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Cascatas da Namaacha: sete anos depois da seca

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Magnata Murdoch classifica Obama de "Fenómeno"

CARLSBAD, Estados Unidos - O magnata da mídia Rupert Murdoch, presidente-executivo do conglomerado Newscorp, previu na quarta-feira uma esmagadora vitória do Partido Democrata na eleição norte-americana de novembro, em grande parte devido às perspectivas econômicas sombrias para os próximos 18 meses.
Em entrevista a dois repórteres do seu Wall Street Journal, durante uma conferência anual do sector de alta tecnologia, Murdoch demonstrou muito interesse pela candidatura de Barack Obama, embora não tenha manifestado apoio.
"Você tem o fenômeno Obama. Você tem, indubitavelmente, uma recessão... O americano médio está realmente a ser prejudicado financeiramente, e tudo isso é um bom prenúncio para ele (Obama)", disse Murdoch.
"Provavelmente há a realização de um fenômeno completo neste país", afirmou ele, antevendo uma "lavada" para os democratas nas urnas.
Neste mês, os republicanos perderam em votação complementar uma vaga de deputado num distrito do Mississippi tradicionalmente controlado pelo partido. Para Murdoch, isso mostra como a agremiação governista está impotente diante da maré política.
Na opinião de Murdoch, tanto Obama quanto McCain, que será o candidato republicano, enfrentam vários problemas, mas McCain terá mais dificuldades devido à ligação de seu partido com o governo. Para Obama, que é negro, haverá a questão racial, mas "parece que ele supera isso, supera totalmente".
O empresário costuma ser associado a políticas conservadoras, mas é famoso por seu pragmatismo, o que o faz mudar apoios quando detecta alterações nos movimentos eleitorais.(X)

Biocombustíveis devem ajudar a manter preço alto de alimentos, diz estudo

O aumento da produção de biocombustíveis deverá contribuir para manter os preços altos dos alimentos, afirma um estudo publicado em conjunto pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO).
"Apesar do volume recorde atingido pelas plantações de trigo e cereais secundários durante a colheita 2007-2008, e um aumento moderado, mas constante, da produção nos próximos anos, os mercados de cereais vão permanecer tensos até 2017", diz o relatório Perspectivas Agrícolas 2008-2017.
Segundo o estudo da OCDE e da FAO, a forte demanda por milho nos Estados Unidos suscitada pelo desenvolvimento rápido do etanol no país transformou profundamente o mercado de cereais secundários (todos, excepto o trigo e o arroz).
De acordo com as duas organizações, 40% da produção de milho nos Estados Unidos poderá, em 2017, ser destinada à fabricação de biocombustíveis.
"O crescimento da indústria do etanol produzido com cereais, sobretudo nos Estados Unidos e na Europa, como também a necessidade crescente da utilização desses produtos na alimentação animal, vão pesar ainda mais sobre os stoques, que já desceram a níveis críticos", diz o estudo.
Maior produtor
A utilização de cereais na fabricação de biocombustíveis deve duplicar nos próximos dez anos, segundo o relatório. Pela primeira vez, a OCDE divulgou projecções sobre a produção de biocombustíveis.
"A produção mundial de etanol registará progressos rápidos e atingirá cerca de 125 bilhões de litros em 2017, o dobro do volume em 2007."
O Brasil, diz o estudo, continuará sendo o maior produtor e exportador mundial de etanol e de cana-de-açúcar.
A participação da cana-de-açúcar destinada à fabricação do biocombustível brasileiro passará de 51% em média, durante o período 2005-2007, para 66% nos próximos dez anos.
"No entanto, essa evolução não vai limitar a quantidade de cana disponível para a produção e as exportações de açúcar, já que a produção brasileira de cana-de-açúcar deverá aumentar em 75% até 2017", afirma o relatório.
Apesar do aumento da produção brasileira, os preços do açúcar, em razão da demanda interna e internacional, deverão se fortalecer.
Segundo as previsões, os preços do açúcar bruto e refinado devem aumentar em 30%. A carne bovina e de porco deve registrar alta de 20% até 2017. O trigo, o milho e o leite desnatado em pó devem aumentar de 40% a 60% no período.(X)

Homem-Bomba mata 16 polícias e recrutas no Iraque

MOSUL, Iraque - Um homem-bomba matou 14 recrutas da polícia e dois policiais no norte do Iraque na quinta-feira, disseram fontes ligadas à polícia e ao Exército.
Usando um uniforme militar, o homem-bomba explodiu nas proximidades de um centro de recrutamento da polícia perto de Mosul, no qual havia uma fila de cerca de 200 candidatos, disse a polícia.
Os ataques dos insurgentes sunitas a recrutas têm sido frequentes e já mataram centenas deles.
O ataque aconteceu ao mesmo tempo em que uma conferência sobre a reconstrução do Iraque está a decorrer em Estocolmo, Suíça.
As autoridades de segurança do Iraque disseram que uma ofensiva contra a Al Qaeda eliminou a maior parte da rede de rebeldes em Mosul, considerada pelo Exército norte-americano a mais forte das áreas do grupo.
A Al Qaeda, que nega as previsões de que esteja a chegar ao fim, procurou abrigo nas províncias do norte do Iraque depois de ser expulsa de Bagdá e da província de Anbar, no oeste do país, no ano passado.
A violência no Iraque está no nível mais baixo em quatro anos, de acordo com as estatísticas divulgadas pelo Exército dos Estados Unidos, mas as autoridades dizem que o progresso ainda é frágil e reversível.(X)

Presidente sul-africano criticado por ataques xenófobos

Cidade do Cabo, África do Sul - O Presidente da África do Sul, Thabo Mbeki, foi vivamente criticado pela maneira como geriu as violências xenófobas que assolaram o país nas duas últimas semanas.
Mbeki está em viagem oficial ao Japão para participar na Quarta Conferência Internacional de Tóquio sobre o Desenvolvimento de África (TICAD IV), enquanto prossegue a "operação de limpeza", na sequência da vaga de violências na África do Sul que fez 56 mortos e milhares de deslocados.
"Preferimos estar com o povo", declarou um dirigente do Congresso Nacional Africano (ANC, partido no poder), Matthews Phosa, que criticou o Presidente sul-africano.
Por seu lado, o líder do Movimento Democrático Unido (UDM), Bantu Holomisa, declarou que Mbeki não enfrentava os problemas do país de frente, enquanto a presidente da Aliança Democrática (DA), Helen Zille, reiterou o seu apelo para uma eleição antecipada para destituir o Presidente.
"O ponto crucial do problema é que o regime do Presidente Mbeki está em decadência. Um Presidente digno da sua função abdicaria de qualquer encontro até que a crise seja resolvida", frisou.
Zille criticou violentamente o plano do Governo de permitir aos cidadãos dos países da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) entrar na África do Sul, dizendo que isto leva directamente à catástrofe.
"Há poucos, senão nenhum país no mundo com os quais temos este tipo de política de porta aberta, pela simples razão que esta política traria um fardo insustentável aos recursos mesmo dos países mais ricos", acrescentou.(X)


Ataques do Zimbqbwe contra Mwanawasa irritam Zâmbia

Lusaka, Zâmbia - A Zâmbia exprimiu-se decepcionada face aos ataques de que é vítima o seu Presidente, Levy Mwanawasa, por parte das autoridades zimbabweanas e advertiu que estas declarações injustificadas afectariam as relações cordiais entre os dois países.
O porta-voz do Governo zambiano, Mike Mulongoti, que é igualmente o ministro da Informação, declarou num comunicado que a Zâmbia estava consternada pelos ataques injustificados atribuídos ao ministro zimbabweano da Justiça, Patrick Chinamasa, pela imprensa.
De acordo com a imprensa zimbabweana, Chinamasa declarou-se decepcionado com Mwanawsa, que é igualmente presidente em exercício da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), pela sua incapacidade de instar a Grã-Bretanha a levantar as sanções contra o Zimbabwe.
Mulongoti disse que estes ataques tinham provavelmente como objectivo desacreditar a integridade da missão impecável do Presidente Mwanawasa junto da comunidade internacional, acrescentando que estes ataques verbais poderiam afectar negativamente as relações cordiais existentes entre a Zâmbia e o Zimbabwe.
Mulongoti declarou que a Cimeira Extraordinária da SADC em Dar-es- Salaam, capital da Tanzânia, a 29 de Março de 2007 delegou o Presidente sul-africano, Thabo Mbeki, para desempenhar o papel de medianeiro na crise política no Zimbabwe.
Afirmou que, em "nenhuma circunstância", a cimeira encarregou o Presidente da SADC da época e os sucessivos a empreender esforços diplomáticos, como o sugeriam as autoridades zimbabweanas.(X)

