Pelo mundo fora


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Cascatas da Namaacha: sete anos depois da seca

terça-feira, 9 de junho de 2009

A falta de autoridade de que nos envergonharemos no futuro


(Estas fotografias foram captadas no "Sítio" Galiza Matos, aldeia de Germantine, sete quilométros da vila da Namaacha, em maio de 2009. Na de cima vê-se o fogo a devorar uma latrina e na de baixo atacando o ananaseiro: cerca de quinhentas plantas foram queimadas)

Por Edmundo Galiza Matos

O fenómeno das alterações climáticas e os seus efeitos a nível global já não constitui um assunto tratado por muitos como dizendo respeito apenas aos especialistas ou como sendo mais um dos modismos que, com o tempo, se eclipsará das suas pautas e das manchetes dos media. O mal – porque é disso que efectivamente se trata – começou a “mexer” com a vida de todos e, no caso de Moçambique, com a dos milhões de camponeses que têm nos recursos naturais o seu meio de sobrevivência.

Muito recentemente veio a público a informação que nos dava conta que, dada a sua localização geográfica, Moçambique é dos países que mais sofrerão de catástrofes naturais – ciclones, cheias, secas – como resultado dos estragos causados pela acção do homem sobre a natureza. Aliás, um estudioso português vaticina mesmo a possibilidade de o nosso pais vir a ser palco, nos próximos dez anos, de chuvas “diluvianas”, tão ou mais devastadoras que as que vivemos nos primeiros anos deste século, sobretudo na região sul. Com a diferença de que a “torneira” não estará aberta por dias, mas por algumas poucas horas, duas ou três vezes, com uma precipitação superior a um de um ano inteiro. Que Deus nos livre e nos guarde ...

O dilema com que nos deparamos é: se já nos demos conta do facto, de que estamos a espera para agir e assim, com base num programa tão vulgar como o de plantar uma árvore, evitar que o problema se agigante e ganhe contornos tais que já não haverá mais nada a fazer?

Que programa mais será necessário elaborar se muitos já existem, perguntarão os que estão ligados ao assunto. Outros, como eu, preocupados, retorquirão que se tais “planos de acção” estão definidos e em execução, algo então está a emperrar a sua visibilidade e os resultados práticos que deles se almejam atingir. Senão, não se compreende como é que as queimadas descontroladas continuem a devastar milhares e milhares de hectares de matas, danificando seriamente o ecossistema e atirando para a atmosféra o dióxido de carbono? E que dizer da subida da invasão das aguas do mar sobre as vilas de Mecufi, em Cabo Delgado e Machanga em Sofala, só para citar dois exemplos que testemunhei não faz um ano?

No rol dos estragos mais visíveis que as alterações climáticas estão a desencadear em Moçambique – e sempre com conhecimento de causa – não deixaria de apontar o caso da vila fronteiriça da Namaacha cujo clima era por muitos procurado e, até, recomendado para enfermos necessitados de “ares menos inócuos” como os que se vivem nos grandes aglomerados populacionais. Pergunte-se aos habituais peregrinos ao Santuário da Nossa Senhora da Namaacha se as temperaturas que se fizeram sentir durante a romaria deste ano de alguma forma se aproximaram das que se experimentavam em anos anteriores. Não, em absoluto. Por mentiroso passará aquele que se lembre de dizer que em tempos que a memória já não guarda os termómetros, entre Abril e Julho, desciam abaixo do zero e que a agua canalizada não jorrava das torneiras porque a tubagem era obstruída pelo líquido solidificado.

Desde 2000 que divido a minha vida entre a cidade da Matola e a vila da Namaacha e desde então acompanho o desenvolvimento inexorável das mutações no clima daquela região fronteiriça e a inacção das autoridades para estancar ou pelo menos minimizar os perniciosos atentados contra a natureza praticados pelo homem, nomeadamente, queimadas (muitas atiçadas por pura malvadez) e desmatação desenfreada para fabrico de carvão vegetal.

Como consequência óbvia deste estado de coisas temos que o saco de carvão passou de 60,00 meticais em 2001 para 200,00 meticais presentemente. Mais: o Vondo, um roedor que vive de tubérculos e o coelho, para não falar de outras espécies animais como a gazela, o cabrito do mato ou o javali, que os caçadores da zona vendiam ao desbarato aos que circulavam de Maputo até a fronteira com a Swazilândia, “pisgaram” para não se sabem onde. Pior do que isso são as cobras (Mamba e Surucucú) que, acoitadas pelas chamas do fogo posto, procuram abrigo em lugares mais seguros: junto das aldeias, para desespero dos seus habitantes. Uma manta ou uma almofada, mesmo que retalhadas, sempre são mais confortáveis que o inferno de uma vegetação a crepitar pela acção das chamas.

