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Cascatas da Namaacha: sete anos depois da seca

sábado, 23 de agosto de 2008

Celebridade, Obama pode ser o primeiro negro na Casa Branca



O candidato democrata à Casa Branca nasceu no Havaí e cresceu entre os Estados Unidos e a Indonésia. Em janeiro do ano passado, o senador Barack Hussein Obama, filho de um negro queniano e de uma americana branca, decidiu concorrer à Presidência. Durante quase um ano e meio, Obama, de 47 anos, enfrentou uma acirrada disputa pela indicação do Partido Democrata, que culminou nas eleições primárias, quando desafiou o favoritismo da rival Hillary Clinton. A 3 de junho, após uma sessão das primárias que foi até o último pleito, o senador venceu a batalha, assegurou a nomeação da legenda e tornou-se o primeiro negro a disputar a Presidência dos EUA.

A primeira aparição nacional de Obama, uma figura popular do Partido Democrata, foi num discurso que agitou a convenção nacional da legenda em 2004. O senador enfatizou a sua história pessoal num pronunciamento que reflectia os tradicionais ideais do sonho e esperança americana. "Pelo seu trabalho duro e perseverança, o meu pai conseguiu uma bolsa de estudos num lugar mágico - a América, que apareceu como um farol da liberdade e oportunidade para muitos outros que vieram antes", disse.

Meses depois, Obama teve uma vitória esmagadora e elegeu-se senador pelo Estado de Illinois. Desde então, o candidato democrata ganhou projecção na mídia americana e tornou-se um dos políticos mais conhecidos de Washington.

Trajetória

Após o nascimento de Obama, o seu pai, de mesmo nome, voltou ao Quênia. O democrata ficou com a sua mãe no Havaí e passou alguns anos na Indonésia. Mais tarde, Obama mudou-se para Nova Iorque, onde se formou pela Universidade de Columbia em 1983. Aqui graduou-se em direito e foi viver em Chicago em 1985, onde se tornou líder comunitário.


O sucesso das suas acções na comunidade levou o senador para a política. Em Chicago, ele trabalhou como professor de direito e defensor dos direitos civis. Durante a sua passagem pela Universidade de Harvard, entre 1988 e 1991, Obama tornou-se no primeiro negro a presidir o jornal interno da instituição.

Em outubro de 1992 casou-se com Michelle Obama, com quem teve duas filhas - Malia Ann, que nasceu em 1998, e Natasha, em 2001. Em 2004, já eleito senador, actuou como um forte defensor dos ideais liberais, mas também trabalhou com os seus colegas republicanos em outro projectos, sobretudo na consciencialização e prevenção da Sida.

Campanha

O lema da campanha presidencial de Obama é a mudança. Aproveitando-se da baixa popularidade do actual presidente George W. Bush, membro do Partido Republicano, o democrata propõe, entre outras questões, mudanças na política externa, no sector energético e na economia dos EUA.

Nas eleições de 2004, o eleitorado, ainda assombrado com o terrorismo, priorizava o debate sobre a segurança nacional, o que rendeu a reeleição de Bush e a continuidade da sua guerra contra o terrorismo. Neste pleito, a economia aparece no topo da lista das preocupações dos americanos, e Obama, de acordo com pesquisas recentes, sai-se melhor nesse quesito do que o rival republicano John McCain.



Apesar do seu pai e padrasto serem muçulmanos, o senador se diz cristão, e estudou em escolas católicas ou seculares. Durante as eleições primárias, Obama afastou-se da Igreja Unida Trindade de Cristo, após o pastor, Jeremiah Wright, ganhar destaque na mídia americana com os seus discursos controversos. Wrigh, que realizou o casamento do candidato democrata e baptizou as suas duas filhas, chegou a dizer que os EUA inventaram o HIV para exterminar as minorias. Em março, Obama, membro da igreja por quase duas décadas, anunciou o seu afastamento e condenou os sermões do reverendo.

Questão racial


Ao longo da corrida presidencial, a questão racial permeou a campanha de Obama.

Num discurso em março na Filadélfia, o senador falou abertamente sobre o assunto, ao rejeitar as palavras de Jeremiah Wright, que pouco antes havia feito um sermão da temática racial.

"No primeiro ano desta campanha, contrariando todas as previsões, nós vimos o quanto o povo americano está faminto por uma mensagem de unidade. Apesar da tentação de enxergar a minha candidatura exclusivamente pela óptica racial, conquistamos vitórias incontestáveis em Estados onde a população é predominantemente branca", disse Obama no discurso.

"Isso não implica dizer que a raça não tenha um papel nesta campanha. Em vários momentos, a imprensa definiu-me como negro demais ou negro de menos. Vimos essa questão ganhar forte repercussão na semana da primária da Carolina do Sul. A mídia vem procurando em todas as pesquisas de boca-de-urna os indícios da divisão racial", completou.

Popstar

Em julho, o senador democrata foi recebido como um astro pop em Berlim. Perante um público estimado em 200 mil pessoas, houve quem subisse em postes para ouvir o discurso de Obama junto à Colina da Vitória, no centro da capital alemã. A viagem foi parte de um périplo pela Europa e Médio Oriente, acompanhada com destaque pela imprensa internacional.

Nos EUA, o seu carisma resultou na "Obamamania". Os discursos do candidato no país são sempre acompanhados por empolgados eleitores. Muitos deles são jovens, que se identificam com a mensagem de mudança da campanha democrata.

Além da actuação na política, Obama é um escritor de sucesso. Os seus livros - A Audácia da Esperança (2007), A Origem dos Meus Sonhos (2008) e Dreams From My Father (2004) - tornaram-se best-sellers nos Estados Unidos.

Quando tem um tempo livre, o candidato democrata disse à revista especializada em música Rolling Stone que recorre ao seu aparelho de MP3 para ouvir Stevie Wonder, Bob Dylan, Yo-Yo Ma e Sheryl Crow. "Tenho gostos muito ecléticos", ressalta Obama, que cresceu na década de 70 escutando Stevie Wonder, Rolling Stones e Elton John. Alguns dos seus artistas favoritos expressaram publicamente apoio à sua candidatura presidencial, entre eles Bruce Springsteen e Bob Dylan.

Joe Biden vice-presidente de Barack Obama

O senador democrata Joe Biden, de 65 anos, será o candidato a vice-presidente dos Estados Unidos pela candidatura presidencial de Barack Obama.
A nomeação foi confirmada na madrugada deste sábado por uma fonte do Partido Democrático americano.



