Pelo mundo fora


contador gratis

Cascatas da Namaacha: sete anos depois da seca

Mostrar mensagens com a etiqueta Portugal. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Portugal. Mostrar todas as mensagens

sábado, 6 de junho de 2009

Sete Maravilhas: Polémica chega a Maputo

A polémica sobre “As Sete Maravilhas de Origem Portuguesa no Mundo” chegou também a Moçambique, com acusações de “distorção da história colonial”, embora haja quem considere “empolada” a contestação.

“As Sete Maravilhas de Origem Portuguesa no Mundo”, um concurso promovido por instituições portuguesas, nomeadamente pela televisão pública RTP, pretende a selecção, através de votação por internet, de sete dos lugares mais emblemáticos construídos durante o império colonial português.

Esta semana, um grupo de académicos de vários países do mundo criticou numa carta aberta os promotores do evento por considerarem que “distorcerem o passado sangrento da sua expansão colonial em África”.

Em Moçambique, “representado” no concurso pela Ilha de Moçambique, o diário de maior circulação do país, o Notícias, dedicou esta semana toda a página dois do seu suplemento cultural ao concurso, mas é na segunda coluna desse espaço que escreve: “Escravatura – Vergonha que Portugal prefere contornar”.

Citando a referida carta aberta, o jornalista Paul Fauvet, autor do texto inserido no Notícias, diz que “o Governo português e os organizadores do concurso ignoraram a dor daqueles que tiveram seus antepassados deportados desses entrepostos comerciais e muitas vezes ali mortos”.

“Será possível desvincular a arquitectura dessas construções do papel que elas tiveram no passado e que ainda têm, no presente, enquanto lugares de memória de imensa tragédia que representou o tráfico transatlântico e a escravidão africana nas colónias europeias?”, questiona o Notícias, com base na carta.

Em declarações à Lusa, o director do Arquivo Histórico de Moçambique e docente de História na Universidade Eduardo Mondlane (UEM), Joel das Neves, considerou “empoladas as críticas a essa iniciativa”, salientando que o concurso “assenta num contexto de valorização do património arquitectónico ligado a Portugal”.

“Se o argumento de que exaltar o aspecto arquitectónico dos monumentos é faltar ao respeito da memória dos que foram escravizados na edificação desse património, ainda se irá criticar a UNESCO por considerar a Ilha de Moçambique um património da humanidade”, observou Joel das Neves.

O director do Arquivo Histórico de Moçambique referiu ainda que “alguns dos monumentos que são o orgulho do Moçambique - pós independência foram edificados no contexto da dominação colonial portuguesa”.

“Compreendo a animosidade, mas a minha opinião é a de que se está a distorcer o espírito da iniciativa”, enfatizou Joel das Neves.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

GOVERNO PORTUGUÊS TENTA DISTORCER HISTORIA COLONIAL


Fortaleza e Igreja - monumentos construídos no século XIX na Ilha do Ibo, Moçambique

Por Paul Fauvet, da Agência de Informação de Moçambique


Um número considerável de académicos proeminentes especializados na pesquisa da história dos países africanos de expressão portuguesa e do colonialismo português escreveram uma carta aberta em três línguas, nomeadamente inglês, português e francês, para denunciar a última tentativa do governo deste país europeu de distorcer o passado sangrento da sua expansão colonial em África.

Actualmente, o governo e instituições portuguesas, tais como a Universidade de Coimbra, estão a organizar um concurso internacional designado por “As Sete Maravilhas Portuguesas no Mundo”.

Estas maravilhas consistem em monumentos construídos em todo o mundo, a maioria dos quais durante o auge do poderio colonial português.

De facto, alguns destes monumentos são impressionantes – mas a nota explicativa trata os mesmos como se não fossem mais do que obras-primas de arquitectura. A partir da literatura que acompanha o concurso ninguém seria capaz de adivinhar que durante muitos séculos vários destes locais desempenharam um papel chave no comércio de escravos através do Oceano Atlântico.

Estimativas indicam que durante o comércio de escravos cerca de 12 milhões de africanos foram raptados e transportados através do Atlântico. Portugal, e a sua antiga colónia, o Brasil, foram responsáveis por pelo menos metade deste número.

O comércio de escravos e’ dos factos mais notáveis da história da expansão colonial portuguesa, mas que foi deliberadamente omitida do concurso “As Sete Maravilhas Portuguesas”.

A carta aberta nota que nas últimas duas décadas “vários países europeus, americanos e africanos vêm afirmando a memória dolorosa do comércio de africanos escravizados e valorizando o património que lhe é associado”.

Alguns dos países que também praticaram o comércio de escravos, entre as quais se destacam a França, reconhecem a escravatura como tendo sido um crime contra a humanidade, razão pela qual este país europeu adoptou a data 10 de Maio como o “Dia Nacional de Comemoração das Memórias do Tráfico Negreiro, da Escravatura e das suas Abolições”.