Obama espera pela indicação democrata na próxima semana

O senador Barack Obama disse esperar tornar-se o candidato democrata à Presidência dos Estados Unidos na próxima semana. Ele acrescentou, em entrevista dada na quarta-feira (28), que analisa a possibilidade de fazer uma viagem ao exterior que incluiria o Iraque.
Após a dura disputa pela indicação partidária com a também senadora Hillary Clinton, Obama disse que a disputa na eleição geral começará na semana que vem, quando as duas últimas primárias forem realizadas nos Estados de Montana e Dakota do Sul.
Falando a jornalistas, Obama foi questionado se a disputa pela Presidência em novembro contra o republicano John McCain começa após as duas votações de terça-feira.
"Sim", respondeu. Indagado se seria o vencedor da disputa pela indicação democrata após as duas últimas primárias disse: "Acredito que sim".
O senador de 46 anos eleito por Illinois previu que estará em "posição bastante sólida" para obter a indicação democrata após um encontro com as autoridades da sua candidatura no sábado e das duas primárias de terça-feira.
Obama lidera em delegados conquistados nas primárias dos Estados e cada vez mais superdelegados anunciam os seus planos de apoiá-lo e ajudá-lo a ultrapassar o número de delegados necessários para garantir a indicação.
"Estamos somente alguns dias distante", disse Obama, que pode se tornar o primeiro presidente negro da história dos EUA.(X)

Centro sul-africano ganha Prémio da UNESCO de Educação para Paz

Paris, França - A Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) atribuiu o Prémio de Educação para Paz deste ano ao Instituto para a Justiça e Reconciliação da África do Sul, indica um comunicado da agência transmitida quarta-feira à PANA.
Um júri internacional presidido por Mohammed Arkoun, professor de História do Pensamento Islâmico, reunido a 19 de Maio, escolheu o instituto sul-africano "pelos seus esforços notáveis a favor duma reconciliação duradoura através da educação e contra a injustiça sistémica em África", precisou o comunicado.
O Instituto para a Justiça e Reconciliação foi criado em 2000 para incentivar a reconciliação na África do Sul depois do fim do apartheid e promover a paz a partir duma análise socio-política municiosa.
Desde então, o instituto, cuja sede está situada na Cidade do Cabo, ajudou outros países africanos, incluindo o Ruanda, o Sudão e o Burundi, a empreender uma abordagem análoga.
O instituto colabora com os Governos, as associações e os intelectuais de países em transição para reforçar a justiça, o desenvolvimento e a segurança humana, graças a um trabalho de pesquisa e de análise e ao reforço das capacidades.
Um outro dos seus grandes projectos motivou a publicação do primeiro manual de história da África do Sul, destinado ao ensino secundário desde o fim do apartheid. Esta obra recorre à tradição oral para criar um "diálogo entre pontos de vista" e apresenta histórias pessoais recolhidas localmente por trabalhadores sociais qualificados.(X)

Rei de Marrocos apela para apoio a África

Rabat - O rei Mohamed VI de Marrocos defendeu, no seu discurso enviado à Quarta Conferência Internacional de Tóquio sobre o Desenvolvimentro de África (TICAD IV), a urgência da concessão dos meios e dos mecanismos necessários para ajudar os povos africanos a enfrentar os flagelos que afectam o seu continente em matéria de alimentação, luta contra pobreza e pandemias devastadoras.
"É assim que nós daremos um conteúdo concreto ao dever de solidariedade que nos dita a nossa consciência colectiva, em virtude dos ideais humanos e dos altos valores religiosos que nos animam", indicou o soberano marroquino.
A TICAD IV está a realizar-se desde 28 de Maio corrente em Yokohama, nos arredores de Tóquio, sob o lema "Perspectiva duma África que Ganha: Um Continente de Esperança e de Oportunidades".
Cerca de 44 chefes de Estado e de Governo africanos, altas personalidades das Nações Unidas, do Banco Mundial (BM) e das organizações internacionais e regionais participam nesta conferência que encerra a 30 de Maio.(X)

Condoleezza Rice diz que guerra do Iraque era "coisa certa"

ESTOCOLMO - A secretária de Estado norte-americana, Condoleezza Rice, defendeu na terça-feira a investida dos Estados Unidos no Iraque, depois das severas críticas à guerra feitas em um livro por um ex-porta-voz da Casa Branca.
"Fizemos algumas coisas bem, outras não tão bem", disse Rice, que era conselheira de segurança nacional quando a guerra do Iraque começou, em 2003.

"A única coisa que tenho certeza de que não foi um erro foi a libertação do povo iraquiano de Saddam Hussein."
Em conferência de imprensa antes de uma conferência internacional sobre o Iraque, Rice disse que não leu o livro de Scott McClellan, ex-secretário de imprensa da Casa Branca, mas acrescentou que a destituição de Saddam foi "a coisa certa a se fazer".
No livro, McClellan acusa o presidente George W. Bush de fazer propaganda para vender a guerra do Iraque - separando-se dramaticamente do restrito círculo da confiança de Bush.
Quando questionada sobre o assunto, Rice disse a um repórter que não podia falar sobre um livro que não leu, mas logo defendeu a guerra. Ela afirmou que as pessoas só entendem todas as implicações das coisas muito tempo depois que elas acontecem.
Rice, ex-professora da Universidade Stanford, disse que ficará feliz em regressar à vida acadêmica e analisar historicamente as acções do governo Bush, brincando que provavelmente vai orientar dissertações sobre o assunto.(X)

FAO critica política agrícolas em África

Yokohama - Um responsável do Departamento da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) para África, Mobibo Traoré, considerou, quinta-feira em Yokohama, no centro do Japão, que a crise alimentar prevalecente em África é consequência das más políticas agrícolas aplicadas no continente há várias décadas.
"Os países africanos não investiram suficientemente na agricultura e o que se passa agora é apenas a manifestação duma crise estrutural", declarou.
Intervindo durante uma sessão plenária sobre a agricultura, organizada no segundo dia da Quarta Conferência de Tóquio sobre o Desenvolvimento de África (TICAD IV), Traoré deplorou a atitude dos países africanos face às advertências lançadas pela FAO.
"Em 1996, a FAO organizou uma cimeira sobre a agricultura e os riscos de crises alimentares. Infelizmente, isto não mudou grande coisa", afirmou o responsável onusino.
"Africanos que tinham auto-suficiência alimentar de cerca de 85 por cento são agora obrigados a importar até mais de 50 por cento das suas necessidades alimentares. Actualmente, os pequenos produtores já não têm sementes", acrescentou.
Sublinhou a importância da aplicação de políticas agrícolas sub- regionais em África com vista a encontrar soluções duradouras para a crise alimentar.
"Nenhum país africano pode ultrapassar sozinho uma crise alimentar desta amplitude. Devem haver respostas regionais e o desenvolvimento da agricultura africana deve ser projectado a nível sub-regional", considerou o responsável da FAO.
Esta ideia é partilhada por vários intervenientes, incluindo o presidente da Comissão da União Africana (UA), o Gabonês Jean Ping, moderador da sessão.
"Esta crise lembra-nos brutalmente que não investimos suficientemente na agricultura", afirmou.(X)