Mais dramática ainda é a gritante falta de agua, tanto para consumo humano quanto para a lavoura dos campos e beberagem do gado. A gravidade do problema é tal que, recordemo-nos, as autoridades se viram obrigadas nos primeiros meses deste ano a mobilizar camiões-cisternas para, a partir do rio Umbeluzi, satisfazer as necessidades de populações sedentas de vários pontos da Namaacha. Numa situação destas a agricultura familiar ressentiu-se e em consequência instalaram-se bolsas de fome que até hoje teimam em açoitar as populações da região.

Não é necessário ser-se especialista para concluir que esta situação tem a sua verdadeira origem na anormalidade com que as chuvas têm caído nos últimos anos. Que as queimadas descontroladas e a desmatação para o fabrico de combustíveis lenhosos simplesmente descontrolaram o ciclo natural das chuvas. Que na falta destas os lençóis freáticos minguaram de tal azar que, a título de exemplo, as famosas cascatas da Namaacha não passam hoje de rochas nuas e gretadas por um sol cada ano mais inclemente.

Chegados aqui, nada mais natural e legítimo do que se procurar saber onde estarão as autoridades, locais, distritais, provinciais e centrais, e que é feito dos planos de mitigação deste bicudo problema? Sem querer ser algum juiz em causa que não lhe diz respeito, atrevo-me porém a pensar que pouco ou quase nada está a ser feito para, em primeiro lugar, massificar toda a informação relativa a gravidade da situação e das causas que estão na base do imbróglio.

Mais grave ainda é a inacção e até a cumplicidade que se instalou entre os líderes e comunidades, elas próprias “agentes materiais do crime”, que, conhecedoras dos desmandos dos chamados carvoeiros e dos piromaníacos, simplesmente não agem. Para ser mais explícito, atrever-me-ei a afirmar que aqueles que deviam impor a ordem, desde a base ao topo, nada fazem, ao jeito de quem não quer meter o “bedelho” nos negócios dos outros para que ninguém se meta nos seus negócios. De outra forma, não se compreende como é que um ateador da queimada continue a viver tranquilamente ao lado do líder da sua comunidade ou como é que o controle dos fiscais florestais não se faz sentir, com todo o peso da sua autoridade, perante o desfile de centenas de camiões que entram diariamente nas cidades transportando lenha e carvão cujo corte e queima não foi autorizado.

Já lá vai o tempo em que a autoridade dos líderes se impunha, cujas decisões, sempre tomadas depois de ouvidas as sensibilidades locais, viravam lei e todos as cumpriam. Desconhecida é hoje a enorme influência que os aciãos exerciam sobre as acções das gerações mais novas. A falta de referências nas comunidades já se instalou e o resultado é a anarquia total, a tal ponto que não é segredo a prática de venda de terras a troco de uns míseros e efémeros milhares de meticais, uns tantos garrafões de “vinho para pretos”, capulanas e frangos. O Presidente da República, numa das presidências abertas na Inhaca, pronunciou-se sobre este fenómeno e as coisas continuam a desenrolar-se normalmente.

Está então visto que o que faz falta é o peso da autoridade, a complacência com a desordem que instalou, em consequência, a ideia segundo a qual o atropelo às leis é um “modus vivendi” ao alcance de todos, ricos e pobres.

Há que pôr cobro a este estado de coisas sob pena de a nossa falta de autoridade hoje nos desautorizar no futuro. Aí, acredite-se, será o nosso suicídio como pais. Tenho dito.

sábado, 6 de junho de 2009

Sete Maravilhas: Polémica chega a Maputo

A polémica sobre “As Sete Maravilhas de Origem Portuguesa no Mundo” chegou também a Moçambique, com acusações de “distorção da história colonial”, embora haja quem considere “empolada” a contestação.

“As Sete Maravilhas de Origem Portuguesa no Mundo”, um concurso promovido por instituições portuguesas, nomeadamente pela televisão pública RTP, pretende a selecção, através de votação por internet, de sete dos lugares mais emblemáticos construídos durante o império colonial português.