O Vaticano, que outrora também foi cúmplice da escravatura, já pediu desculpas pelo papel que desempenhou. Esse pedido de desculpas foi feito publicamente pelo Papa João Paulo II quando, em 1992, visitou a Casa dos Escravos na Ilha de Gorée, ao largo da costa do Senegal.

Vários presidentes, cujos países estiveram profundamente comprometidos com o comércio de escravos, incluindo o brasileiro Lula da Silva, e os norte americanos Bill Clinton e George W. Bush, seguiram o exemplo, condenando os malefícios do comércio de escravos e o passado trágico dos seus países.

Em 2007, a Grã-Bretanha comemorou o seu segundo centenário da abolição do comércio de escravos, tendo o então primeiro-ministro, Tony Blair, manifestado o seu pesar pelo papel do seu país na escravidão de muitos africanos.

Portugal, ao invés, refere a carta, está a tentar remar contra a maré do reconhecimento e arrependimento.

A lista das Sete Maravilhas inclui a cidade histórica de Luanda, actual capital de Angola, a Ilha de Moçambique, que foi a primeira capital de Moçambique, Ribeira Grande, na Ilha de Santiago, em Cabo Verde, e o Castelo São Jorge da Mina (também conhecido por Castelo Elmina), no Gana.

Todos estes locais estiveram profundamente envolvidos no comércio de escravos, facto que e’ sistematicamente omitido na literatura do concurso Sete Maravilhas.

A excepção de um único caso: o texto das “Sete Maravilhas” chegou ao cúmulo de afirmar que o Castelo Elmina foi entreposto de escravos somente a partir da ocupação holandesa, em 1637.

Esta parece ser mais uma tentativa de insinuar que apenas os holandeses eram praticantes da escravatura, e não os portugueses.

Contudo, a carta aberta, nota que os portugueses construíram o Castelo Elmina, em 1482. Foi um entreposto de escravos, embora também serviu para o comércio de ouro e de outros produtos. Porém, não existe margem de dúvida de que um grande número de escravos passaram através de Elmina, quando ainda se encontrava sob o controlo dos portugueses, e que acabaram sendo levados para o Brasil.

A carta refere que “para ser fiel à história e moralmente responsável, consideramos que a inclusão desses ‘monumentos’ no dito concurso deveria ser acompanhada de informações completas sobre o papel deles no tráfico atlântico, assim como sobre seu uso actual”, (Por exemplo, O Castelo Elmina e’ actualmente um museu que mostra a história da escravatura).

Segundo os signatários da referida carta, o governo português e os organizadores do concurso “ignoraram a dor daqueles que tiveram seus antepassados deportados desses entrepostos comerciais e muitas vezes ali mortos”.

“Será possível desvincular a arquitectura dessas construções do papel que elas tiveram no passado e que ainda têm, no presente, enquanto lugares de memória da imensa tragédia que representou o tráfico transatlântico e a escravidão africana nas colónias europeias?”, questionam os autores da carta aberta.

“Em respeito à história e à memória dos milhões de vítimas do tráfico atlântico de escravos, viemos através desta carta aberta repudiar a omissão do papel que tiveram esses lugares no comércio atlântico de africanos escravizados”, conclui a carta, descrevendo o concurso como sendo uma tentativa de banalizar e apagar a história “em prol da exaltação de um passado português glorioso expresso na suposta 'beleza' arquitectónica de tais sítios de morte e tragédia”.

A carta e’ assinada por várias dezenas de académicos de varias universidades em África, Europa, América do Sul e do Norte.

Por isso, os autores da carta aberta decidiram lançar uma petição “on-line” contra a distorção da história, que toda a gente poderá assinar, e que se encontra disponível no endereço http://www.petitiononline.com/port2009/petition.html.