Presidente são-tomense recusa negociatas para resolver crise

São Tomé, São Tomé e Príncipe - O Presidente de São Tomé e Príncipe, Fradique de Menezes, recusou quinta-feira participar em "negociatas" para ultrapassar a actual crise política provocada pela queda, na semana passada, do Governo do primeiro-ministro Patrice Trovoada.
"Eu tomei nota dos últimos acontecimentos, de resto segui a fundo a crise política, e por isso, nos termos da Constituição vou começar sexta-feira as auscultar os partidos políticos e a sociedade civil. Mas que desta vez que fique bem claro para todos: não contem comigo para negociatas", disse.
De Menezes, que falava à imprensa no aeroporto internacional de São Tomé no seu regresso depois de ter sido forçado a interromper um périplo pelo estrangeiro, expressou frustração pelo facto de os actores políticos das ilhas terem por hábito fazer arranjos, através de acordos para manter a governação, mas logo de seguida violá-los.
"Eu não participarei em negociatas porque os São-tomenses têm por hábito não assumir os seus compromissos" declarou o chefe de Estado, que pediu respeito da classe política, da sociedade civil e da comunicação social, uma vez que, segundo ele, "culpam-me por tudo e por nada, sou mesmo o alvo preferencial dos mídias", sustentou.
As palavras do chefe de Estado, antes mesmo das auscultações à sociedade civil e aos actores políticos, deixaram os principais líderes políticos inquietos, pois receiam que este decida convocar eleições legislativas antecipadas, contrariamente ao que os partidos na sua maioria desejam.
O Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe/Partido Social Democrata (MLSTP/PSD, oposição) e o Partido da Convergência Democrática (PCD, no poder), que juntos aprovaram a moção de censura que provocou a queda do Executivo de Patrice Trovoada, sugeriram recentemente a criação de um Governo de unidade nacional ou de competências, através de novos acordos entre os partidos com assentos no Parlamento.
Observadores dizem que a determinação do Presidente em recusar negociatas poderá deitar por terra estas propostas e deverá conduzir à convocação de eleições legislativas antecipadas.(X)

Jean-Pierre Bemba permanece na prisão

Bruxelas, Bélgica - O senador e ex-Vice-Presidente congolês Jean-Pierre Bemba, detido sábado passado na Bélgica a pedido do Tribunal Penal Internacional (TPI) por crimes de guerra e contra a humanidade, vai permanecer na cadeia, informou uma fonte judicial em Bruxelas.
Bemba compareceu quarta-feira diante dos juízes da Câmara do Conselho de Bruxelas, antes da sua transferência para Haia (Holanda), onde está sediado o TPI, para julgamento.
Durante a audiência, Bemba pediu a sua libertação e prometeu cooperar com a Justiça para esclarecer as acusações de crimes de guerra e contra a humanidade cometidos em 2003 na República Centro Africana (RCA) quando as suas tropas apoiaram o regime do ex-Presidente centro africano, Ange-Félix Patassé.
Segundo um porta-voz do tribunal, Jean-Pierre Bemba será mantido na cadeia porque os Serviços Secretos belgas possuem informações segundo as quais o líder do Movimento para a Libertação do Congo (MLC), ao vir a Bruxelas depois de ter deixado Faro (Portugal), tinha a intenção de regressar ao seu país.
Tendo sido informado sobre este projecto, o TPI precipitou a sua detenção, receando que na RD Congo o ex-líder rebelde se desloque a uma zona que não esteja sob controlo do Governo congolês, o que tornaria a sua detenção impossível.
Nesta situação está há vários anos para o oficial desertor tutsi congolês Laurent Nkundabatware, líder rebelde do Congresso Nacional para a Defesa do Povo (CNDP), que controla uma zona importante do Kivu Norte, desafiando as tropas governamentais congolesas que não conseguem detê-lo para o entregar ao TPI, que lançou um mandado de captura internacional contra ele.
Entretanto, militantes do MLC em Bruxelas alegam a inocência do seu líder, que, defendem, nunca estava na RCA, país que o acusa de ter cometido crimes contra a humanidade e de guerra.
Jean-Pierre Bemba havia colocado as suas tropas à disposição de Ange- Félix Patassé, confrontado com uma poderosa rebelião dirigida pelo general François Bozizé, que se proclamou Presidente após a vitória das suas tropas.
Durante esta guerra, os combatentes do MLC, por ordens de Ange-Félix Patassé, dedicaram-se a massacres de populações civis, praticaram crimes sexuais e actos de canibalismo, dos quais é acusado Jean- Pierre Bemba.
Os militantes do MLC receiam que a Bélgica entregue Jean-Pierre Bemba ao TPI, para agradar o Presidente congolês, Joseph Kabila, muito irritado devido às críticas do ministro belga dos Negócios Estrangeiros, Karel de Gucht, contra o seu regime.
Nos meios políticos belgas, receia-se que, em fúria, os partidários de Jean-Pierre ataquem os cerca de quatro mil e 500 cidadãos belgas residentes na RD Congo.(X)

Rei do Nepal prepara-se para deixar palácio, afirma revista

KATMANDU - O rei deposto do Nepal, Gyanendra, está empacotando seus pertences para deixar seu palácio de Katmandu na sexta-feira, após ter recebido um prazo de duas semanas para abandonar o local, afirmou à AFP o editor de uma importante revista.
"De acordo com nossas fontes, o rei está empacotando seus bens pessoais para deixar o palácio", disse Kishore Shrestha, editor da revista Jana Aastha.
Esta revista é considerada uma das fontes mais confiáveis no Nepal no que diz respeito ao noticiário do habitualmente fechado palácio real.
O rei não comentou a votação histórica de quarta-feira da Assembléia Constituinte, que aprovou a abolição dos 240 anos de sua dinastia.
"Dizem que na sexta-feira se mudará para Nagarjun, um imóvel que possui nas proximidades de Katmandu, ou para outra residência privada da capital", disse Shrestha.
O palácio real no coração de Katmandu será transformado em museu.(X)

Irão: Rival de Ahmadinejad é eleito presidente do Parlamento

Teerão - Numa mudança política considerável no Irão, Ali Larijani, rival político do presidente Mahmoud Ahmadinejad, foi eleito presidente do Parlamento por uma maioria arrasadora nesta quarta-feira, 28. Larijani, ex-chefe das negociações nucleares do país, é visto pelo Ocidente como uma influência moderadora no governo de Teerão.
A função de presidente do parlamento é uma posição poderosa na política iraniana, e segundo analistas Larijani pode usar o seu cargo para desafiar Ahmadinejad. Ele foi eleito por 231 votos contra 31.
Ahmadinejad e Larijani enfrentaram-se nas eleições presidenciais de 2005. O grande número de votos obtidos pelo novo presidente do parlamento nesta quarta aparece como uma impressionante repreensão ao chefe de Estado iraniano, que enfrenta uma crescente rejeição no país devido a sua política econômica.
O pleito desta quarta foi também uma forte sinal da diminuição do apoio do presidente entre as lideranças iranianas. Especialistas apontam que tal resultado não seria possível sem o apoio de Ayatollah Ali Khamenei, supremo líder do Irão.
Larijani, político conservador, renunciou ao cargo de negociador chefe do programa nuclear iraniano em outubro. Ele estava entre um pequeno grupo de oficiais que tentavam pressionar Ahmadinejad contra o seu discurso radical, que provoca o isolacionismo do Irão.
Na época da renúncia havia especulações de que os dois políticos tinham diferenças tácticas e visões de diálogo com a Europa.
Ainda nesta quarta, Ahmadinejad criticou um informe da Agência Internacional de Energia Atômica que expressa preocupação sobre o programa nuclear do país. Ele classificou o relatório como "deplorável" e disse que no futuro talvez o Irão limite a sua cooperação com a agência nuclear da ONU.
Diante dos resultados, analistas políticos especulam se Larijani poderá usá-los como teste de popularidade. Se ele achar que obteve sucesso suficiente, poderá renunciar ao cargo e concorrer novamente para presidente. Para os observadores, hoje Larijani está numa posição mais confortável do que há três anos, devido a sua forte reputação no Irão.(X)

