como principal patrono o primeiro presidente de Moçambique, Samora Moisés Machel, conseguiu-se erguer os dois encontros e alguns pilares da futura ponte, entretanto destruídos quando o projecto foi revisto para dar lugar ao actual.

A ponte que vai entrar finalmente em funcionamento a partir deste 1 de agosto, cujo custo foi de 76 milhões de euros, está dividida em duas partes, designadamente a chamada “Ponte Principal” que atravessa o Canal do Zambeze, onde os pilares são diferentes dos erguidos nos viadutos de aproximação sobre a planície de inundação do rio.

Note-se que por altura das cheias, o rio Zambeze inunda a planície junto da ponte, saindo do seu leito por cinco quilómetros, situação que condicionava a travessia de pessoas e seus haveres entre uma margem e outra.

As distancias entre os pilares da ponte principal atingem os 135,5 metros, assim dimensionados para permitir a navegabilidade do rio. Já os vãos na ponte de aproximação estão distanciados entre si por 56 metros, o que permitirá uma segura circulação de viaturas em casa de inundações.

A estrutura da ponte em betão armado tem 2.376 metros e, o conjunto de toda a infra-estrutura – entre Caia (Sofala) e Chimuara (Zambézia) – atinge os cerca de 4.9 km.

A ponte tem 16 metros de largura com duas faixas de rodagem que permitirão a circulação de veículos nos dois sentidos, duas bermas para estacionamento das máquinas em caso de avarias e a circulação de motociclos e ciclistas, para além de dois passeios para os peões.

Na margem sul do empreendimento, do lado da província de Sofala (Caia) foi instalada uma portagem que servirá igualmente para prevenir eventuais embaraços no normal fluir do tráfego de veículos.

A circulação nos dois sentidos vai ocorrer sem limitações temporais ou de peso dos veículos.

Em duas ocasiões as obras de construção da ponte foram abaladas por cheias – 2006/7 e 2007/8 – causando alguns constrangimentos para o cumprimento dos prazos de execução do empreendimento.

Em função disso decidiu o governo conceder ao empreiteiro mais 80 dias para além do prazo inicialmente estabelecido para conclusão da obra e evitando-se que tal só se verificasse para além de 2009.

Recorde-se que o primeiro projecto desta ponte, concebida em 1978, previa um tabuleiro com pouco mais de 9 metros de largura, uma dimensão que hoje estaria largamente desajustada em função do actual parque automóvel do país.

“Infelizmente, morreram dois trabalhadores”, Eng. Elias Paulo

Para o Engenheiro de Construção Civil, Elias Paulo, Director do Projecto, a primeira ilação que se tira após a conclusão da obra, foi a criação da interacção entre o dono da obra (governo), a fiscalização e o empreiteiro, três partes que, em algumas fases da obra, funcionaram como um único corpo e coeso, cuja missão era construir a ponte dentro do prazo estabelecido.

“Esta postura das partes permitiu que as obras ficassem concluídas nos três anos aprazados”, considera o Eng. Paulo, um homem satisfeito também pelo facto de não se ter registado sequer uma greve ou qualquer outra manifestação que pudesse colocar em causa o objectivo almejado.

A aposta na mão-de-obra local, ou seja, a não “importação” de trabalhadores de outros pontos do país para a execução da empreitada, foi, no entender do director do projecto, um ganho de dimensões incomensuráveis para as comunidades de Caia e Chimuara.

“Até os conflitos e instabilidade conjugais, que muito bem poderiam ser causados por trabalhadores-solteiros (as) de outras paragens, foram evitadas”, sustenta.

O princípio bem sucedido em Moçambique de envolver as comunidades nos planos de desenvolvimento foi fundamental para o bom andamento das obras, de acordo com o engenheiro Elias Paulo.

“Até os problemas sociais que amiúde surgem no seio das comunidades e que de alguma forma poderiam afectar o bom andamento da obra, eram discutidos e encontradas as necessárias soluções”.

Outro ganho inquestionável foi o facto de a Ponte Armando Emílio Guebuza ter formado operários locais qualificados que, a determinada altura da obra, tomaram “conta do recado” sem que os especialistas (supervisores) estivessem a controlá-los.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Ney Matogrosso leva prêmio por influência na música brasileira

O cantor Ney Matogrosso foi contemplado nesta terça-feira, 28, com o Prêmio Shell de Música. A escolha deu-se com base nos votos do júri, dentre os quais compositores, jornalistas e críticos de música.

"Escolhemos o Ney pela sua atemporalidade e forma como trabalha com diferentes estilos musicais. Ele pode ser considerado um cantor-produtor devido à cuidadosa escolha do repertório que interpreta e dos músicos que o acompanham, além de trazer à cena novos compositores", justificou a crítica Roberta Sá, uma das juradas.

Desde o ano passado, o prêmio passou a considerar como critério a contribuição ao cenário musical brasileiro, permitindo que intérpretes, além de compositores, concorressem ao troféu.Tom Jobim, Caetano Veloso e Chico Buarque são alguns dos vencedores anteriores. A cantora Maria Bethânia foi a vencedora do ano passado.