Esta semana, um grupo de académicos de vários países do mundo criticou numa carta aberta os promotores do evento por considerarem que “distorcerem o passado sangrento da sua expansão colonial em África”.

Em Moçambique, “representado” no concurso pela Ilha de Moçambique, o diário de maior circulação do país, o Notícias, dedicou esta semana toda a página dois do seu suplemento cultural ao concurso, mas é na segunda coluna desse espaço que escreve: “Escravatura – Vergonha que Portugal prefere contornar”.

Citando a referida carta aberta, o jornalista Paul Fauvet, autor do texto inserido no Notícias, diz que “o Governo português e os organizadores do concurso ignoraram a dor daqueles que tiveram seus antepassados deportados desses entrepostos comerciais e muitas vezes ali mortos”.

“Será possível desvincular a arquitectura dessas construções do papel que elas tiveram no passado e que ainda têm, no presente, enquanto lugares de memória de imensa tragédia que representou o tráfico transatlântico e a escravidão africana nas colónias europeias?”, questiona o Notícias, com base na carta.

Em declarações à Lusa, o director do Arquivo Histórico de Moçambique e docente de História na Universidade Eduardo Mondlane (UEM), Joel das Neves, considerou “empoladas as críticas a essa iniciativa”, salientando que o concurso “assenta num contexto de valorização do património arquitectónico ligado a Portugal”.

“Se o argumento de que exaltar o aspecto arquitectónico dos monumentos é faltar ao respeito da memória dos que foram escravizados na edificação desse património, ainda se irá criticar a UNESCO por considerar a Ilha de Moçambique um património da humanidade”, observou Joel das Neves.

O director do Arquivo Histórico de Moçambique referiu ainda que “alguns dos monumentos que são o orgulho do Moçambique - pós independência foram edificados no contexto da dominação colonial portuguesa”.

“Compreendo a animosidade, mas a minha opinião é a de que se está a distorcer o espírito da iniciativa”, enfatizou Joel das Neves.

Moçambique: Aldeia em Cabo Delgado abandonada devido aos elefantes

Uma aldeia da província moçambicana de Cabo Delgado foi abandonada e os habitantes fundaram uma nova, para fugir aos elefantes que lhes destruíam sistematicamente as culturas.

Cinco mil pessoas do posto administrativo de Bilibiza, distrito de Quissanga, em Cabo Delgado, deixaram a sua aldeia, Nraha, para fugir às constantes incursões dos elefantes do Parque Nacional das Quirimbas.

A movimentação dos habitantes da aldeia começou em Abril, estando a comunidade a recomeçar a vida próximo de outra aldeia, Namadai, onde há menos elefantes.

Os habitantes de Nraha queixavam-se que além de verem as culturas destruídas, as crianças também não podiam ir à escola, ocupadas que estavam a afugentar os elefantes das “machambas” (áreas de cultivo).

sexta-feira, 5 de junho de 2009

GOVERNO PORTUGUÊS TENTA DISTORCER HISTORIA COLONIAL


Fortaleza e Igreja - monumentos construídos no século XIX na Ilha do Ibo, Moçambique

Por Paul Fauvet, da Agência de Informação de Moçambique


Um número considerável de académicos proeminentes especializados na pesquisa da história dos países africanos de expressão portuguesa e do colonialismo português escreveram uma carta aberta em três línguas, nomeadamente inglês, português e francês, para denunciar a última tentativa do governo deste país europeu de distorcer o passado sangrento da sua expansão colonial em África.

Actualmente, o governo e instituições portuguesas, tais como a Universidade de Coimbra, estão a organizar um concurso internacional designado por “As Sete Maravilhas Portuguesas no Mundo”.

Estas maravilhas consistem em monumentos construídos em todo o mundo, a maioria dos quais durante o auge do poderio colonial português.

De facto, alguns destes monumentos são impressionantes – mas a nota explicativa trata os mesmos como se não fossem mais do que obras-primas de arquitectura. A partir da literatura que acompanha o concurso ninguém seria capaz de adivinhar que durante muitos séculos vários destes locais desempenharam um papel chave no comércio de escravos através do Oceano Atlântico.

Estimativas indicam que durante o comércio de escravos cerca de 12 milhões de africanos foram raptados e transportados através do Atlântico. Portugal, e a sua antiga colónia, o Brasil, foram responsáveis por pelo menos metade deste número.