Aprovado tratado internacional contra bombas de fragmentação

DUBLIN - O tratado internacional que proíbe o uso, a fabricação e o armazenamento das bombas de fragmentação foi aprovado nesta quarta-feira, 28, em conferência realizada em Dublin, segundo anunciou o governo irlandês. Fontes diplomáticas espanholas confirmaram à Agência Efe que os 109 países que participam nas conversações desde 19 de maio chegaram a um "amplíssimo consenso" sobre o último texto da Presidência Irlandesa.
O documento contempla a maioria das exigências colocadas pela organização humanitária Coligação contra as Bombas de Fragmentação (CMC). O tratado, no entanto, foi negociado sem a participação dos principais produtores e usuários deste tipo de armas (Estados Unidos, Israel, Rússia, China, Índia e Paquistão), que se opõem à proibição.
O governo irlandês vai apresentar em Dublin na sexta-feira o texto final, que será ratificado pelos países signatários em cerimônia que será realizada em Oslo no dia 2 de dezembro.
A CMC considera que o encontro de Dublin foi o mais importante realizado no mundo sobre questões de desarmamento desde que, em 1997, o uso da minas antipessoais foi proibido em Ottawa (Canadá).
Em suma, os países participantes concordaram em "proibir, sob qualquer circunstância, o uso, desenvolvimento, fabricação, aquisição e armazenamento" das bombas de fragmentação, cujas vítimas são maioritariamente civis.
Apesar disso, após intensas discussões para redefinir quais tipos de bombas de fragmentação "causam danos inaceitáveis a civis", a minuta introduz uma excepção para as bombas de fabricação alemã Smart 155, o que desagradou a alguns participantes.
Esta munição deixará de ser classificada como "bomba de fragmentação", já que "elimina os riscos e efeitos produzidos por sub munições que não foram exploradas em áreas indiscriminadas", principalmente em zonas civis.
Também estão equipadas "com mecanismos de auto segurança", ou seja, contêm "uma combinação de mecanismos de autodestruição e auto desactivação" que elimina o "efeito mina" que estas armas adquirem quando não explodem.
Outro dos assuntos que dividiram os participantes da conferência de Dublin é o da "relação dos países signatários do tratado com os não signatários", como os Estados Unidos, Rússia, China, Índia ou Paquistão.
A pressão exercida sobre Washington desde então pelos seus aliados modificou radicalmente a sua política sobre o uso desse tipo de armas, até o ponto que já não as utiliza.
As bombas de fragmentação consistem numa bomba "contentor" que é lançada a partir da terra, mar ou ar, e que, ao abrir-se durante a trajectória, deixam cair cargas explosivas.(X)

Rússia: Procurador admite "milhares de erros judiciais"

O procurador-geral da Rússia, Yury Chaika, admitiu nesta terça-feira que, a cada ano, milhares de pessoas são acusadas injustamente no país por crimes que não cometeram. As declarações foram feitas uma semana após a reunião com o presidente russo, Dmitry Medvedev (foto).
No encontro, Medvedev disse que um sistema independente de Justiça deveria ser criado no país.
O novo líder – que é advogado – afirmou que as decisões do sistema judiciário só acontecem depois de pressão e envolvimento de dinheiro. O assunto polêmico já foi tema na Rússia: críticos costumam dizer que as leis são politicamente manipuladas. Porém, esta é a primeira vez que um alto funcionário do governo se pronuncia sobre o assunto.(X)

Empresário diz que deu dinheiro ao primeiro-ministro

O testemunho desta terça-feira do empresário Morris Talansky pode ter sido crucial para a investigação de corrupção que envolve o primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert (foto).
Talanski disse que, em 15 anos, deu 150.000 dólares à Olmert: o dinheiro teria sido entregue em envelopes durante reuniões realizadas em Nova York e Jerusalém. "Dei dinheiro à Olmert para as campanhas em 1991 e 1992. Ele me disse que preferia receber em dinheiro", disse o empresário, segundo a agência AP.
Talansky disse desconhecer o destino do dinheiro, mas revelou que o premeiro-ministro gostava de consumir objectos luxuosos. As declarações foram consideradas decisivas para a justiça – que suspeita que Olmert teria recebido até 500.000 dólares do empresário em troca de favores políticos. O primeiro-ministro israelita disse que deixará o cargo, caso seja indiciado.(X)

ONU critica decisão dos militares birmaneses

A alta comissária da ONU para os direitos humanos, Louise Arbour, chamou a atenção nesta quarta-feira para a situação da líder oposicionista birmanesa e Prêmio Nobel da Paz Aung San Suu Kyi, mantida em prisão domiciliar há 12 anos.
"Estas contínuas restrições da liberdade de expressão e movimento contra Suu Kyi transgridem os direitos humanos básicos", afirmou Arbour. "Elas ocorrem quando o povo de Mianmar está a sofrer muito e o sofrimento deles não deve ser agravado com estas medidas restritivas", disse ela, referindo-se à destruição provocada pelo ciclone Nargis.
As declarações de Arbour seguem-se ao anúncio feito pela junta militar de que a prisão de Suu Kyi seria estendida por mais um ano. Em comunicado, a representante da ONU pediu ao regime birmanês que "liberte incondicionalmente" a activista. "A sua libertação será fundamental para facilitar a reconciliação nacional e a transição democrática, com a qual o governo de Mianmar se comprometeu", defendeu.(X)

Petróleo supera previsão de renda no Iraque

As autoridades iraquianas anunciaram nesta quarta-feira um faturamento de 21,25 bilhões de dólares com o petróleo nos quatro primeiros meses do ano.
O montante ultrapassa em mais de 10 bilhões de dólares o previsto para o período e eleva as projecções de renda no sector para 70 bilhões até o final de 2008.
O ministro do Petróleo iraquiano, Hussein al Shahristani, negou, porém, que o aumento da produção possa baixar os preços do combustível. "Há mais petróleo no mercado do que é realmente necessário. Os produtores não têm nenhum impacto sobre o mercado", afirmou ao semanário egípcio Al Ahram Hebdo. Ele disse ainda que os altos preços da commodity não se devem à escassez do item, e sim à especulação. O Iraque produz atualmente 2,5 milhões de barris por dia, produção que poderá aumentar para 400.000 até o fim de 2009.(X)

Tropas de paz e ONGs abusam de crianças

Membros das tropas de paz e funcionários de ONGs de ajuda humanitária estão a abusar sexualmente de crianças em áreas de conflitos ou atingidas por desastres, sugere relatório divulgado nesta terça-feira pela ONG Save the Children.
O documento é baseado em 341 entrevistas realizadas a 2007 com crianças que habitam a Costa do Marfim e o Sudão, África, e o Haiti, no Caribe. Estupro, prostituição infantil, escravidão sexual e troca de sexo por comida foram os casos mais relatados, que afectam meninas e meninos a partir dos seis anos.
Para a autora do relatório, Carina Charky, os autores dos crimes não são punidos porque não são denunciados. Segundo ela, as crianças têm medo de represálias. O documento também culpa a falta de atitude da comunidade internacional, que segundo a ONG, havia prometido uma política de tolerância zero com tais atitudes. Em resposta às acusações, o porta-voz da ONU, Nick Birnback, disse que é difícil impedir que as violações aconteçam no interior de uma organização com mais de 200.000 colaboradores, como a ONU, e que o órgão não tem autoridade para punir os demais criminosos.(X)