O nome de Joe Biden cresceu nas últimas semanas pelo facto do veterano democrata, no seu sexto mandato, ser presidente do Comitê das Relações Exteriores do Senado americano, o que, na opinião de líderes do partido, pode amenizar a inexperiência de Obama no assunto.A fonte oficial democrata que confirmou a informação pediu para não identificado mas sabe-se desde já que a escolha de Barack Obama será enviada por mensagem de texto e Email aos seus partidários ainda hoje.
Dois dos principais elegíveis, nomeadamente, o governador da Virgínia, Tom Kaine, e o senador de Indiana Evan Bayh, haviam saído da lista de prováveis candidatos a vice de Barack Obama.
Ainda hoje, Obama vai orientar um comício em Illinois, no mesmo local onde lançou a sua pré-candidatura, onde o anúncio de Joe Biden para todo o mundo é esperado. Nascido em Scranton, Pennsylvania, em 1942, Biden é um democrata liberal e católico descendente de irlandeses.
Representa o Estado de Delaware no Senado desde 1972 e está no seu sexto mandato, estando neste momento a presidir o comitê das Relações Exteriores do Senado e é considerado uma das maiores autoridades em política externa do partido. Na sua página na internet Joe Biden destaca dois artigos que escreveu neste mês sobre política externa, sobre o Afeganistão e a Geórgia.
No primeiro deles, o senador defende que o foco da luta dos Estados Unidos contra o terrorismo deve ser Cabul, e não Bagdád. No segundo, Biden critica a reacção desproporcional da Rússia contra a Geórgia e argumenta que a acção tem mais a ver com a influência geopolítica russa na região do que com a independência da Ossétia do Sul.Joe Biden votou a favor da guerra do Iraque, o que Obama foi contra desde o início, mas se opôs posteriormente à maneira como o governo de George W. Bush lidou com a ocupação do país.
Extrovertido, bom argumentador e mordaz orador, Joe Biden reúne os três requisitos que Barack Obama procura num companheiro na corrida eleitoral: está preparado para ser presidente, será capaz de ajudá-lo a governar e, sobretudo, tem idéias próprias.

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Juventude brasileira aposta na música antiga


De: Livia Deodato, do Estado de São Paulo
Eles têm entre 19 e 33 anos e os seus programas favoritos alternam entre bater um bom papo acompanhado de comidas saborosas e assistir filmes, principalmente europeus, no cinema e na televisão de casa, quando alugados.

O que diferencia estes jovens de outros mortais da mesma idade não é simplesmente o facto de se dedicarem à música há pelo menos dez anos, mas, sim, de terem escolhido dentro dela um gênero em que não existem - ou são raros - registos de gravações sonoras históricas, textos que contextualizem as obras, fotografias e meras descrições de como produzir som em determinado instrumento. Estamos a falar da música antiga, terreno até bem pouco tempo atrás explorado por contáveis músicos brasileiros, mas que parece ganhar força graças ao crescente interesse de jovens como os da foto (acima).
As histórias variam um pouco por causa das escolhas de instrumentos que fizeram quando ainda eram crianças - para Raí Toffoletto, de 20 anos, por exemplo, foi muito mais fácil aproximar-se do cravo, uma vez que estudou piano desde pequeno; ou para Leonardo Takiy, também de 20 anos, que desde os 7 se dedica ao violão e passou a estudar alaúde há um ano. Mas o motivo que os levou a se embrenharem num tipo de música desconhecida, até mesmo entre os seus pares, parece se resumir a um só: o amor à primeira vista pelas músicas compostas essencialmente na Idade Média, no Renascimento e no Barroco.
Música dos séculos 17 e 18
"Encantei-me muito mais pela música barroca do que pelo instrumento em si, no meu caso, o cravo, que tem um mecanismo muito difícil: possui um controle digital muito fino e não responde de acordo com o peso que você aplica sobre as teclas, como no piano", diz Toffoletto. "É como uma harpa mecânica", compara o oboísta barroco Gustavo Henrique de Francisco, de 29 anos. "Ou um bandolim de teclado", acrescenta, aos risos, o violinista barroco André Costa, de 19 anos. Frases que eles soltam a brincar e que demonstram a capacidade que já adquiriram de fazer livres associações e seguir um dos fundamentos mais importantes do legado da música antiga - o de ir além dos tratados deixados por estudiosos ao longo de todos estes anos. "O nosso desafio é reconstruir a música feita nos séculos 17 e 18 partindo de documentos históricos, plantas de instrumentos com medidas certas, interpretações sobre os contextos em que os compositores viveram. Mas nunca vamos saber se ‘soamos’ como antigamente. Temos a vivência do século 20, 21", diz a dulcista (quem toca flauta doce) Giulia Tettamanti, de 24 anos. Por isso é que dizem que o estilo que alimentam axtualmente deve ser correctamente chamado de música historicamente orientada ou informada.
Daquela época, outro ponto que também os fascina é a liberdade que possuíam os intérpretes sobre quaisquer obras e que, no século 19, perdem esse poder para os compositores. "Não queremos só ser ‘macaquinhos de repetição’ do que está ali impresso na partitura. Nos preocupamo-nos em pesquisar tudo o que estava por trás daquelas músicas", alfineta Toffoletto, muito discretamente. "É uma paixão mais intelectualizada e mais visceral", opina o flautista Camilo Di Giorgi, de 33 anos. A visceralidade a que ele se refere diz respeito, inclusive, a quatro tipos de "humores", aos quais os compositores se submetiam durante o processo de produção: sanguíneo, colérico, fleugmático e melancólico. Tudo em prol de que os discursos soassem persuasivos. No livro O Discurso dos Sons, o autor Nikolas Harnoncourt indica que se antes a música "era movimento e vida, hoje é algo simplesmente belo" e "quanto mais nos esforçamos para compreender e apreender esta música, mais percebemos quanto ela ultrapassa a beleza e quanto ela nos perturba e nos inquieta pela diversidade da sua linguagem".
Atrás exactamente disso é que estão esses jovens, cujas actuações já estão a marcar presença em festivais que igualmente proliferam por todo o País - e onde também descobrem talentosos parceiros e... futuros amores. Há histórias como a de Gustavo e Renata Pereira, casados há dois anos e meio, que se conheceram na Oficina de Música de Curitiba, em 2000; como a de Giulia e Toffoletto, que namoram há pouco mais de três semanas, desde que o Festival de Música de Londrina terminou; ou como o amor de Nathália Domingos, de 24 anos, e André Costa, que também nasceu na Oficina de Curitiba, só que na edição realizada em janeiro deste ano. Nem eles imaginavam que a música antiga fosse surtir tanto efeito.
Luthier, o ofício de Roberto Holz