O comércio de escravos e’ dos factos mais notáveis da história da expansão colonial portuguesa, mas que foi deliberadamente omitida do concurso “As Sete Maravilhas Portuguesas”.

A carta aberta nota que nas últimas duas décadas “vários países europeus, americanos e africanos vêm afirmando a memória dolorosa do comércio de africanos escravizados e valorizando o património que lhe é associado”.

Alguns dos países que também praticaram o comércio de escravos, entre as quais se destacam a França, reconhecem a escravatura como tendo sido um crime contra a humanidade, razão pela qual este país europeu adoptou a data 10 de Maio como o “Dia Nacional de Comemoração das Memórias do Tráfico Negreiro, da Escravatura e das suas Abolições”.

O Vaticano, que outrora também foi cúmplice da escravatura, já pediu desculpas pelo papel que desempenhou. Esse pedido de desculpas foi feito publicamente pelo Papa João Paulo II quando, em 1992, visitou a Casa dos Escravos na Ilha de Gorée, ao largo da costa do Senegal.

Vários presidentes, cujos países estiveram profundamente comprometidos com o comércio de escravos, incluindo o brasileiro Lula da Silva, e os norte americanos Bill Clinton e George W. Bush, seguiram o exemplo, condenando os malefícios do comércio de escravos e o passado trágico dos seus países.

Em 2007, a Grã-Bretanha comemorou o seu segundo centenário da abolição do comércio de escravos, tendo o então primeiro-ministro, Tony Blair, manifestado o seu pesar pelo papel do seu país na escravidão de muitos africanos.

Portugal, ao invés, refere a carta, está a tentar remar contra a maré do reconhecimento e arrependimento.

A lista das Sete Maravilhas inclui a cidade histórica de Luanda, actual capital de Angola, a Ilha de Moçambique, que foi a primeira capital de Moçambique, Ribeira Grande, na Ilha de Santiago, em Cabo Verde, e o Castelo São Jorge da Mina (também conhecido por Castelo Elmina), no Gana.

Todos estes locais estiveram profundamente envolvidos no comércio de escravos, facto que e’ sistematicamente omitido na literatura do concurso Sete Maravilhas.

A excepção de um único caso: o texto das “Sete Maravilhas” chegou ao cúmulo de afirmar que o Castelo Elmina foi entreposto de escravos somente a partir da ocupação holandesa, em 1637.

Esta parece ser mais uma tentativa de insinuar que apenas os holandeses eram praticantes da escravatura, e não os portugueses.

Contudo, a carta aberta, nota que os portugueses construíram o Castelo Elmina, em 1482. Foi um entreposto de escravos, embora também serviu para o comércio de ouro e de outros produtos. Porém, não existe margem de dúvida de que um grande número de escravos passaram através de Elmina, quando ainda se encontrava sob o controlo dos portugueses, e que acabaram sendo levados para o Brasil.

A carta refere que “para ser fiel à história e moralmente responsável, consideramos que a inclusão desses ‘monumentos’ no dito concurso deveria ser acompanhada de informações completas sobre o papel deles no tráfico atlântico, assim como sobre seu uso actual”, (Por exemplo, O Castelo Elmina e’ actualmente um museu que mostra a história da escravatura).

Segundo os signatários da referida carta, o governo português e os organizadores do concurso “ignoraram a dor daqueles que tiveram seus antepassados deportados desses entrepostos comerciais e muitas vezes ali mortos”.

“Será possível desvincular a arquitectura dessas construções do papel que elas tiveram no passado e que ainda têm, no presente, enquanto lugares de memória da imensa tragédia que representou o tráfico transatlântico e a escravidão africana nas colónias europeias?”, questionam os autores da carta aberta.

“Em respeito à história e à memória dos milhões de vítimas do tráfico atlântico de escravos, viemos através desta carta aberta repudiar a omissão do papel que tiveram esses lugares no comércio atlântico de africanos escravizados”, conclui a carta, descrevendo o concurso como sendo uma tentativa de banalizar e apagar a história “em prol da exaltação de um passado português glorioso expresso na suposta 'beleza' arquitectónica de tais sítios de morte e tragédia”.

A carta e’ assinada por várias dezenas de académicos de varias universidades em África, Europa, América do Sul e do Norte.