Crime: prisão perpétua para serial killer francês

A justiça francesa condenou nesta quarta-feira Michel Fourniret, serial killer de 66 anos, à prisão perpétua pelo assassinato de sete garotas entre 1997 e 2001.
A sua companheira, Monique Olivier, vai cumprir a mesma pena. Ela foi cúmplice em várias das mortes, ajudando Fourniret a sequestrar e a manter em cativeiro algumas das vítimas, a maioria das quais violentada antes de ser morta.
Fourniret costumava abordar as garotas – todas com idade entre 12 e 22 anos – em ruas e estradas da região de Ardennes, que ocupa parte da França, da Bélgica e de Luxemburgo.
Ele solicitava informações sobre rotas e acabava convencendo as vítimas a entrar no seu carro. É também acusado de assassinar outras duas mulheres, uma professora inglesa que leccionava na região e Marie-Angele Domece, de 19 anos. Ele nega os crimes.
Fourniret está preso desde 2003 quando foi surpreendido na Bélgica tentando sequestrar uma garota de 13 anos.(X)

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Campanha de Obama beneficia-se da "culpa branca", diz pesquisador

Nesta entrevista ao G1, Shelby Steele diz que Obama é favorecido por ser negro.
Por: Daniel Buarque Do G1, em São Paulo entre em contato
Descrito como orador carismático, ou estrela pop da política, o pré-candidato democrata à Casa Branca Barack Obama nada mais é de que um fenômeno social ligado à raça e à culpa, segundo o pesquisador norte-americano Shelby Steele. Para ele, Obama tem deixado de lado o discurso político na sua sua campanha, e focado apenas no que chama de “culpa branca”, uma grande vontade, por parte do eleitorado, de superar a história de racismo do país.
Os Estados Unidos estão desesperados por um presidente negro, e Obama se beneficia disto”, disse Steele, em entrevista ao G1, por telefone. O problema, segundo ele, é que os eleitores acabam apoiando um candidato que mal conhecem, e que ajudam a vencer só por causa da cor da sua pele. “Ninguém sabe de verdade quem ele realmente é. Sabemos que é um negro simpático, mas nada além disso. Não temos idéia do que ele realmente vai fazer se chegar à Casa Branca.” Steele é pesquisador de relações raciais da universidade Stanford e do Intituto Hoover, e ataca as políticas de acção afirmativa, que diz serem apenas uma forma de os brancos buscarem “redenção”. Sobre o tema, ele escreveu o livro “White Guilt” (Culpa branca). O pesquisador também se dedicou a uma obra sobre o fenômeno Obama: “A Bound Man - Why We Are Excited about Barack Obama and Why He Can't Win” (algo como “Um homem de limite: por que estamos animados com Barack Obama e por que ele não pode ganhar”), em que critica o avanço político do pré-candidato.
Steele diz que não vai votar em Obama, caso ele seja escolhido o candidato democrata.
G1 – O sr. está surpreso de ver Barack Obama liderando a disputa pela candidatura democrata à Casa Branca?
Shelby Steele – Não posso dizer que estou surpreso com isso, e acho que a razão de isso acontecer está muito mais ligada ao que está acontecendo atualmente nos Estados Unidos de que com a personalidade de Obama propriamente dita. Há uma enorme fome na “América Branca” de superar nossa história de racismo. Obama foca sua campanha nisso, e esta fome, esta “culpa branca”, é ainda maior de que eu achava que era, e trouxe ele por todo o caminho.
G1 – Não se deve falar, então, que a conquista se dá por uma questão do carisma pessoal de Obama e seus discursos “empolgantes”?
Steele – Exatamente. Ele é uma pessoa boa, mas não chegou onde está por ser quem é. Há algo acontecendo com a sociedade, e milhões de norte-americanos brancos querem desesperadamente superar o passado de racismo do país, e se livrar da acusação permanente de que todos os brancos são racistas. Barack Obama é a oportunidade de fazer isso. Não consigo ver todo este carisma que dizem que ele tem, mas quando existe uma necessidade deste tipo na sociedade, a pessoa parece ser carismática, parece ter mágica. Obama é a história da América branca e sua necessidade de inocência, de superar o passado.
G1 – As pesquisas de boca-de-urna em eleições primárias em quase todos os estados mostram, entretanto, que o maior apoio a Obama está entre os negros. Na maior parte das prévias ele recebeu apoio de 80% dos negros norte-americanos, enquanto os brancos parecem apoiar mais Hillary Clinton. Isso não vai contra a idéia da “culpa branca”?
Steele – No início, os negros eram contrários à campanha de Obama. Há um ano, as pesquisas indicavam que 80% dos eleitores negros prefeririam apoiar Hillary Clinton. Antes de conquistar os eleitores negros, Obama precisou convencer os brancos, o que ele começou a fazer em Iowa, quando os brancos começaram a dar mais atenção a ele. Pouco tempo depois, o ex-presidente Bill Clinton fez um discurso em que introduziu a carta da raça, acusando Obama de usar isso em sua campanha. Isto foi o começo do fim para Hillary. Ela poderia estar vencendo, se ele não tivesse falado isso. Foi ali que os negros assumiram uma postura defensiva, e passaram apoiar o ‘seu homem’. Os negros norte-americanos, acredito, continuam muito ambivalentes em relação a Obama, mas vão apoiá-lo por que acham que ele foi mal-tratado, com base na raça.
G1 – A campanha de Hillary Clinton começou agora a usar o discurso do sexo, dizendo que é “machismo” pedir que ela desista da disputa pela Casa Branca por estar atrás de Obama na corrida das primárias. Isso está relacionado à forma como o sr. diz que Obama ganhou o apoio dos negros?
Steele – Claro. Hillary vai lutar até o fim e usar todas as cartas que puder. Ela agora tenta conquistar o apoio das mulheres, apontando como preconceito, machismo, querer que ela desista da disputa. Ela acha que pode conseguir o apoio da forma como Obama conseguiu, e claro que vai tentar usar esta vitimização.
G1 – O sr. acha que os norte-americanos estão prontos para votar e ter um presidente negro? A “culpa branca” tem força suficiente para superar todas as formas de preconceito que ainda existem no país?
Steele – Sim, os Estados Unidos estão prontos para ter um presidente negro. Colin Powell teria vencido facilmente Bill Clinton em 1996. Ele era um candidato muito mais forte de que Obama é hoje, e era um general que tinha ido a guerras, sido ferido em batalha, e poderia facilmente ser presidente. Na verdade, os Estados Unidos estão desesperados por um presidente negro, e Obama se beneficia disto. Há uma enorme vontade de ter um presidente negro por parte da sociedade branca dos Estados Unidos. Não acho que a “culpa branca”, sozinha, vai ser suficiente para levar Barack Obama à Presidência, entretanto. Com a aparição do reverendo Wright, começamos a ver o verdadeiro Barack Obama aparecer, alguém completamente diferente do que as pessoas esperavam. Obama começou a perder apoio entre os brancos desde então, e acredito que veremos outros casos semelhantes, em que a verdade começa a aparecer e as pessoas se decepcionam, fazendo com que a “culpa branca” perca força até a eleição. Ela o trouxe até aqui, e claro que pode levá-lo até a Casa Branca, mas acho que ela vai se enfraquecer quando os norte-americanos verem que é um erro deixar de lado as propostas e escolher um candidato com base apenas em sua raça.
G1 – O sr. diz que a campanha de Obama se prende apenas na questão da raça, sem tratar realmente de propostas. O sr. acha que, se Hillary Clinton vencer as primárias, haverá uma disputa com base no sexo?
Steele – Não. A campanha de Hillary Clinton é baseada acima de tudo em propostas, e os norte-americanos sabem que ela é perfeitamente capaz de ser uma ótima presidente. Ela foi uma boa senadora, tem uma campanha que mostra muita força e coragem, e conquistou o respeito de todos. Uma campanha de Hillary dificilmente usaria a questão de gênero em busca da Presidência.
G1 – O subtítulo do seu livro diz que “por que estamos animados com Barack Obama e por que ele não pode ganhar”. O sr. acha que ele seria um mau presidente?
Steele – O grande problema em relação a Barack Obama é que ninguém sabe de verdade quem ele realmente é. Sabemos que é um negro simpático, mas nada além disso. Não temos idéia do que ele realmente vai fazer se chegar à Casa Branca. Ele fala de forma muito eloqüente, fala em mudança, fala que vai atender a todos, mas não diz quem ele é. Talvez ele se torne um ótimo presidente, mas diria que nem ele mesmo sabe exatamente o que vai fazer se for eleito. Ele não parece ter uma visão real para os Estados Unidos. Meu sentimento ainda é de que ele não pode vencer. Ele tem que dizer aos eleitores quem ele realmente é, antes de querer ser eleito presidente.
G1 – É possível relacionar a “culpa branca” com o fato de Obama não ter muito apoio entre os eleitores latinos, que parecem preferir Hillary Clinton?
Steele – Exatamente. Os latinos se questionam o que há para eles na campanha de Obama. Eles não têm a “culpa branca” da mesma forma que os norte-americanos brancos, não querem redenção, e ao mesmo tempo não são tocados pelo discurso da raça, que o fez conquistar os eleitores negros, então eles ficam à espera de algo mais concreto, de políticas, e não vêem nada para eles na campanha. Os latinos são o grupo mais reticente a apoiar Obama porque parecem perceber as falhas das suas propostas, e ele não conseguiu superar isso até agora.
G1 – Em quem o sr. vai votar nas eleições de novembro?
Steele – Não vou votar em Obama, posso dizer isso. A não ser que até lá ele venha a público dizer qual sua visão para os Estados Unidos realmente é. Ele precisa dizer o que pretende fazer, se for eleito, e não no nível do idealismo, mas de política diária e concreta. Precisamos saber o que ele vai fazer. Obama diz que vai tirar os EUA do Iraque. Precisamos saber como ele pretende fazer isso, que é uma das coisas mais difíceis da história da humanidade. Falta o elemento concreto em sua campanha. Estou aberto para ouvir suas propostas, se ele as tiver. Sem propostas eu não votarei nele e acho que sua campanha vai acabar fracassando se continuar apostando dessa forma.(X)