Morreu o pioneiro do jazz moderno George Russell

George Russell morreu ontem à noite em Boston (no noroeste do estado de Massachusetts) devido a complicações da doença de Alzheimer.

Russell foi um dos principais autores do jazz moderno do pós-guerra. Trabalhou com Miles Davis, Charlie Parker e John Coltrane. Dirigiu a sua própria orquestra, a Internacional Living Time Orchestra. Em 1953 consagrou-se um dos maiores teóricos do jazz, quando escreveu “Lydian Chromatic Concept of Tonal Organisation”, obra de referência nos estudos do jazz.

Leccionou na Universidade de Boston, recebeu vários prémios Grammy e o reconhecimento da comunidade musical americana que lhe atribuiu diversas recompensas.

Nos anos 1940, Russell criou para a orquestra de Dizzy Gillespie a primeira fusão do jazz com ritmos africanos e cubanos, “Cubano be, Cubano bop”, apresentada em 1947, no Carnegie Hall, em Nova Iorque.

Na década seguinte alcança maior fama com o álbum “The Jazz Workshop”, onde figuravam sonoridades de jazz-rock que surgiriam em força somente vinte anos depois.

Álbum inédito para 50 anos de Astérix

O principal evento das celebrações dos 50 anos de Astérix será a edição de um álbum de 56 páginas, com histórias curtas inéditas, a lançar a nível mundial, em 15 línguas, a 22 de Outubro deste ano.

O anúncio já é oficial e está no recém-renovado site de Astérix, o pequeno guerreiro gaulês criado por Goscinny e Uderzo para o número inaugural da revista "Pilote".

A celebração do aniversário inclui a edição do livro "Astérix & Compagnie", oferecido gratuitamente na compra de dois álbuns da colecção, que nas suas 48 páginas em formato A5 reúne mais de três dezenas de retratos (escritos e desenhados) de algumas das mais marcantes personagens do universo Astérix, entre gauleses, romanos, piratas e outros.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Clube dos Entas: a balada na música moçambicana, recordando Maklin Comiche

Musicalmente, a balada moçambicana tem nomes importantes no seu historial, contando-se, entre eles, nomes como os de Raul Baza-Baza, António Wiliam, Eusébio Johane Tamele, Maklin Comiche. Obviamente que os nomes da balada moçambicana não se esgotam nos que citamos. Nomes há, como os de Arão Litsure, Hortêncio Langa, os irmãos Cabaço, Rabadab Zam’taka, cuja abordagem merece um programa diferente, uma vez que representam um tempo e motivações igualmente diferentes. Hoje, falaremos da balada moçambicana do cancioneiro popular moçambicano, e numa próxima ocasião da balada nacional que resultou do cancioneiro moderno europeu, e muito principalmente do cancioneiro americano.
......

Maklin Comiche terá sido, quanto a nós, uma das melhores vozes da balada moçambicana, mas infelizmente pouco recordada entre nós. Sem se furtar muito à linha melódica e vocal de Gabriel Chihau, aliás seu contemporâneo, Comiche foi no entanto diferente por conferir maior estrutura poética aos seus versos, talvez porque Chihau se mantenha mais fiel à estrutura original dos temas que interpreta, mais propensa à dança do que, propriamente, ao canto. Esta é a nossa percepção, mas deixemos o ouvinte julgar ao seu melhor critério sobre Maklin Comiche, que nos brinda à entrada com um tema emblemático do seu reportório:

(*) – Texto do Programa “Clube dos Entas”, a ser transmitido dia 23 (22H05) e 27 (02H05) na Antena Nacional da Rádio Moçambique: FM 92.3

terça-feira, 21 de julho de 2009

Obra inacabada de Graham Greene vai ser completada por leitores

Um romance inacabado de Graham Greene (1904-1991) está a ser publicado numa revista norte-americana durante este mês, que convida os leitores a terminarem o enredo. "The Empty Chair" ("A Cadeira Vazia", numa tradução literal), com apenas cinco capítulos concluídos pelo autor e cerca de 22 mil palavras, conta a história de um assassinato misterioso.

O enredo começa quando Alice Lady Perriham, uma actriz casada com um aristocrata, dá uma festa em sua casa, onde os convidados encontram o corpo do "taciturno, mal-humorado, bruto" Richard Groves, com uma faca espetada no peito.

A obra aproxima-se das histórias de misteriosos assassinatos cometidos em casas de campo típicos de Agatha Christie. Mas "a história de Graham Greene tem uma reviravolta única", conta Andrew Gulli, editor da revista "The Strand Magazine", que está a publicar o romance.

O autor iniciou o romance em 1926, quando tinha apenas 22 anos. Mas "o estilo da caracterização de Graham Greene está lá", diz Gulli. Descoberto no ano passado por François Gallix, estudioso das obras de Greene, no Centro de Humanidades na Universidade do Texas, o texto marca um ano importante na vida do escritor, pois, segundo o seu biógrafo, foi quando se converteu ao catolicismo, começou a trabalhar como subeditor no jornal londrino Times e decidiu tornar-se um escritor de sucesso.