Curiosidade, paixão pela música, pela forma do instrumento, pelo som produzido por ele ou simplesmente a completa impossibilidade financeira de adquirir um, o que os força a construir os seus. Os luthiers brasileiros que hoje se dedicam à refinada arte de moldar caixas e cilindros, transformando-os em instrumentos com características próximas dos que existiram nos séculos 17 e 18, não vêm de uma linhagem familiar tradicional dedicada ao ofício, nem ao menos receberam a bênção da própria família. "Sofri resistência da minha mãe, que é italiana, e meu pai, alemão, que viam com maus olhos a minha mudança de área (vivia da arquitectura) e acreditavam que aquilo tudo seria uma regressão", diz Roberto Holz, de 58 anos, que fabricou a sua primeira flauta doce em 1984 por diversão. "Era um desafio muito grande na época, porque a gente não tinha referência, não tinha onde comprar ferramenta. Mas como houve demanda, isso acabou me impulsionando. Animei-me e pensei que, se eu conseguisse vencer os obstáculos iniciais, poderia viver disso. Deu certo", afirma ele.
Luciano Faria, de 33 anos, que há pouco mais de 10 anos também vem se dedicando à luteria em Pirassununga, compartilhou dessa odisséia para fabricar o seu primeiro alaúde, que demorou seis meses para ficar pronto: "Usei um formão, um serrote, um martelo e uma plaina bem pequena e ruim", relembra hoje, aos risos. A aproximação com o alaúde aconteceu pelo facto de ter-se dedicado, durante toda a infância e adolescência, ao seu descendente, o violão. Com tanta vontade de tocar e pouco dinheiro para comprar, brotou a necessidade de criar. Apesar das suas vendas terem triplicado no Brasil do ano passado até agora, Faria afirma que 90% da sua produção ainda é destinada ao exterior. "Eu consegui ganhar estabilidade", conta ele, que trabalha com apenas dois assistentes. O luthier nascido no Rio acrescenta que, se pudesse, viveria uma semana como músico e a seguinte como mágico fazedor de instrumentos, mesmo tendo a certeza de que os sete dias como intérprete "não pagariam as minhas contas".
O jovem músico Leonardo Takiy, de 20 anos, que será bacharel em violão pela Unesp no ano que vem, esperou cerca de um ano pelo seu alaúde, encomendado a Faria. O luthier explica que a construção não demora (leva apenas cerca de 10 dias), mas o problema é a fila de espera. "Dos 50 a 60 instrumentos que fabrico por ano, cerca de 17 são para o Brasil." O perfil dos seus compradores varia bastante - vai desde estudantes de música, passa por músicos experientes e chega até a senhores idosos fascinados pela beleza dos instrumentos, ou seja, os coleccionadores. O professor Ricardo Kanji, da Universidade Livre de Música, onde desde março do ano passado funciona um Núcleo de Música Antiga (do qual muitos dos jovens músicos entrevistados são integrantes, entre eles, Takiy), sente que o interesse pela música antiga tem crescido não só entre alunos de música, mas também entre o público em geral.
Kanji, que faz parte de uma geração à frente desses meninos, é um dos responsáveis pela inserção da formação profissional em música antiga no País, ao lado de diversos outros nomes, como a musicista de viola da gamba Kristina Augustin e a alaudista Silvana Scarinci. Movimento que começou, timidamente, no fim dos anos 50 com o audacioso maestro Roberto de Regina. Até bem pouco tempo atrás, coisa de 20 anos, eles não tinham outra opção a não ser estudar e se profissionalizar no exterior. "Agora, os interessados em música antiga no Brasil vão estudar fora depois de já terem recebido uma boa formação aqui. E tudo isso graças a um movimento que partiu das pessoas e não do governo", sentencia Kristina.
Uma volta ao passado que diz muito sobre o presente, por João Luiz Sampaio
Foi durante a digressão latino-americana do conjunto Les Arts Florissants, dedicado à pesquisa da música barroca. Pouco depois da meia-noite, o lobby de um hotel em Montevidéu foi inundado por canções de Gershwin. Depois do estranhamento, a confirmação - os mesmos músicos que horas antes haviam dedicado um concerto à música de Charpentier agora improvisavam e se divertiam com standards da música americana. No dia seguinte, perguntei ao maestro do grupo, o norte-americano William Christie, como unir o rigor da música historicamente informada com a liberdade do jazz. "E por que não?", disse.
A história revela um pouco das muitas facetas da corrente da música historicamente informada. Iniciado nos anos 50 e intensificado nos anos seguintes, o movimento significou a volta ao passado num momento em que a música contemporânea afastava os intérpretes. Essa volta era incondicional - o que interessava, acima de tudo, era recuperar as técnicas de interpretação da época em que as obras eram escritas. Autenticidade foi palavra de ordem e, de uma hora para outra, tocar Bach, Mozart e Charpentier com instrumentos modernos passou a soar como heresia.
Há um rigor subentendido nesse processo de pesquisa, em que o músico precisa se despir das técnicas, estilos e convenções da sua época e viver, ao menos musicalmente, em séculos passados. No entanto, estamos a falar de aproximações. Fazer música é fazer escolhas - e o estudo da história apresenta lacunas que precisam ser preenchidas por quem hoje olha para trás. No melhor dos mundos, essa volta ao passado acaba dizendo muito sobre a nossa própria época.

ATÉ QUANDO ESTE TIPO DE IMAGENS?

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José Saramago lança o seu novo livro A Viagem do Elefante

O escritor português José Saramago acaba de terminar o seu novo livro, A Viagem do Elefante, que conta a história real de uma viagem épica de um elefante asiático que, no Século 16, viajou de Lisboa para Viena.
"Por muito incongruente que possa parecer..." são as primeiras palavras de A Viagem do Elefante, uma idéia que Saramago carrega há mais de dez anos, quando viajou à Áustria e por acaso entrou num restaurante de Salzburgo chamado The Elephant (O Elefante). O Prêmio Nobel de Literatura respondeu às perguntas da Agência Efe em sua casa em Lanzarote (Ilhas Canárias), onde terminou o seu livro e já recuperado de uma doença respiratória que ameaçou a sua vida.
Mais de uma vez pensou que não chegaria a concluir a obra, que tem aproximadamente 240 páginas e que chegará no segundo semestre aos leitores das línguas portuguesa e espanhola. "Este conto, prefiro chamá-lo assim - melhor que romance -, é o que sempre pensei que deveria ser. A doença não mudou nada", diz Saramago, que afirmou que não deseja dramatizar "a situação do autor frustrado por algo mais forte que a sua própria vontade".
"Eu escrevi os meus três últimos livros na mais deplorável situação de saúde, nada favorável para sentimentos de alegria. Prefiro dizer: se você tem que escrever, escreverá", acrescenta.
A escrita do livro foi interrompida por causa da sua doença e, ao ouvi-lo relatar as suas sensações quando estava à beira da morte muitos se lembram do violoncelista protagonista do seu romance As Intermitências da Morte, embora acreditem que a realidade não imitou a ficção que ele próprio criou.
"As Intermitências da Morte é um romance cheio de humor e ironia, não me lembro de ter assumido a ameaça que espreita o meu violoncelista. É certo que já estava doente, mas consegui construir uma barreira entre o eu que escrevia e o eu que sofria", declarou Saramago.
O escritor português não só "construiu barreiras" entre a sua literatura e a sua vida, mas é capaz de se isolar de tudo o que lhe cerca, até ao ponto de escrever no seu computador portátil enquanto várias pessoas conversam no sofá da sala.
"Lembro que parte do romance Todos os Nomes foi escrita em casa. Enquanto os pedreiros faziam o seu trabalho e contavam piadas uns para os outros, eu, no quarto ao lado, separado apenas por uma lona plástica que servia de porta, continuava a construir as peripécias do meu personagem Dom José. Nunca os mandei se calarem. Eles estavam na sua, eu estava na minha", afirmou Saramago.
Segundo a sua tradutora e mulher, Pilar del Río, A Viagem Do Elefante é um livro no qual entram e saem personagens que estão nos manuais de história juntamente com personagens anônimos, pessoas vão se cruzando e compartilham perplexidades, esforços ou a harmoniosa alegria de um tecto.
Pilar, que também é presidente da Fundação Saramago, acrescenta que "a compaixão solidária atravessa a obra, a distingue e a significa".
Também fazem parte da mesma ironia, sarcasmo e humor, que o escritor emprega "para salvar a si próprio e para que o leitor possa penetrar no labirinto de humanidades em conflito sem ter de renunciar à sua condição indagadora de humano e de leitor". Se o livro contém alguma parábola, é algo que os leitores dirão, mas o autor revela que nesta nova obra não há personagens femininas com personalidade forte como Blimunda, de Memorial do Convento, ou a Mulher do Médico, de Ensaio Sobre a Cegueira.
A Viagem do Elefante foi concluído neste fim de semana e agora Saramago descansa e aproveita para ler Diário de um Ano Ruim, do escritor sul-africano J.M. Coetzee, também premiado com o Nobel, em 2003.

