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Cascatas da Namaacha: sete anos depois da seca

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sábado, 9 de agosto de 2008

ANGOLA VAI VOTOS. CONHEÇA O PAÍS

A República de Angola tem uma área de 1.246.700 km² e situa-se na costa ocidental da África austral. Conquistou a sua independência a 11 de novembro de 1975.

O país divide-se em 18 províncias e tem como capital a cidade de Luanda. Com uma extensão de 4.837 km, as suas fronteiras terrestres localizam-se a norte da província de Cabinda com Congo Brazzaville, a norte e leste com a República Democrática do Congo (ex-Zaíre), a leste com a Zâmbia e ao sul com a Namíbia.

Angola tem uma costa de 1.650 km banhada pelo Oceano Atlântico. Os seus principais portos são Luanda, Lobito e Namibe. O ponto mais alto do país é o Monte Moco (2.620 m), localizado na Província do Huambo. Com uma rede hidrográfica privilegiada ao nível do continente, Angola tem como principais rios o Kwanza, o Zaire, o Cunene e o Cubango.

A moeda corrente é o Kwanza (Kz).O número estimado de habitantes em 1995 era de 11 milhões, com previsão de chegar a 16 milhões em 2010. O censo de 1995 indica que a população era composta de 49,3% de homens e 50,7% de mulheres. Desse total, 32% da população viviam em áreas urbanas e 53% eram economicamente activos. Estimava-se, em 1995, que Luanda tinha cerca de 3 milhões de habitantes.

A língua oficial é o Português, mas Angola tem várias línguas nacionais, como o umbundo, kimbundo, kikongo, chokwe, mbunda, luvale, nhanheca, gangela e o xikuanyama.A população é predominantemente cristã, e a religião católica é a mais difundida.

terça-feira, 13 de maio de 2008

Bob Geldof – Angola é governada por criminosos

O Jornal de Angola (JA) diz que "chegou a hora de dizer basta" ao que qualifica como "os mais baixos ataques ao país" e aos seus dirigentes políticos. O aviso consta de um texto disponível na edição on-line do jornal, e assinado pelo director do periódico estatal, para quem "Lisboa continua, infelizmente, a ser o centro das conspirações contra Angola". Este não é o único artigo a visar os portugueses - num texto não assinado, no mesmo jornal, diz-se que "se o regabofe continua" serão publicadas "listas com os nomes dos quadrilheiros portugueses, que foram capturadas no bunker de Jonas Savimbi [o antigo líder da UNITA, morto em 2002]". (X)

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Sociedade angolana está à deriva, afirma Pepetela

A sociedade angolana está «algo à deriva» e «perdeu uma série de referências» na sua história recente marcada pelos conflitos armados, disse em entrevista à Agência Lusa o escritor angolano Pepetela.

Apesar deste cenário, o escritor revela-se optimista quanto ao futuro do país, que diz estar a reorganizar-se de forma acelerada, mas chama à atenção para a urgência de criar condições para a «transmissão de valores para a juventude».
Pouco depois de apresentar em Luanda, na noite de terça-feira, 6, o seu último romance, «O Quase Fim do Mundo», o Prémio Camões 1997, mostra-se preocupado com a juventude do país que, como o resto da sociedade, «navega à deriva», mas, pelo que representa quando se olha para o futuro, «merece especial atenção».
O escritor neste seu último romance narra o confronto de um grupo reduzido de indivíduos com o quase fim do mundo e tudo o que resta da humanidade está numa ínfima parcela de África.
Admite que, mesmo «de forma inconsciente», a forma como estas pessoas foram ultrapassando as suas diferenças é uma boa metáfora para o «acelerado apaziguamento dos espíritos» que está a acontecer numa Angola a experimentar os primeiros seis anos de paz em 32 anos de independência.
Considera, no entanto, «haver problemas graves» e que podem ainda «acontecer sobressaltos graves» com o aproximar das eleições legislativas apontadas pelo Presidente da República, José Eduardo dos Santos, para o mês de Setembro.
Pepetela entende que é importante a «transmissão de valores» para os mais novos e, «apesar de não ser religioso», que as igrejas podem ser importantes nessa tarefa.
Apesar deste quadro social, apenas seis anos de paz e uma juventude sem referências, o também autor de «Lueji, o nascimento de um império(1990)» admite que Angola está a reorganizar-se de forma «acelerada» e dá como exemplo deste «caminhar acelerado para a normalidade» a «diminuição da tensão» entre as pessoas nos mais variados cenários.
Na entrevista, Pepetela reflectiu ainda sobre a recente polémica que envolveu o escritor Angolano José Eduardo Agualusa, quando este disse que o primeiro presidente de Angola e uma das figuras emblemáticas do país independente, Agostinho Neto, era «um poeta medíocre», gerando um redemoinho de críticas na sociedade luandense.
«O que aconteceu - com Agualusa - é um sintoma de que há ainda muito caminho para fazer», apesar de defender que «as pessoas também têm - referindo-se a Agualusa - que saber onde falam, em que ambiente falam».
«É preciso ter consciência das consequências das palavras», adverte Pepetela que, sem querer ir muito mais além neste tema, admite que «houve muitos exageros», mas defende que o que se passou pode ser «útil», porque «quando se discute sai sempre algo de útil».
Apesar do optimismo assumido pelo criador da «Parábola do Cágado Velho» (1996), a Luanda de hoje não é a Luanda que «muitos daqueles que pensam o país há muitos anos e lutaram por ele» queriam ver como realidade.
Na narrativa de Pepetela, uma seita religiosa está por detrás do incompleto apocalipse. Essa não é, porém, a parte importante do livro, mas sim a forma como o grupo que restou do quase fim da humanidade interage.
Um dos exemplos mais claros é o de um boer sul-africano, com as suas características próprias, indivíduo fechado sobre si mesmo, que acaba por se revelar na sua humanidade e é paulatinamente aceite pelo grupo apesar das muitas reticências.
Foi um exercício de «perdão», resumiu o autor.
«Os africanos têm traumas históricos porque, durante muito tempo, sofremos as influências nocivas do `apartheid´ da África do Sul, e nós, em particular, sofremos com as guerras e agressões», lembrou.
«E há - na narrativa - muitas reservas em relação a essa personagem que, aliás, aparece exactamente por causa disso», assinalou ainda, sublinhando que acaba por acontecer um «perdão» na forma como este boer «se torna útil» ao grupo de sobreviventes do quase fim do mundo.
Ele - disse - «revela-se na sua humanidade» e acaba por ser «apenas mais um no grupo».
É como se, ao longo das quase 400 páginas de «O Quase Fim do Mundo», Pepetela assumisse a tarefa de proporcionar a catarse para as fricções históricas entre a África do Sul do passado, racista, e os restantes países africanos.
«Houve uma clara intenção de dizer algo como isto: esta é a humanidade que nós temos, são estas as pessoas, vamos aceitá-las como são», concluiu o escritor.