Nepal põe fim à monarquia e proclama república

KATMANDU - A assembléia constitucional do Nepal aprovou nesta quarta-feira o fim da monarquia, em vigor no país por 240 anos, e proclamou a república.
"A proposta para a proclamação da república foi aprovada", anunciou em plenário Kul Bahadur Gurung, um alto representante deste órgão de 601 membros, dos quais 560 votaram a favor e quatro se opuseram.
Os maoístas do Nepal, republicanos, combateram durante 10 anos o impopular rei Gyanendra, conquistando a maioria das cadeiras da assembléia constitucional nas eleições de abril.
A formação da assembléia constitucional faz parte dos acordos de paz entre os partidos políticos nepaleses e os rebeldes maoístas que puseram fim a uma guerra civil na qual morreram 13.000 pessoas.
A queda do rei Gyanendra marcará o fim da única monarquia hinduísta do mundo. Considerado pelos seus partidários a encarnação do deus Visnu, chegou ao trono em 2001 após o bárbaro assassinato de nove membros da família real pelo príncipe herdeiro que, em seguida, se suicidou, ao que parece sob efeito de drogas e álcool.
A impopularidade do monarca chegou ao fundo do poço quando destituiu o governo e se concedeu poderes absolutos em fevereiro de 2005.
Isso levou os principais partidos políticos nepaleses a aliarem-se aos rebeldes maoístas, seus inimigos históricos, para concluir um acordo de paz em 2006.(X)

África do Sul promete abrigos para estrangeiros

JOHANNESBURGO - Funcionários sul-africanos afirmaram que melhorarão as condições de vida das vítimas que fugiram das suas casas por causa de ataques contra estrangeiros. Mas a intenção é que os abrigos actualmente utilizados não se tornem permanentes.
O governo prometeu transferir pessoas de delegacias, repartições públicas e igrejas. Esses locais têm servido de refúgio para pessoas que se sentiram ameaçadas com a recente onda de violência xenófoba no país.
Nesta quarta-feira, 28, porém, o porta-voz do governo Hlangwani Mulaudzi disse que ainda não havia uma decisão sobre quantos abrigos seriam construídos, nem sobre a localização destes.
O porta-voz do governo evitou o termo "campos de refugiados". Segundo ele, trata-se de uma situação temporária e os refugiados devem posteriormente ser reintegrados. "Nós temos um problema, portanto vamos construir abrigos. Mas não queremos que eles se tornem permanentes."
Na Cidade do Cabo, quase 20 mil pessoas foram acomodadas em abrigos. As autoridades locais foram criticadas por deixarem os estrangeiros em áreas remotas. Segundo Mulaudzi, seriam encontrados locais próximos para que se instalem os estrangeiros afectados.
Pelo menos 56 pessoas foram mortas e quase 50 mil estrangeiros foram forçados a deixar as suas casas durante a onda de ataques contra imigrantes na África do Sul ocorrida nas duas últimas semanas.
Os agressores culpam os estrangeiros pelo aumento do desemprego e da violência. As principais vítimas dos ataques são moçambicanos, malawianos, zimbabwanos, entre outras pessoas vindas de países vizinhos.
A Nigéria pediu uma reparação pelos ataques contra os seus cidadãos. O ministro nigeriano de Relações Exteriores, Ojo Madueke, disse na noite de terça-feira que o país organizou uma lista dos feridos ou roubados durante a crise. Madueke afirmou que o país requisitará uma compensação monetária para os nigerianos atingidos.(X)

Espanha ainda recebe escala de vôos dos EUA para Guantánamo

MADRI - Os Estados Unidos continuam a utilizar a Espanha como base para as escalas dos seus vôos secretos até Guantánamo. A informação foi confirmada pelo governo de Portugal, que afirma que dois aviões partiram da Espanha e cruzaram o espaço aéreo português em direcção à ilha cubana. Nesta quarta-feira, 28, o governo de Madrid confirmou os vôos, mas afirmou que eles foram autorizados após Washington declarar que seriam transportados equipamentos militares.
Os dados revelados pelo executivo de Lisboa no Parlamento afirmam que, entre julho e dezembro de 2007, 56 vôos com destino à base americana de Guantánamo, instalada em Cuba, passaram pelo espaço aéreo luso. A prisão abriga os presos acusados de supostas relações com grupos terroristas islâmicos. A informações relatam que duas escalas aconteceram da base aeronaval de Rota, em solo espanhol.
Segundo a nota do Ministério de Relações Exteriores, o vôo realizado em 22 de junho levava "pessoas do Departamento da Defesa", e o segundo, registado em 30 de setembro, transportava "forças e material militar americano". O comunicado detalha que "em 2007, somente dois vôos das Forças Armadas dos EUA para Guantánamo foram autorizados" pelo Ministério da Defesa. Além dessas aeronaves, "não consta nenhum pedido ou autorização com destino ou origem a ilha cubana".
Em fevereiro deste ano, a CIA e o Reino Unido admitiram que dois vôos do Serviço Secreto dos Estados Unidos (CIA) que transportavam suspeitos de terrorismo pararam para reabastecer em território britânico, na ilha de Diego Garcia, apesar de garantias anteriores do governo dos EUA de que tais vôos nunca haviam usado espaço aéreo nem território britânico desde os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001. O governo de Londres declarou que não tinha evidências de que o Reino Unido estava envolvido no programa dos EUA de transportar secretamente suspeitos de terrorismo detidos em diversas partes do mundo e que não estava ciente que seu território estava sendo utilizado desde 2001, quando o presidente George W. Bush visitou o governo britânico.
Uma investigação européia apontou em 2006 que 14 países europeus foram coniventes com vôos secretos da CIA, a agência de inteligência americana. De acordo com o relatório, Espanha, Turquia, Alemanha e Chipre foram postos de passagem para as operações de rendição e Reino Unido, Portugal, Irlanda e Grécia foram pontos de escala. Itália, Suécia, Macedônia e Bósnia permitiram o sequestro de residentes em seu território, afirmou o documento.(X)