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

João Gilberto compensa atraso e faz bis com 10 músicas

De: Jotabê Medeiros, Lauro Lisboa Garcia e Livia Deodato
João Gilberto foi generoso com o público de São Paulo que foi assistir ao seu concorrido show na noite desta quinta-feira, 14, no Auditório Ibirapuera.
Sem fazer reclamar do som ou do ar-condicionado, como bastas vezes tem acontecido, o cantor e violonista ícone da Bossa Nova compensou o longo atraso de mais de uma hora e meia do início da apresentação com um bis de 10 músicas.
Foram 30 canções ao todo. A última delas, Garota de Ipanema, de Tom Jobim e Vinícius de Morais. João pediu desculpas pelo atraso, justificando-se com o cansaço da viagem de regresso de Nova Iorque, onde esteve recentemente.
O pedido de desculpas foi aceito com aplausos.
Um momento inusitado do show foi a homenagem que fez a Henry Maksoud, dono do Hotel Maksoud Plaza. "Ele inventou um hotel... é o castelo da hospitalidade. É tão lindo, aquela varanda...", divagou o baiano, que volta a apresentar-se nesta sexta-feira, 15, no Auditório Ibirapuera.
Lá fora, havia uma certa confusão com gente a chorar porque os seus nomes não estavam na lista de convidados do cantor. É que João Gilberto mandou avisar por meio da imprensa que queria ter na platéia amigos de São Paulo que ele há muito tempo não via. Muitos vieram. Um deles foi Álvaro de Moya, jornalista, escritor, produtor, ilustrador e director de cinema e televisão, que trabalhou com o cantor na TV Excelsior nos anos 60. Moya lembrou de quando o recebia no programa e se divertiu muito numa ocasião em que João e Orlando Silva (a quem ele imitava no início da carreira) se encontraram no programa. "Bibi Ferreira pediu para João imitar Orlando e ele imitou."
O poeta Galvão, dos Novos Baianos, foi outro desses convidados e trouxe a sua banda. "Não falei com ele esses dias, porque quando está perto de fazer show, é muito difícil encontrar João", disse. Galvão é um dos privilegiados a frequentar a intimidade do pai da bossa nova. "Ele toca pra mim no apartamento, estou acostumado a vê-lo a trabalhar nas canções, mas mesmo assim, toda vez que vou a show dele, sempre tem uma surpresa." No hall do Auditório figuravam ilustres, como Manuel Pires da Costa, presidente da Bienal, Roberto Civita, presidente do Grupo Abril, o publicitário Nizan Guanaes, o actor Wagner Moura e o produtor Nelson Motta.
Depois de uma breve apresentação de Homem de Melo, João Gilberto entrou no palco às 22h37, trazendo seu violão, bastante aplaudido. Sentou-se na cadeira de madeira que os contra-regras haviam trazido dez minutos antes, junto com um apoio para os pés, os dois microfones e um banquinho onde acomodaram uma toalha, uma garrafa de água e um copo.

Desculpas

O cantor começou o show às 22h38 pedindo desculpas pelo longo atraso. "Vocês me desculpem o atraso. Dizem que eu atraso, mas não atraso, não. É que tive de fazer uma viagem anteontem e cheguei atrasado", justificou. "Vocês me desculpem", repetiu. Em seguida, abriu o roteiro de canções com o clássico Aos Pés da Cruz, de Marino Pinto e Zé da Zilda. Perto do fim da música, para espanto geral, entrou o sinal sonoro de desligamento de um computador, provavelmente aquele utilizado antes para exibir a programação da casa.
E quem disse que show de João não tem surpresa? Pois foi o que aconteceu na segunda música, quando interpretou um bem-humorado e desconhecido samba que fala de uma "nega macumbeira" que "tem um 13 de ouro pendurado no pescoço" e "se vê um gato preto dá doce pra Cosme e Damião".
O primeiro clássico da bossa nova veio em seguida, Wave, de Tom Jobim. Foi quando surgiram projecções de imagens caleidoscópicas no telão ao fundo, algo não muito comum nos shows de João, que em seguida cantou Caminhos Cruzados (também de Jobim, com Newton Mendonça). Ao final da canção, agradeceu: "Obrigado. São Paulo, I love you."
Antes de interpretar Doralice, de Dorival Caymmi (a mais aplaudida até então), foi que João teceu loas a Henry Maksoud, elogiando o "castelo de hospitalidade" que é o hotel. "É tão lindo, aquela varanda." E continuou: "Me desculpem vocês, um beijo, Henry." Explicou também que a pulseira no punho esquerdo não era um enfeite, mas "um bracelete astrológico". Houve comentários de que o atraso não foi por conta de viagem nenhuma, mas que ele estava a jantar com Maksoud no hotel.
De todo modo, a espera compensou. Entre outros clássicos, ele ainda cantou Rosa Morena (Dorival Caymmi) e Desafinado (Tom Jobim/Vinicius de Moraes). Após 20 músicas, João Gilberto deixou o palco, mas retornou para o bis, presenteando o público com mais 10 canções e finalizando a apresentação, à 0h05, com Garota de Ipanema.

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Fim de semana alucinante sob os efeitos do Mwaken Mwalo

"Já em Maputo e em plena 25 de Setembro, vejo o Ricardo Rangel a atrapalhar o intenso trânsito, dançando nu ao som de John Coltrane e a gritar: “O fusion de Jimmy Dludlu não é jazz, meus senhores”.

O leitor quer passar pela experiência? Nada mais fácil. A receita está aí.


Mas atenção que a “paulada” varia de pessoa para pessoa. Por exemplo: ao defunto Niquinha podia dar-se-lhe a andar de facão em punho a esquartejar todo o ser vivente que se lhe atravessasse o caminho e aí, então, teriamos toda a malta a gritar: Makwen Mwalo, o que é macua, significa “arranquem-lhe a faca”.



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sábado, 9 de agosto de 2008

ANGOLA VAI VOTOS. CONHEÇA O PAÍS

A República de Angola tem uma área de 1.246.700 km² e situa-se na costa ocidental da África austral. Conquistou a sua independência a 11 de novembro de 1975.

O país divide-se em 18 províncias e tem como capital a cidade de Luanda. Com uma extensão de 4.837 km, as suas fronteiras terrestres localizam-se a norte da província de Cabinda com Congo Brazzaville, a norte e leste com a República Democrática do Congo (ex-Zaíre), a leste com a Zâmbia e ao sul com a Namíbia.

Angola tem uma costa de 1.650 km banhada pelo Oceano Atlântico. Os seus principais portos são Luanda, Lobito e Namibe. O ponto mais alto do país é o Monte Moco (2.620 m), localizado na Província do Huambo. Com uma rede hidrográfica privilegiada ao nível do continente, Angola tem como principais rios o Kwanza, o Zaire, o Cunene e o Cubango.

A moeda corrente é o Kwanza (Kz).O número estimado de habitantes em 1995 era de 11 milhões, com previsão de chegar a 16 milhões em 2010. O censo de 1995 indica que a população era composta de 49,3% de homens e 50,7% de mulheres. Desse total, 32% da população viviam em áreas urbanas e 53% eram economicamente activos. Estimava-se, em 1995, que Luanda tinha cerca de 3 milhões de habitantes.

A língua oficial é o Português, mas Angola tem várias línguas nacionais, como o umbundo, kimbundo, kikongo, chokwe, mbunda, luvale, nhanheca, gangela e o xikuanyama.A população é predominantemente cristã, e a religião católica é a mais difundida.