"The Strand Magazine" irá publicar um capítulo por semana nas próximas cinco edições e está a ponderar lançar um concurso para completar a história. "Se estiverem interessados em encontrar um autor (para terminar o romance), isso será óptimo; se quiserem fazer um concurso com os leitores, também será excelente", continua o editor da revista, inspirada numa publicação do final do século XIX que tratava mistérios fictícios como os de Greene, Christie, Rudyard Kipling e Arthur Conan Doyle.

Graham Greene é mundialmente conhecido por obras como "O Condenado", "O Nosso Agente em Havana", "O Poder e a Glória", "O Americano Tranquilo" e "Monsenhor Quixote".

segunda-feira, 20 de julho de 2009

E se Jimi Hendrix tivesse sido assassinado?

Michael Jackson morreu há trés semanas e já há quem garanta que o Rei da Pop encenou a sua morte e que andará pela Terra anónimo, afastado da pressão mediática e livre das monstruosas dívidas que acumulou. Nada de surpreendente. Afinal, para muitos, Elvis continua vivo desde que morreu em 1977. Já quanto a Jimi Hendrix, as dúvidas relativas às circunstâncias da sua morte, tendo existido, nunca atingiram dimensão de mito urbano. "Rock Roadie", livro de memórias de James "Tappy" Wright, antigo "road manager" de Hendrix, pode alterar tudo isso: Jimi foi assassinado, diz.

A premissa é simples, mas digna de guião de filme de Máfia. O britânico "The Times", o primeiro jornal a entrevistar Wright acerca de revelação, divulgada há cerca de um mês, apresenta-a pormenorizadamente. Dia 18 de Setembro de 1970, o guitarrista de "Purple Haze" não terá sufocado no seu próprio vómito, depois de uma noite regada a álcool e da ingestão de vários comprimidos. Wright alega que um grupo invadiu o quarto de hotel onde Jimi estava hospedado, forçando-o a ingerir o vinho e os comprimidos que o vitimaram. O "road manager" sabe-o porque isso mesmo lhe terá confessado em 1973 Mike Jeffery, presumível autor moral do crime, "manager" de Hendrix e personagem de percurso nebuloso: serviu os serviços secretos britânicos no canal do Suez, dava-se com a máfia americana e tinha conhecimentos na CIA e no FBI. Jeffery já não poderá confirmar a história - morreu num acidente de avião, um mês depois da alegada confissão.

O motivo para o assassinato, investiga o "Times", seriam as dívidas monstruosas que Jeffery vinha acumulando. Dividas que se veria impossibilitado de saldar se Hendrix, descontente com as decisões do "manager" (em 1967 meteu-o numa digressão desastrosa com os Monkees; em 1968, tentou impedi-lo de lançar o álbum duplo "Electric Ladyland"; em 1969 pretendia obrigá-lo a contratar músicos brancos para a sua banda), levasse em frente a decisão de o despedir. Um seguro de vida de Jimi Hendrix, no valor de dois milhões de dólares e revertendo em nome de Mike Jeffery, que este celebrara algum tempo antes, como era norma no meio, poderia ser a sua salvação. Como escreve o "Times", Jimi vivo não valeria nada ao seu quase ex-manager. Morto, é fazer as contas.
James Wright conta que, à altura, o medo que Jeffery lhe incutia o impediu de revelar a confissão. Acrescenta que se manteve calado após a sua morte por receio de ser directamente implicado no caso.

Entre os entrevistados no artigo do "Times", figuras próximas do guitarrista, as reacções dividem-se. Alguns reconhecem que pode existir um fundo de verdade nas alegações de Wright. Outros, mesmo recordando o fundo sinistro de Jeffery, negam peremptoriamente que possa ter ordenado o crime. Joe Boyd, o histórico produtor que, em 1973, realizou o primeiro documentário dedicado a Jimi Hendrix, é um deles. Isto até lhe serem revelados os relatórios médicos e as memórias do polícia e dos enfermeiros que acorreram ao quarto de hotel londrino naquele 17 de Setembro de 1970 - a história é contada em "The Final Days of Jimi Hendrix", de Tony Brown, publicado em 1997.

Segundo eles, a porta do quarto estaria escancarada, sugerindo uma saída apressada, e Hendrix completamente vestido, o que contraria a tese oficial, segundo a qual teria ingerido uma quantidade exagerada de comprimidos para conseguir dormir durante várias horas. Mais: o autor da autópsia descobriu-lhe uma grande quantidade de álcool nos pulmões, mas pouco tinha sido, à altura da morte, absorvida pela corrente sanguínea - o que vai ao encontro da tese de assassinato.

O agora sexagenário James Wright não dedica grande espaço a toda esta história no seu novo livro, centrado na sagrada trindade "sexo, drogas & rock'n'roll". Dela, mais sexo, menos droga, sabemos praticamente tudo. Já uma teoria da conspiração, para mais bem montada, com pormenores aparentemente credíveis, é sempre um festim para os cultores da mitologia pop. Já fazia falta uma assim para Hendrix. Ei-la. (In Público)