28 de Maio de 2008 - Feira Africana no Japão

O ministro da Economia japonês, Akira Amari, corta a fita em cerimônia de abertura da Feira Africana em Yokohama nesta quarta-feira, ao lado do presidente do Gabão, Omar Ondimba, do primeiro-ministro japonês, Yasuo Fukuda, e do presidente de Madagascar, Marc Ravalomanana. O presidente moçambicano, Armando Guebuza, participa na referida feira desde esta quarta-feira.(X)

Fogo amigo: A nova dor de cabeça de Bush

Scott McClellan, ex-assessor do presidente dos EUA, George W. Bush, promete ser a próxima dor de cabeça do líder americano.
Na próxima segunda-feira, ele lança um livro com duras críticas à administração Bush, dizendo, por exemplo, que o presidente e seus conselheiros confundiram fatos com “propaganda de campanha” para sustentar a invasão do Iraque, em 2003.
Como porta-voz da Casa Branca, ele diz que deve ter contado muitas mentiras para a imprensa sobre a fuga de informação sobre a identidade da espiã da CIA Valerie Plame, escândalo que atingiu o governo em 2005. O facto teria sido uma represália contra o marido dela, o embaixador Joseph Wilson, que criticou Bush publicamente sobre a Guerra do Iraque.
Já o furacão Katrina, que devastou a cidade de Nova Orleans em 2005, o ex-assessor revelou que Bush ficou paralisado ao ser informado da tragédia. Para o ex-assessor, o Katrina foi "um dos piores desastres na história de nossa nação e também um dos piores desastres da administração Bush". Ele revela que os membros do governo "passaram a maior parte da primeira semana em estado de negação".
McClellan renunciou ao seu cargo em abril de 2006. Na ocasião, Bush disse que, no futuro, se lembraria com saudade do assessor. "Poderei dizer ao Scott: 'Você fez um bom trabalho'”, disse o presidente então.
Já nesta quarta, a Casa Branca comentar o conteúdo do livro de McClellan, alegando que ainda não tinha tido acesso ao texto.(X)

Programas de Obama e McCain divergem em quase tudo

WASHINGTON - Uma eleição para a Presidência dos Estados Unidos na qual se enfrentariam o democrata Barack Obama e o republicano John McCain seria pautada por diferenças enormes a respeito das questões mais espinhosas, do Iraque e da política externa aos impostos e ao sistema de saúde.
O recente embate entre os dois a respeito da disposição de Obama em negociar com líderes estrangeiros considerados hostis serviu de pré-aquecimento para o que pode se transformar em cinco meses de uma intensa campanha até o pleito de novembro.
"Esse será o mais claro contraste entre candidatos que já houve na última geração", afirmou Doug Schoen, consultor do Partido Democrata e ex-assessor do presidente Bill Clinton.
"Haverá duas visões de mundo apresentadas de forma muito contrastante."
Obama está muito perto de conseguir a vaga democrata nas eleições gerais, vencendo assim sua adversária de partido Hillary Clinton. McCain já garantiu a sua participação no pleito nacional.
Nas últimas semanas, os dois candidatos passaram a desferir críticas um contra o outro. ______________________________________________________
As diferenças entre McCain, 71, branco, ex-piloto da Marinha e ex-prisioneiro de guerra no Vietnam, e Obama, 46, negro, formado na Faculdade de Direito Harvard e ex-líder comunitário, ultrapassam em muito o nível pessoal.
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O abismo ideológico que os separa torna-se mais evidente nas duas questões geralmente citadas nas pesquisas de opinião como as de maior destaque para os eleitores norte-americanos - a guerra no Iraque e a crise econômica.
"A respeito das duas questões principais, não poderia haver uma distância maior", afirmou Dan Schnur, consultor dos republicanos e assessor de McCain durante a campanha presidencial deste em 2000.
McCain ganhou destaque como um dos maiores defensores da invasão do Iraque e promete manter os soldados norte-americanos ali até vencer a guerra. Recentemente, o candidato afirmou que 2013 lhe parecia uma meta razoável para acabar com o conflito e colocar fim ao envolvimento dos EUA.
Obama, senador pelo Estado de Illinois, opôs-se desde o princípio à guerra e prometeu retirar os soldados norte-americanos do Iraque nos seus primeiros 16 meses de governo.
As diferenças são igualmente grandes na área tributária. McCain defende prorrogar os descontos fiscais conferidos pelo actual presidente do país, George W. Bush, e reduzir os impostos cobrados das empresas. Já Obama deixaria que expirassem os abatimentos concedidos por Bush à camada mais rica da população - os que têm renda anual superior a 250 mil dólares - e que expirassem as reduções de tarifa nos impostos cobrados sobre os ganhos de capital.
Os dois também entraram em rota de colisão devido à oposição de Obama à idéia de McCain de suspender a cobrança do imposto federal sobre a gasolina durante o verão. O democrata considerou a medida um golpe eleitoreiro com poucas consequências práticas. Já McCain diz que o plano ajudaria a melhorar a situação das famílias mais pobres que saem de férias.
Obama deseja ainda renegociar o Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta), responsabilizado por alguns democratas e por sindicados pelo corte de postos de trabalho nos EUA. McCain defende o pacto.
ASSISTÊNCIA MÉDICA
Os dois candidatos também adotam posturas diametralmente opostas a respeito da assistência médica gratuita, que costuma ser citada como segunda questão de política interna mais importante depois da crise econômica.
McCain usaria créditos fiscais para ajudar o sector a migrar de uma cobertura baseada no empregador para um sistema de livre mercado no qual as pessoas poderiam escolher entre apólices diferentes.
Obama quer manter o actual sistema e ampliar o envolvimento do governo nele. O democrata defende ainda oferecer assistência médica para os 47 milhões de norte-americanos que hoje não dispõem de seguro.
O republicano, por outro lado, costuma dizer que Obama não tem experiência em assuntos de segurança nacional, criticando a disposição deste em negociar directamente com líderes de países considerados hostis sem impor pré-condições.
Já o democrata ataca os planos de McCain para a economia e os seus laços com grupos lobistas de Washington, afirmando que o republicano realizaria algo parecido com um terceiro mandato Bush.(X)

Mugabe compara diplomata americana a "prostituta"

Harare – O presidente do Zimbabwe, Robert Mugabe, advertiu na segunda-feira contra interferências externas na segunda volta da eleição presidencial no próximo mês. Mugabe, que tenta mais uma reeleição, comparou uma diplomata americana a uma "prostituta" e ameaçou expulsar um outro do país, conforme noticiou a rede CNN.
O Zimbabwe não pode ser britânico e não pode ser americano. Sim, é africano”, disse o presidente Mugabe.
Vocês viram aquela pequena menina americana (Jendayi Frazer, assistente da secretaria de Estado americano para assuntos africanos) a correr como uma prostituta” - criticou ele.
Por mais poderoso que seja, se continuar a agir assim, eu o expulsarei do país” - declarou Mugabe, no discurso do lançamento da sua campanha para a segunda volta das eleições presidenciais, marcada para o dia 27 de junho. Ele referia-se ao diplomata americano, James McGee. O presidente afirmou que o americano havia ordenado ao líder do partido de oposição Movimento por uma Mudança Democrática (MDC), Morgan Tsvangirai, que retornasse ao Zimbabwe.
Quando o embaixador americano disse a Morgan que voltasse, ele voltou a correr”, acrescentou Robert Mugabe referindo-se ao rival, que o superou na primeira volta eleitoral presidencial, realizada a 29 de março.
O MDC acusa o governo e o Exército de espancar e torturar simpatizantes do partido numa tentativa de mantê-los longe das urnas ou fazer com que votem no partido Zanu-FP no governo.
A violência tem de acabar para que as eleições sejam realizadas, caso contrário a votação não será legítima” - disse Tsvangirai.
O líder da oposição afirma que Robert Mugabe perdeu o controle do país e que o Exército estaria agora no comando.(X)

Vítimas da xenofobia na RAS: Ajuda Externa? NÃO OBRIGADO

“Amnistia condena '60 anos de fracasso' em direitos humanos”