Por isso, os autores da carta aberta decidiram lançar uma petição “on-line” contra a distorção da história, que toda a gente poderá assinar, e que se encontra disponível no endereço http://www.petitiononline.com/port2009/petition.html.

terça-feira, 26 de maio de 2009

Clube dos Entas: uma incursão pela música de Moçambique nos anos 50, 60 e 70

No último programa foi mote para percorrermos, emocionalmente, o caminho seguido pela canção ligeira de Moçambique até à eclosão das primeiras discográficas no país. E não se pense que tenhamos querido dizer com isso que não existissem registos musicais de artistas moçambicanos aqui radicados. São significativas as captações feitas pelo então «Rádio Clube de Moçambique» e, embora não economicamente viáveis, esses registos têm, porém, um valor histórico e cultural incomensurável que o país só tinha muito a ganhar se os editasse em novos e modernos suportes.

Na edição de quinta-feira, 28, vamos prová-lo revisitando-os nos cinquenta e cinco minutos do programa, colocando igualmente a seguinte questão: que caminhos terão percorrido os músicos moçambicanos aqui radicados até saírem do anonimato e serem considerados atractivos aos olhos do mercado do disco? Ou talvez perguntar assim: a partir de que realidade socio-cultural os empresários da especialidade começaram a sentir que havia algo a explorar na canção nacional?

Iremos rodar por exemplo, uma canção captada em 1963 num programa através do qual o «Rádio Clube» pretendeu divulgar aquilo a que, obedecendo aos ditames da colonização mental e psicológica, teimava em chamar de folclore indígena, um eufemismo de linguagem que serviu para classificar a nossa canção como uma realidade puramente contemplativa e sem perfil para atrair o mercado do disco.

Convenhamos que não é fácil aceitar que alguém ache destituída de sentido uma canção que, e tal como acontece em qualquer parte do mundo, os seus intérpretes saúdam a chuva que irrigou a terra em abundância e rejubilam por uma colheita igualmente abundante que se prenuncia, no caso do amendoim – a mazumana. Mas já a linguagem se atenua quando Sidónio Mabombo, solista do grupo coral do «Centro Associativo», se predispõe a interpretar canções tipicamente portuguesas. Mesmo assim, não se coíbe de dizer que o faz num “esforço de linguagem”.

Sintonize o “Clube dos Entas”, quinta-feira, 28, a partir das 22H05, com reposição segunda-feira seguinte as 02H05 da madrugada na frequência 92.3 FM ou no www.rm.co.mz, Antena Nacional da Rádio Moçambique.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Felisberto: Feliz no sexo será aquele que o consultar


Chama-se Felisberto Ernesto Ndeve. jovem de 31 anos, natural de Chibuto, essa terra que viu nascer, entre outros nomes famosos da nossa terra – Eusébio Johane Tamele é um deles. Na província de Gaza, sul de Moçambique.
O nosso Felisberto é vendedor de raízes, pomadas e xaropes, a que ele designa de “medicamentos tradicionais”.

Medicamentos ou não, o que o nosso homem tem na sua banca – ou será consultório? – acredita-se ter propriedades de cura das mais variadas doenças: de dores da coluna e perturbações estomacais, reumatismo, asma ... até aquelas que ele considera as mais disseminadas entre nós: a impotência sexual e as DTS. Isso mesmo: Doenças de Transmissão Sexual.
"Faço a lubrificação dos órgãos genitais. Do homem e da mulher”, afiança o nosso médico, formado nestas lides pela sua mãe, depois de abandonar o ensino formal antes de completar a sexta-classe.
No seu consultório está pendurado um cartaz com a lista das maleitas que ele ajuda a curar.


Felisberto Ernesto Ndeve é procurado por muitos pacientes. Homens e mulheres. De todas as raças. Dos 25 aos 60 anos. Moçambicanos e de outras nacionalidades, sobretudo portugueses e sul-africanos e “de origem asiática são tantos ...” garante.
Uma significativa fasquia dos seus clientes “choraminga” nos seus ombros pedindo ajuda para superar um problema comum: o fraco desempenho sexual, fonte de problemas conjugais que o dinheiro não consegue sanar.


Diz-se bastante intrigado com um fenómeno algo estranho entre nós: o elevado número de adolescentes que o procuram: uns para “desbaratar” DTS resistentes aos fármacos convencionais e outros para conseguir “fazer pelo menos uma vez por semana com a minha namorada” ... “Estes miúdos metem-me pena... com aquela idade, bem postos, com bonitos carros e no entanto ... na cama são uns farrapos... coitados”, assim falou-nos Felisberto Ndeve.