sábado, 7 de junho de 2008

Tráfico de pessoas: EUA critica justiça portuguesa

Lisboa, 05 Jun (AIM) - Portugal é um dos países que não cumprem os requisitos mínimos para a eliminação do tráfico de seres humanos no mundo, segundo o Departamento de Estado norte-americano, que critica o Governo portugues de não fazer o suficiente para eliminar este fenomeno.
A conclusão consta de um relatório anual sobre tráfico de pessoas do Departamento de Estado norte-americano, divulgado na ultima Quarta-feira em Washington, EUA.
O documento, citado pela imprensa lisboeta desta Quinta-feira, salienta que, apesar de todas as melhorias introduzidas na legislação, 'as penas impostas pelos tribunais portugueses continuam a ser inadequadas'.
Em 2006, das 65 pessoas acusadas por este crime, 49 foram condenadas mas só oito cumpriram pena na prisão - 38 receberam pena suspensa e três foram apenas multadas.
São estes os números que mantêm Portugal na categoria dos países que não cumprem os requisitos mínimos para a eliminação do tráfico de pessoas desde 2006. ~
O relatório analisa 170 países: na lista negra estão 14, das Fidji à Arábia Saudita, passando pela Moldávia e pelo Sudão - países onde nada é feito para combater o tráfico e que arriscam sanções, incluindo o corte da ajuda humanitária, por parte de Washington.
Segundo o documento, mais de 800 mil pessoas são vítimas de tráfico todos os anos: 80 por cento são mulheres e cerca de metade, menores. A maioria é vítima de exploração sexual.
O relatório caracteriza Portugal como um país de destino e de passagem para homens, mulheres e crianças traficadas do Brasil e, em menor escala, da Ucrânia, Moldávia, Rússia, Roménia e África.
As vítimas são muitas vezes sujeitas a exploração sexual ou a trabalhos forçados. O trabalho na construção civil ou na agricultura é o destino das vítimas do sexo masculino com origem no Leste da Europa.
Apesar de tudo, o relatório reconhece que tem sido feito um esforço significativo no combate ao tráfico humano. 'O Governo fez progressos importantes ao introduzir legislação antitráfico no novo Código Penal, demonstrando melhorias na coordenação das agências' e na compilação de dados sobre o fenómeno.
O relatório também regista um esforço no que diz respeito à protecção das vítimas: da legislação ao treino dado à polícia para reconhecer e sinalizar os casos. No entanto, ainda são poucas as vítimas que optam por receber protecção e assistência - apenas dez em 2007.(X)

terça-feira, 13 de maio de 2008

Bob Geldof – Angola é governada por criminosos

O Jornal de Angola (JA) diz que "chegou a hora de dizer basta" ao que qualifica como "os mais baixos ataques ao país" e aos seus dirigentes políticos. O aviso consta de um texto disponível na edição on-line do jornal, e assinado pelo director do periódico estatal, para quem "Lisboa continua, infelizmente, a ser o centro das conspirações contra Angola". Este não é o único artigo a visar os portugueses - num texto não assinado, no mesmo jornal, diz-se que "se o regabofe continua" serão publicadas "listas com os nomes dos quadrilheiros portugueses, que foram capturadas no bunker de Jonas Savimbi [o antigo líder da UNITA, morto em 2002]". (X)

sexta-feira, 9 de maio de 2008

CD: "Olhos nos Olhos", Luís Represas

«Olhos nos Olhos» foi concebido no Algarve e foi gravado entre Portugal, Brasil e Cuba, território pelo qual o ex-Trovante nutre carinho especial.
50 anos de vida e 30 de carreira são um número notável, e a verdade é que em Portugal poucos são os que se podem orgulhar de ter uma carreira tão longínqua quanto a de Luís Represas.
Algo sempre presente em Luís Represas é o respeito pelos adeptos do músico, respeito esse que musicalmente traduz-se numa segurança na escrita que, se por um lado garante uma solidez de carreira, também não deixa de minar eventuais tentativas de adulteração mais experimental em matéria de explorações sonoras.
A brasileira Simone e os cubanos Pablo Milanés e Liuba Maria Hévia são mais valias num todo mais interessante que a soma das partes. «Olhos nos Olhos» não trará novos adeptos a Luís Represas, mas também não é esse o objectivo central. Os adeptos do costume não sairão desiludidos, e isso parece chegar para Represas.(X)

terça-feira, 22 de abril de 2008

“AIMÉ CÉSAIRE” – UM HOMEM QUE RECUSOU SEMPRE HONRARIAS” – MÁRIO SOARES (*)



“Morreu na sua bela ilha - Martinica - o grande poeta e humanista, de língua francesa, Aimé Césaire, um político progressista, comunista no pós-guerra e apóstolo da negritude, como o seu amigo, também poeta e humanista, membro da Academia Francesa, Léopold Sédar Senghor, que conheci bem e do qual tenho a honra de ter sido amigo. Foi um amigo próximo do nosso Mário Pinto de Andrade, colaborador como ele da Présence Africaine.Tomei contacto com a obra de Aimé Césaire logo a seguir à guerra. Era então uma das figuras de referência da língua francesa e do anticolonialismo. Mas nunca o conheci, embora em 1970 tenha estado de passagem, em Fort-de-France, na Martinica.Ao contrário do seu amigo Senghor, Césaire recusou sempre honrarias. Foi um homem modesto, coerente com os seus valores e exemplar no seu comportamento. Idolatrado pela população da sua ilha natal, onde viveu, morreu e quis ficar sepultado. O Presidente Sarkozy ofereceu à família o Panteão Nacional, em Paris, uma honra suprema. Mas Césaire terá recusado, antecipadamente. Um grande exemplo de um africano de excepção, de um extraordinário poeta e de um grande homem."(x)

(*) - ex- Presidente português, combatente na clandestinidade, também em França, contra o fascismo salazarista