
A política colonialista de Portugal foi decisiva para o derrube de Caetano, empossado em 1968, depois que o ditador António de Oliveira Salazar sofreu uma queda que o deixou em coma até à sua morte, em 1970. Diante dos movimentos de libertação que haviam eclodido nas colônias portuguesas da África, Caetano insistia no expediente da guerra, o que acarretava despesas colossais – 50% do gasto nacional.
No contexto da Guerra Fria, o imbróglio colonial era uma questão sensível para os Estados Unidos e para a Otan, frente militar da qual Portugal foi membro fundador. Por muito tempo, os americanos viram o imperialismo português com reticência – o governo Kennedy chegou a auxiliar os movimentos de independência africanos. Por ironia, a Otan só deu apoio pleno à posição portuguesa na África nos anos 70, quando ela já era insustentável. Nessa altura, o colonialismo português se tornara mais palatável para os americanos, porque fazia frente aos movimentos de libertação que, com o apoio da ex-União Soviética, China e outros países, combatiam com armas a metrópole em Angola, Guiné-Bissau e Moçambique.
Um ano depois do 25 de abril de 1974, Moçambique e Angola proclamariam as suas independências enquanto a Guiné-Bissau já tinha antes dado esse passo em plena guerrilha.(X)
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