Roberto Carlos: o sonho de tocar para os pobres

A Globo pretende realizar um megashow com Roberto Carlos numa grande favela do Rio. Entre as possibilidades estão a Favela da Rocinha e o Complexo do Alemão.
Veja: Roberto Carlos poderá tocar para os excluidos

A idéia, apresentada pelo director dos especiais do Rei, Roberto Talma, ainda tem de passar pela aprovação da direcção da Globo, mas é bem vista pelo cantor "cor de rosa".

Há tempos Roberto Carlos sonha em fazer uma apresentação assim, mas nunca obteve apoio e infra-estrutura para isso.

Sting no Madison Square Garden de Nova Iorque. Adeus aos palcos pelos The Police

A banda The Police despede-se dos palcos em show repleto de surpresas
Sting, Andy Summers e Stewart Copeland colocaram ponto final na carreira diante de 19 mil fãs em Nova Iorque

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

EUA prendem detentos iraquianos em caixas, diz CNN

Os militares americanos estão a isolar presos iraquianos em caixas de madeira que em alguns casos não ultrapassam a altura do prisioneiro, segundo informou nesta quinta-feira, 7, a rede CNN. O governo dos Estados Unidos divulgou três fotos das caixas, nas quais os detidos mais violentos seriam mantidos por até 12 horas.

As Forças Armadas dizem que as celas são checadas a cada 15 minutos. "Na verdade, quem está preso na caixa de isolamento é mais observado que os outros", explicou à CNN o major americano Neal Fisher. "O cuidado e custódia não mudam simplesmente porque estão presos lá."
Segundo o major, nenhum detido ficou doente ou morreu por ser mantido nas caixas.

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Golpilistas na Mauritânia, prometem "eleições assim que possível"

Os generais que lideraram um golpe de Estado na Mauritânia na quarta-feira, prometeram nesta quinta, 7, que vão convocar eleições presidenciais "livres e transparentes" no "menor tempo possível", desafiando os pedidos internacionais para que devolvam o poder ao primeiro presidente eleito do país.
O Exército mauritano prendeu o presidente, Sidi Mohamed Ould Cheikh Abdallahi, e o primeiro-ministro, Yahya Ould Ahmed Waqef, depois que o governo anunciou a destituição do Estado-Maior do Exército.
Segundo o presidente, os generais destituídos apoiavam parlamentares que o acusavam de corrupção e de relação com radicais islâmicos.
A crise política começou no início do ano, quando Abdallahi dissolveu o governo no meio de protestos contra a alta do preço dos alimentos e combustíveis.
Na última segunda-feira, houve um indício de que um golpe estaria próximo quando 48 deputados abandonaram o partido no poder, supostamente instigados pelo Exército.
Abdallahi venceu, no ano passado, as primeiras eleições livres da Mauritânia desde a independência da França, em 1960. Desde então, o país conheceu outros dez golpes.
A comunidade internacional - que havia festejado a eleição de Abdallahi - condenou o golpe. A União Européia ameaçou cortar a ajuda de US$241 milhões se os militares não libertarem o presidente eleito.
EUA, África do Sul, Nigéria e União Africana também condenaram a destituição de Abdallahi.
Os 11 homens fortes do actual "Conselho de Estado", criado durante o golpe promovido pelo chefe da guarda presidencial, Mohamed Ould Abdelaziz, confirmaram que colocaram "fim" ao regime de Abdallahi.
A junta disse que trabalhará com políticos mauritanos - muitos dos quais apoiaram o golpe - e com grupos civis para organizar uma eleição presidencial que "renove o processo democrático sobre uma base sustentável".

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Zimbabwe: Robert Mugabe será Presidente honorário e Tsvangirai primeiro-ministro - The Star



Joanesburgo - O chefe de Estado zimbabweano, Robert Mugabe, será Presidente honorário e o líder da oposição, Morgan Tsvangirai, assumirá o cargo de primeiro-ministro do Zimbabwe, indica uma minuta de um acordo hoje divulgada pelo jornal sul-africano The Star.

De acordo com o jornal, após duas semanas de negociações para a formação de um governo de unidade, a União Nacional Africana do Zimbabwe-Frente Patriótica (ZANU-PF, no poder) e o Movimento para a Mudança Democrática (MDC, oposição) já têm um esboço de acordo.
Segundo este esboço, Mugabe, que governa o Zimbabwe desde 1980, será designado "Presidente honorário" e beneficiará de imunidade no caso de qualquer processo judicial por alegados delitos cometidos durante o seu mandato.
Por sua vez, Tsvangirai governará o país, assumindo o cargo de primeiro-ministro, nomeando dois vice-primeiro-ministros (um do MDC e um outro da ZANU-PF), de acordo com The Star.
Não há ainda acordo sobre o período de funções do governo de transição, após o qual serão convocadas novas eleições gerais. O MDC quer que seja de dois anos e a ZANU-PF de cinco, segundo o jornal.
Nesta minuta estão contempladas as condições para a reunião de quinta-feira, em Harare, entre Mugabe e Tsvangirai, durante a qual um acordo poderá ser concluído. O encontro foi promovido pelo Presidente sul-africano, Thabo Mbeki, mediador das negociações.
Mugabe, Tsvangirai e Arthur Mutambara, líder de um grupo dissidente do MDC, assinaram em 21 de Julho, em Harare, um acordo para a negociação da formação de um governo de união, com a mediação de Mbeki, designado pela Comunidade Para o Desenvolvimento da África Austral (SADC) que está a ser apoiado por delegados da ONU e da União Africana.
Thabo Mbeki é esperado em Harare nos próximos dias, possivelmente quinta-feira, para finalizar o acordo de partilha de poderes entre Mugabe e Tsvangirai, segundo fontes diplomáticas, hoje citadas pelo serviço de notícias zimbabueano, ZimOnline.
De acordo com as fontes, a deslocação de Mbeki destina-se a apoiar a assinatura de um acordo concluído entre os negociadores da ZANU-PF e do MDC, actualmente em Pretória, África do Sul.
As mesmas fontes, que falaram na condição de não serem identificadas, afirmaram que os negociadores têm na mão duas propostas de acordo de partilha de poder que serão apresentadas às duas partes.
Segundo as fontes, uma das propostas coloca Tsvangirai como primeiro-ministro executivo, enquanto Mugabe permaneceria como Presidente. Neste caso, haveria pelo menos dois ou três vice-presidentes e dois vice-primeiros-ministros, saídos dos três partidos em negociações.
De acordo com as fontes, esta proposta visa "acomodar" os actuais vice-presidentes de Mugabe, Joseph Msika, Joyce Mujuru e Emmertson Mnangagwa, que passariam a ser vice-primeiros-ministros.
A outra alternativa, segundo as fontes, propõe que Mugabe permaneça na presidência, mas com Msika, Mujuru e Thokozani Khupe, "número dois" do MDC, como vice-presidentes.
Tsvangirai seria então primeiro-ministro, ficando Arthur Mutambara (líder de outra facção do MDC) e John Nkomo (presidente da ZANU-PF) como vice-primeiros-ministros.