Os preços dos medicamentos variam dos 50 aos 150 meticais. Nunca mais do que esta tabela. E ninguém reclama, mesmo nos tempos difíceis como o que vivemos.
Onde encontrar o consultório/banca do nosso médico-tradicional?
Não há como perder-se. Porque o seu endereço, embora não conste em algum mapa turístico da cidade, é tão simples quanto isto: fica localizado defronte do “33 andares”, assim chamado o único arranha-céu da cidade de Maputo.

Jaimito, o melhor guitarrista moçambicano de todos os tempos


Conheci-o cara-a-cara há 3/4 anos. A sua obra musical, essa, convivo com ela desde o lançamento dos memoráveis discos (vinil) “Amanhecer 1 e 2”. Logo após a indfependência nacional.
Refiro-me ao Jaime Machatine, ou simplesmente Jaimito.


Sempre me disseram que o melhor guitarrista moçambicano de todos os tempos foi um tal de Daíco, posição aliás que é defendida por muitos aficcionados da música moçambicana, entre os quais o nosso poeta-mor, José Craveirinha.
Não tenho como rebater tal opinião simplesmente porque não conheci Daíco. Nem sequer conheço algum registo sonoro a partir do qual possa ajuizar da sua eventual virtuosidade na guitarra.
Sendo assim, Jaimito é, na minha modesta opinião, o melhor guitarrista moçambicano de todos os tempos. Tal como Francisco Mahecuane é “rei” do Bandolim, esse fabuloso instrumento que, infelizmente, está a ser atirado para o caixote do lixo pelos nossos artistas moçambicanos. Viva Ximanganini.
Uma das imagens acima contêm escritos do “nosso” Jaimito, tirada na rampa que vai desembocar no Centro Social da Rádio Moçambique. A imagem foi registada sem o nosso guitarrista se aperceber do facto porque, ao se lhe pedir para o fazer, fica simplesmente agressivo. Diz ele que “não quero mais problemas”. Que tipo de problemas e com quém, só ele sabe.


Suponho que muitos dos que conversam amiúde com o Jaimito não sabem onde ele reside, tudo indicando que ele passa os seus dias no Centro Social da RM e dorme numa das entradas desta estação emissora. A ler ou a escrever. Escritos cujo significado, como se pode testemunhar pela imagem abaixo, só ele conhece o significado.


Jaime Machatine, ou simplesmente Jaimito, não está bem de saúde. Neste estado está ele desde que, ao que se diz, desembarcou no Aeroporto Internacional de Maputo, proveniente dos Estados Unidos. As especulações sobre as causas do seu estado de saúde são as mais variadas, uma das quais reza que o nosso guitarrista terá sido severa e macabramente torturado (mentalmente) como só os americanos sabem fazer.


Detentor de uma cultura geral muito acima da considerada alta entre nós, Jaimito, mesmo no estado em que se encontra, disserta sobre uma variada gama de assuntos, com destaque para a música e literatura (sobretudo a Beat).
Eu particularmente, produto da geração 1960/1970, tenho reservado algum do meu tempo para uns dedos de conversa com o Jaime Machatine.


Quem o quiser encontrar e com ele passar uns bons momentos, encontrál-o-á no Centro Social da Rádio Moçambique. Um conselho: se quiser ofertar algo ao nosso guitarrista escolha como prenda um livro ou uma cassete de música; um café é bem vindo. Nunca, mas nunca mesmo, se atreva a sugerir que ele coma algo porque, ao que parece, ele considera esse gesto como sendo destinado aos mendigos. O que ele não é.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

África do Sul não sabe quem será a primeira-dama do país

Pouca gente duvida que o próximo presidente da África do Sul seja Jacob Zuma, líder do Congresso Nacional Africano (ANC), mas o que ninguém sabe é qual das suas três mulheres será a primeira-dama. A poligamia é legalmente permitida por ser um costume zulu. Zuma casou-se cinco vezes e permanece casado com três mulheres - uma pediu o divórcio e outra suicidou-se.

Sizakele Khumalo, casada com Zuma há 35 anos, seria a favorita não fosse a timidez. Ela raramente aparece em público, o que abriu caminho para Nompumelelo Ntuli, 34 anos, mais acostumada às festas e compromissos oficiais. Thobeka Mabhija, 35 anos, casou-se com Zuma em janeiro e não está na jogada.

O líder sul-africano não comenta o assunto, que é um tabu também entre amigos e companheiros de partido. "Amo todas elas", diz Zuma.