França participou no genocídio do Ruanda, acusa o governo de Kigali

KIGALI - O governo do Ruanda acusou ontem, 5, altos funcionários do governo francês de envolvimento no genocídio de 800 mil pessoas em 1994. Entre os citados estão o ex-presidente francês François Mitterrand e o ex-primeiro-ministro, Dominique de Villepin.
O ministro francês dos Negócios Estrangeiros declarou que o seu governo ainda está a analisar as acusações documentadas pelo governo ruandês, e que, por enquanto, não irá fazer nenhuns comentários sobre o assunto.
O governo de Kigali e organizações de sobrevivente dos genocídio há vários anos têm acusado a França de ter treinado as milícias armadas e antigos militares governamentais que lideraram o genocídio.
As últimas acusações apresentadas são as mais detalhadas em relação as já divulgadas em outras ocasiões e apontam nominalmente altos funcionários franceses.
Mitterrand e Villepin aparecem numa lista de dezenas de outros nomes no final do documento, acusados de darem apoio de natureza "política, militar, diplomática e logística."
Recorde-se que militantes hutua e tutsis se combateram-se durante o massacre ocorrido entre abril e julho de 1994.
As autoridades francesas negaram várias vezes que a França tenha ajudado as forças hutu.
"Soldados franceses estão directamente envolvidos nos assassinatos", afirma o relatório do governo do Ruanda, compilado por uma equipe de investigadores independentes.
O mesmo documento refere que "Os soldados franceses cometeram vários estupros, especialmente de mulheres tutsi".
O ministro da justiça do Ruanda, Tharcisse Karugarama, afirmou que o país não tem planos imediatos para lançar acusações formais, mas o documento que estamos a citar "pode ser uma base para potenciais acusações individuais ou contra o Estado francês."
Em 1998, um painel parlamentar francês absolveu a França de ter responsabilidade no massacre, mas os deputados gauleses afirmaram que sucessivos governos franceses deram suporte diplomático e militar para o governo extremista de Ruanda entre 1990 e 1994.

Histórico do massacre

Cerca de 800 mil pessoas, a maioria da etnia tutsi, morreram em apenas cem dias durante o genocídio no Ruanda.
O país sempre conheceu divisões profundas entre a sua população, nomeadamente, entre membros da etnia hutu, que constituem 85% da população, e tutsi, que tradicionalmente são a elite do país.
Em 1994, o governo, formado por hutus, tentou desesperadamente conter o avanço dos rebeldes de etnia tutsi.
Em abril desse mesmo ano, um avião que transportava o presidente, um hutu, foi derrubado.
Em questão de horas, alguns membros do governo, incluindo o próprio primeiro-ministro, organizaram milícias para percorrer o país e, sistematicamente, assassinar tutsis.
Bloqueios foram criados nas estradas e qualquer pessoa que se identificasse como tutsi era morto com armas de fogo, mas mais frequentemente com golpes de catanas.
Vizinhos mataram os seus vizinhos e até hutus moderados que se recusaram a participar no massacre foram assassinados.
Mesmo freiras e padres foram considerados culpados de participar no genocídio.
A comunidade internacional fez pouco para impedir o massacre, mas depois as Nações Unidas criaram um tribunal internacional na cidade de Arusha, na Tanzânia, para julgar os líderes das milícias.

“Governação e Integridade em Moçambique”

“Governação e Integridade em Moçambique” é o título do mais recente relatório do Centro de Integridade Pública a ser publicado já na próxima sexta-feira, 8, em Maputo.
Os autores do documento, baseados em estudos e análises feitos nos mais variados sectores da governação no país, identificaram os problemas práticos e os desafios reais para a sua resolução, no que pode ser visto como uma singela contribuição para uma boa e transparente governação em Moçambique.

Trata-se do primeiro de uma série de relatórios que o Centro de Integridade Pública se propõe produzir de ora em diante tão somente como um contributo para o aprofundamento do debate sobre as reformas democráticas em curso no país.
No entender dos autores do documento, “a governação em Moçambique tem sido avaliada a partir de fora por organizações e governos estrangeiros preocupados em captar a qualidade das reformas em curso”.
Estudos e analises feitos por entidades moçambicanas são escassos, escreve o Centro de Integridade Pública, instituição que, tendo em conta esta realidade, se propõe agora com este relatório, apoiar o governo de Moçambique na identificação das lacunas encontradas nos nossos quadros legais e institucionais.
Os tres poderes do Estado, Direitos Humanos e Liberdades Básicas, Governação e Financiamento Eleitoral, Sector Público, Anti-corrupção e Comunicação Social, são algumas das áreas, de um total de oito, sobre as quais o Centro de Integridade Pública se debruçou para aferir sobre a qualidade da governação no nosso país.
Neste esforço, o relatório identifica diversos tipos de problemas, que vão desde vazios legais e o facto de, a existência de leis e regulamentos adequados, não bastar para garantir o bom funcionamento das instituições da governação.
Na óptica do CIP, concorrem para esta lacuna, o facto de algumas daquelas leis e políticas públicas carecerem de uma aplicação coerente e completa, derivada da falta de capacidade e meios, por um lado, e por outro, por mera ineficiência e ausência de interesse dos actores envolvidos ou das instituições de controlo e supervisão.
Recomendações
* O relatório do Centro de Integridade Pública propõe a transição do actual regime presidencialista para um regime parlamentar que assentaria na designação por sufrágio indirecto do Presidente da República e a introdução da figura de um primeiro-ministro responsável perante o parlamento.
Os autotres do relatório propõem ainda a redução dos poderes de nomeação do Presidente da República, o controlo acrescido do parlamento sobre as actividades do governo e sobre a execução das leis através de um organismo do gênero “Observatório de Execução de Leis”.
* Sobre o financiamento aos processos eleitorais, o CIP propõe a revisão da lei 7/20007 no sentido de se proibir ou limitar a contribuição a partidos políticos ou candidatos presienciais por parte de cidadãos estrangeiros e de organizações não governamentais estrangeiras.
* No capítulo da corrupção ou das acções para o seu combate, a equipe do Centro de Integridade Pública, avança com a proposta de alargamento do grau de cobertura das auditorias do Tribunal Administrativo, a responsabilização criminal dos responsáveis pelos desvios que o Tribunal Administrativo detectar na Conta Geral do Estado.
* A aprovação de uma lei sobre o direito à informação, a descriminalização da difamação e a alteração dos mecanismos de designação dos Presidentes dos Conselhos de Administração das estações públicas de rádio e de televisão, são algumas das propostas avançadas pelo Centro de Integridade no capítulo referente à sociedade civil e com,unicação social.
Interessante ainda é a proposta do estabelecimento de um código de conduta que sirva de guia do comportamento das organizações da sociedade civil e a promoção e expansão de práticas transparentes de governação interna das OSC.
* No Sector Público, o CIP propõe, por exemplo, a aprovação do que chama “Carta da Função Pública” com mecanismos complementares de monitoria do sector pelos cidadãos e a introdução da obrigatoriedade dos fornecedores e provedores regulares de serviços ao estado serem sujeiros a auditorias independentes anuais e a publicação dos respectivos relatórios.

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

A gestão Gil

Não se pode dizer que a gestão do compositor e cantor Gilberto Gil no Ministério da Cultura, durante os mais de cinco anos - e três tentativas de saída - em que lá permaneceu, tenha sido muito boa, ou muito ruim, assim como justo não seria atribuir-lhe a pecha de medíocre, algo incompatível, aliás, com a personalidade de um dos mais criativos artistas da música popular brasileira (MPB). É preciso dar à questão o enfoque correcto e condicionar a avaliação à expectativa que se poderia ter na actuação de um artista de grande popularidade na condução da política cultural do País.

Não se esperava - a começar pelo presidente Lula - que Gilberto Gil viesse a produzir uma política cultural de grande relevância, modificadora ou transformadora - no melhor sentido - da visão que a sociedade brasileira tem da Cultura e das Artes. Mas esperava-se que o governo "pegasse carona" no prestígio artístico e popular do compositor-cantor baiano, fazendo-o funcionar como uma espécie de garoto-propaganda artístico do País pelo mundo afora.

Foi para isso que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva o convidou para o Ministério, pouco depois de eleito pela primeira vez, pelo que somos levados a avaliar que a gestão Gil não se saiu mal. O ministro espalhou a descontração e a informalidade típicas dos brasileiros ao cantar, dançar e transformar cerimônias oficiais, em vários países, naqueles divertidos espectáculos improvisados que só o irreverente talento caboclo seria capaz de produzir. Neste aspecto, nem são cabíveis as críticas feitas ao ministro, quanto ao facto de ele preocupar-se mais com os seus shows internacionais do que com os compromissos burocráticos de governo, pois Gilberto Gil, no governo, apenas se dedicou a fazer mais o que sabe fazer melhor - e foi assim que deu visibilidade à sua Pasta ministerial, como, certamente, se previa quando da sua nomeação. Deixemos à liberdade poética do artista da MPB o cálculo sobre o porcentual da sua dedicação ao governo e à carreira artística - 80% a um, 20% à outra? Tanto faz, pois, Gilberto Gil estivesse no Brasil ou no exterior, fazendo seus shows, da gestão dos assuntos burocráticos - e não apenas deles - do Ministério da Cultura incumbiu-se quem nunca foi artista: o sociólogo Juca Ferreira.

Importa mais registar o que houve de mais positivo e de mais negativo. O mais negativo, diga-se desde já, foi a desastrada proposta, em agosto de 2004, de criação da Agência Nacional do Cinema e do Audiovisual (Ancinav), visando a regular as actividades no cinema e na televisão. Não houve como deixar de ver, na iniciativa, uma tentativa de interferência na liberdade de criação dos profissionais dessas áreas - o que resultou no arquivamento que o presidente Lula fez da idéia. Também se critica a gestão Gil por não ter cumprido a promessa, que fizera, de reformulação da Lei Rouanet, de estimulo à produção cultural. Mas a verdade é que, como já foi dito, não se esperava do artista qualquer renovação estrutural da política cultural do País. Os produtores de espectáculos teatrais e de outras áreas reclamaram muito da excessiva morosidade da tramitação dos projectos incentivados pela Lei Rouanet no Ministério da Cultura e suas comissões.

Menos reclamação fizeram os produtores de cinema, visto que os incentivos audiovisuais funcionaram melhor - haja vista à boa produção da indústria cinematográfica brasileira nos últimos anos. Também positivos na gestão Gil foram os justamente chamados "Pontos de Cultura", dedicados às novas mídias e facilitadores de acesso à internet - que hoje chegam a 733 instalações, espalhadas por várias regiões do País. Sob o ponto de vista estritamente político, não se pode dizer que tenha faltado habilidade a um quadro do Partido Verde que se tornou um dos quatro ministros, de todos os empossados no início do mandato do presidente Lula, que permaneceram até agora. Isso não significa, porém, que estará firme no cargo, em definitivo, o sucessor que o ministro demissionário se incumbiu de anunciar - o seu braço direito Juca Ferreira. Pode ser que o Partido dos Trabalhadores e seus aliados tenham planos diferentes para o Ministério da Cultura.

Jorge Amado

Por: Leda Tenório da Motta

Para o Brasil bem-pensante, Jorge Amado nunca foi tema. Trata-se de um objecto não pensado. Panfletário, folclórico, populista, estereotipado, melodramático, inverossímil, comercial e, no mau sentido, socialista, coloquialista, carnavalesco, assim o tem visto todo o nosso scholarship. A muitas vozes, e trazendo à baila a geração de 30 e seu expoente máximo - Graciliano Ramos -, entoa-se que ele está aquém de tudo o que de melhor saiu das vertentes modernistas, em matéria de romances. De todo lado, vem a acusação de que passou distraído pelos verdadeiros problemas de uma sociedade brasileira extremamente injusta, que representou como alegremente ecumênica e sincrética. A tudo isso, uma crítica feita por mulheres, já com um pé nas questões de gênero, acrescentará, desde os anos 70, a pecha de machista e sexista.
Trata-se de uma monotonia quebrada, às vezes, por caprichos classificatórios que mais confirmam que derrubam esse tipo de discurso e o veto, na verdade liminar, que ele traz consigo. Assim, alguns salvaguardam uma segunda fase amadiana - para lançar na roda esse qualificativo ousado -, menos propagandística e mais satírica, de que o turning point seria Gabriela Cravo e Canela. Enquanto outros, sem deixar de notar o apelo fácil e o patético de segunda ordem, admitem certa passagem de uma visão lírica pitoresca da nossa realidade para melhores perspectivas dos conflitos sociais que nos caracterizam. Uma coisa invalidando a outra, como se vê. De tal sorte que só encontraremos algo diverso nas vozes discordantes de sempre. Aqui, um crítico-poeta que evolui à margem da universidade, como José Paulo Paes, por exemplo, não por acaso, o autor de um dos posfácios providenciados para um dos três volumes das obras completas do escritor já disponíveis, suficientemente atrevido para vir opinar, de além-túmulo, que Gabriela Cravo e Canela é "um quadro de tessitura polifônica dos mais bem logrados, de que se pode orgulhar a prosa de ficção no Brasil". Acolá, um boca-do-inferno como Haroldo de Campos, que veio a público, em 2001, por ocasião da morte de Jorge Amado, declarar que o falecido era dono de uma enorme imaginação fabular, e que traços metafóricos de cunho lírico percorriam e davam graça aos seus textos. Ambos precedidos nessa sua idiossincrasia por Sérgio Buarque de Holanda, que, pedagógico como sempre, num dos artigos hoje recolhidos nas páginas de O Espírito e a Letra, nos fala de uma força poética, justamente lírica, não prejudicada pela identificação emotiva desse sentimental nostálgico com o Lumpenproletariat dos morros e das areias baianas.
Mas quem se aprofundar na história dessa fortuna crítica descobrirá um tópico ainda mais demolidor que todos os anteriores, porque mais técnico. Em quase 80 anos de recepção aversiva, todos ou quase todos são levados a referir o escritor a Graciliano. E a inferir desse comparatismo obrigatório o regionalista menor, o sub-Graciliano. É por esse parâmetro, principalmente, que se mede Jorge Amado. Em dois sentidos complementares. Em termos de estilo, contrapõe-se a crispação, a secura, a economia de meios de um às abundâncias, fluências, molezas, malemolências do outro. Em termos temáticos, o pessimismo, o fundo sombrio de um, menos pactuado com um obreirismo de programa, ao partidarismo cheio de fé no progresso social do outro.
Disparados dos mais prestigiosos departamentos da universidade brasileira, esses são veredictos que saem, por isso mesmo, de uma tradição crítica forjada no interior do marxismo e dos rigores adornianos. Estamos a falar daquele método crítico que, com maior ou menor felicidade nos resultados, entrelaça forma literária e forma social, pautando-se por buscar em tudo o estigma da história, o álibi ideológico escondido. Daquela escola que viu nas experimentações das vanguardas brasileiras tardias - concretismo, tropicalismo, desdobramentos locais do pós-moderno - um atestado do atraso nacional, uma subserviência ao modelo estrangeiro, uma "idéia fora do lugar". O que não a impediu de também ver numa escritura neutra, transparente, directa como a de Jorge Amado, na sua maneira de integrar a língua comum, no seu suposto não-estilo, a reiteração de um lugar-comum - somos mestiços, sensuais, desencanados - e, neste caso, idéias por demais no lugar. Idéias saídas da pregação da mistura feliz das raças e das diferenças, respeitosas demais do preconceito nacional para serem respeitáveis.
Diante de tudo isso, e dado o recente desencadeamento da edição das obras completas de Jorge Amado por uma das mais prestigiosas editoras brasileiras, a boa pergunta é: estaria em curso no País em que a "revisão" virou gênero, de tanto que tivemos revisões críticas ao longo da segunda metade do século passado, uma revisão de Jorge Amado? Será que, com a colecção de 35 títulos actualmente em fase de preparação começamos a "compreender", principalmente no sentido forte da palavra - conter, abranger, incluir -, a obra em questão? A tirá-la do sequestro? A dar-lhe direito de cidade?Se fosse verdade, os comentários inseridos no final dos belos volumes que nos chegam - com uma farta iconografia, reproduções de manuscritos, fotos do escritor, com o seu physique du role, porém modesto aparato crítico, orelhas anônimas, ausência de notas, posfácios em vez de apresentações - talvez não tivessem que ser assinados por um morto - José Paulo Paes - e dois estrangeiros - José Saramago e o jornalista português Miguel Sousa Tavares. Nem teriam o tom de tributo que têm - mesmo no caso do texto infinitamente superior de José Paulo Paes, que não padece da bonomia insípida que valeu a Saramago o prêmio Nobel -, mas seriam estudos ou ensaios. Ainda temos mais de 30 volumes pela frente. Será que vem aí gente saída do establishment acadêmico local para reforçar o trabalho?
Mas a pergunta talvez mais importante seja outra. Será que a arte de Jorge Amado suporta uma revisão crítica? Haveria, de facto, algo a descobrir ou redescobrir?
Ajudada por todos aqueles que enalteceram o contador de histórias, e mesmo por aquelas novas gerações, geralmente unicampineiras, menos adornianas e menos indignadas, que, hoje em dia, admitem o history teller, embora notando que ele não resolve bem as intrigas que arma, arrisco aqui alguns palpites críticos.

OBRA DO ESCRITOR SERÁ RELANÇADA ATÉ 2012, ANO DE SEU CENTENÁRIOREEDIÇÃO:

Até 2012, quando será comemorado o centenário de nascimento de Jorge Amado, a Companhia das Letras deve lançar novas edições de todos os seus livros. A promessa faz parte do plano de relançamento que garantiu à editora os direitos de edição da obra, leiloados pela família no ano passado. Os volumes ganharam novos posfácios assinados por escritores e críticos como Roberto DaMatta, Milton Hatoum, Ana Maria Machado, Mia Couto, Affonso Romano de Sant?Anna, José Paulo Paes e José Saramago, entre outros. A primeira leva, lançada em março, tinha Dona Flor e Seus Dois Maridos, Capitães da Areia, Mar Morto, A Morte e A Morte de Quincas Berro D?Água, Tocaia Grande e o infantil A Bola e o Goleiro. Acabam de ser lançados A Descoberta da América pelos Turcos, Gabriela Cravo e Canela e Terras do Sem-fim. Ainda este ano, devem ser lançados Hora da Guerra, Tenda dos Milagres, Tereza Batista Cansada de Guerra, O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá, Tenda dos Milagres, O Capitão-de-Longo-Curso, Jubiabá e O Milagre dos Pássaros.

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

FOTO DA SEMANA (minha escolha)

CRIANÇAS CHINESAS A BRINCAR NO DESERTO DE GAOTAI

Paul Anka, autor de "My Way", mantém devoção à música

Pergunta: É difícil continuar a fazer 40 apresentações por ano?
Resposta: Na verdade faço 75. Muitas delas não são divulgadas. Faço shows para empresas, trabalho em cassinos. Hoje é muito mais fácil, acredite se quiser, do que era anos atrás, quando não havia tecnologia neste ramo. A gente não tinha controle sobre o que queria fazer, como tem hoje. Quando trabalhávamos para a máfia em Las Vegas, eles nos diziam o que fazer, onde e como, e não havia discussão (ri). Era uma grande lição. Aprendíamos muito em termos de foco, integridade e profissionalismo.
P: Você poderia falar mais sobre a máfia?
R: Quando comecei no ramo musical, era tudo praticamente controlado pela máfia. Naquela época a máfia era dona de tudo, controlava tudo, e a gente tinha que trabalhar para ela. Não havia outro lugar para trabalhar, até que os Beatles abriram o mercado, então o hard rock chegou nos anos 1960, e os locais onde se tocava mudaram. Mas a gente trabalhava para aqueles sujeitos, estávamos ali com Frank Sinatra, Sammy Davis e Dean Martin, e era bastante interessante.
P: Então as coisas estão mais fáceis hoje?
R: Estão mais fáceis, mas acho que o mundo se tornou mais perigoso. Naquela época, (o presidente dos EUA John) Kennedy podia vir, havia garotas, dançarinas, prostitutas, e nada disso saía nos jornais. No mundo da grande mídia hoje, isso não é mais possível. A imprensa fica em cima dessas pessoas, Britney Spears ou qualquer outra pessoa.
P: Falando em mudanças tecnológicas no ramo musical, o que você acha dos downloads?
R: O ramo musical mudou e vai mudar mais. Acho que os CDs ficarão obsoletos, as gravadoras com as quais trabalho ficarão obsoletas. É como no ramo do cinema ou qualquer uma dessas infra-estruturas: a gente tem que trabalhar com a evolução dos tempos. Mas acho que tudo se resolverá a partir do momento em que as pessoas aceitarem qual é o novo modelo.
P: Foi difícil livrar-se do rótulo de "ídolo teen"?
R: Eu diria que os anos 1960 foram a época mais difícil, em termos de carregar aquele rótulo como um peso. Mas foi curioso porque, enquanto outros eram colocados de escanteio, eu continuei a funcionar e a ganhar a vida muito bem, talvez pelo fato de ser letrista. "My Way" marcou a virada para mim, porque deixei de ser um letrista adolescente. Passei a ser o cara que escrevia letras para seu parceiro.
P: Olhando para trás, tantas pessoas no mundo da música não sobreviveram, mas você, sim. Existe algum segredo?
R: Todos nós fazemos escolhas na vida e eu aprendi isso ainda criança, porque ninguém queria me proteger. Eu me fiz sozinho, me cerquei de pessoas boas. Eu via Sinatra e todo aquele pessoas, como eles viviam bem. Aprendi com eles, mas também aprendi com eles o que não fazer: o álcool, as drogas. É a sobrevivência de quem está mais em forma. Passei por isso com Elvis e entendi que esses caras não estavam sabendo lidar com o sucesso e que eu não queria me isolar de quem eu era, de minhas origens.
P: Você não pensa em se aposentar?
R: Não acredito na aposentadoria. Se você olha para a expectativa de vida, hoje, a chave dela é a atividade. Sou uma pessoa que cuida da saúde. Eu sei que preciso da atividade, preciso continuar a fazer o que eu amo.