A Amnistia Internacional pediu nesta quarta-feira aos líderes mundiais que se desculpem por seis décadas do que a entidade considera fracasso na defesa dos direitos humanos.
O pedido vem contido no relatório anual da organização, que, neste ano, faz um balanço entre o que foi prometido pela Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948 e o que foi cumprido até agora.
Injustiça, desigualdade e impunidade são as marcas do nosso mundo de hoje”, escreve a Amnistia Internacional, acrescentando que os governos devem agir agora para acabar com a distância entre promessas e desempenho.
Irene Khan, secretária-geral da organização, em comunicado à imprensa, diz que os governos de todo o mundo deveriam comprometer-se novamente a apresentar melhoras concretas neste campo.
Para Khan, os problemas dos direitos humanos em Darfur, Zimbabwe, Gaza, Iraque e Mianmar exigem uma acção imediata.
Segundo o relatório, 60 anos depois de a Declaração Universal dos Direitos Humanos ter sido adoptada pelas Nações Unidas, pessoas ainda são torturadas ou mal tratadas em pelo menos 81 países, são submetidas a julgamentos injustos em pelo menos 54 países e não têm direito de se manifestar livremente em pelo menos 77.
O ano de 2007, de acordo com aquela organização, foi caracterizado pela impotência dos governos ocidentais e a ambivalência ou relutância dos poderes emergentes em combater algumas das piores crises de direitos humanos no mundo, desde guerras a desigualdades que deixam milhões de pessoas para trás.
Para a organização, a maior ameaça ao futuro dos direitos humanos é a ausência de uma visão compartilhada e de uma liderança colectiva.
Este ano, 2008, deve representa uma oportunidade sem precedentes para que novos líderes e países emergentes no cenário internacional estabeleçam uma nova direcção e rejeitem as políticas e práticas míopes que têm tornado o mundo um lugar mais perigoso e mais dividido, afirmou a secretária-geral da Amnistia.
Segundo Khan, os governos mais poderosos devem liderar e dar o exemplo.
Nesse sentido, a organização faz um apelo directo para a China, os Estados Unidos, a Rússia e a União Européia.
A Amnistia diz que a China deve cumprir as promessas feitas por ocasião dos Jogos Olímpicos e permitir a liberdade de expressão e de imprensa e acabar com o sistema de "reeducação através do trabalho", que permite a prisão por até quatro anos sem indiciamento, julgamento ou revisão judicial.
No caso dos Estados Unidos, o apelo refere-se ao encerramento da prisão de Guantánamo e outros centros de detenção e à rejeição da tortura.
Já a Rússia deveria mostrar mais tolerância à dissidência política e nenhuma tolerância à impunidade de abusos de direitos humanos na Chechênia.
E a União Européia, segundo a Amnistia, deveria investigar a cumplicidade dos seus integrantes em "entregar" suspeitos de terrorismo e egixir deles os mesmos padrões de direitos humanos que exige de países fora do bloco. (X)

terça-feira, 27 de maio de 2008

Pais que perderam filhos na China poderão ter outro bebê

PEQUIM - Os pais cujos filhos foram mortos ou mutilados pelo terramoto que atingiu a China poderão ter outro bebê. A informação foi divulgada nesta segunda-feira, 26, por funcionários encarregados de administrar a política do filho único em parte da região atingida, como uma forma de oferecer algum consolo aos casais em luto.
Caso o único filho tenha sido morto, gravemente ferido ou esteja mutilado, os pais podem conseguir uma autorização e então ter um novo bebê.
O terremoto do dia 12 de maio causou ainda mais dor para muitos chineses pelo facto de eles terem perdido o único filho. A destruição de quase 7 mil salas de aula durante um dia de aulas deixou o país entristecido, com dezenas de fotos de jornais focando mochilas de alunos perto dos escombros e pequenas mãos surgindo da destruição.
Mais de 65 mil pessoas foram mortas pelo terramoto, que também deixou 23 mil desaparecidos. O número de vítimas fatais deve subir. Funcionários ainda não estimaram o número de crianças mortas.
A política do filho único foi implantada na China no fim da década de 1970, para controlar a população e garantir um melhor ensino e cuidados de saúde para as crianças. A lei inclui certas excepções para alguns grupos étnicos, regiões rurais e famílias nas quais marido e mulher são filhos únicos.
Segundo o governo, com estas regras o país evitou 400 milhões de nascimentos. Mas os críticos afirmam que a legislação levou a abortos, além de um desequilíbrio entre os sexos - as famílias chinesas em geral preferem ter meninos.
Os casais que têm mais de um filho geralmente são multados. Segundo o anúncio feito nesta segunda-feira, se um dos filhos morreu no terramoto, a família não terá mais que pagar multas - mas os valores pagos anteriormente não serão reembolsados.
Muitos chineses demonstraram o desejo de adoptar órfãos do terramoto. Segundo o governo, uma família pode adoptar quantas crianças quiser neste caso, sem nenhum tipo de punição.
Chen Xueyun está entre os que podem ser beneficiados pela nova medida. Ele perdeu o filho de oito anos, Weixi, quando o apartamento da família em Qingchuan desmoronou. O pai procurou por três dias até encontrar o corpo do filho.
"Se eles (os pais) estão ainda tristes e deprimidos, é impossível falar de um novo bebê", disse Chen. "Mas no futuro, pode ser muito útil para eles". Chen confessou que deseja ter outro filho, mas ainda não conversou sobre isso com a esposa.
"Ela não tem uma boa saúde, e está com medo pois seria perigoso ter outra gravidez, então não ousei falar sobre isso", explicou. "Ela perguntoume se nós podemos adoptar um órfão do terramoto, mas eu disse para falarmos disso depois."(X)

Holanda subsidia Corão comprado por polícias

As estatísticas oficiais mostram que vivem na Holanda perto de um milhão de muçulmanos, o que corresponde a cerca de 6% da população. É para melhor lidar com eles que a polícia de Amesterdão está a encorajar os seus agentes a comprar e ler a nova tradução do Alcorão, o livro sagrado do islão, e a biografia do profeta Maomé. Como?
Os polícias que decidam adquirir estes livros receberão de volta metade do preço de compra."Estes dois livros permitem uma melhor compreensão e conhecimento do Alcorão e da vida do profeta", disse à AFP o porta-voz da polícia de Amesterdão. Ebe van der Land acrescentou que esta iniciativa se enquadra na política holandesa de "tratamento igualitário". Publicados simultaneamente em finais de Abril, a nova tradução para holandês do Alcorão e a biografia do Profeta intitulada A Mensagem, da autoria de Kader Abdolah, um holandês de origem iraniana, estão a ter muito sucesso no reino.
"Por exemplo, um agente de bairro que tenha de fazer uma visita a uma família muçulmana pode ter a sua vida facilitada em termos de comportamento", considerou Van der Land. O porta-voz da polícia de Amesterdão esclareceu ainda que este género de reembolso abrange "todos os livros que possam ter interesse para o exercício da profissão".
O lugar do islão na sociedade holandesa tem estado no centro do debate desde o assassínio do realizador Theo van Gogh em 2004 por um extremista de origem marroquina. Depois deste crime, se por um lado se multiplicaram os apelos à violência em sites islâmicos, surgiram também ataques de retaliação contra mesquitas e escolas muçulmanas, provocando um clima de tensão numa sociedade conhecida pelo liberalismo.(X)

Morre o cineasta Sydney Pollack

Ganhador dos Oscars de melhor Filme e Direção por 'Entre dois Amores', Pollack foi vítima de câncer
LOS ANGELES - O premiado director, actor e produtor Sydney Pollack morreu na manhã desta segunda-feira, 26, aos 73 anos. Pollack foi vítima de cancro, segundo informações da agente do director, Leslee Dart.
Pollack morreu em sua casa em Los Angeles. O grande sucesso do director é o filme “Africa Minha” (Out of África, de 1985), com Robert Redford e Meryl Streep, longa-metragem que arrebatou 7 Oscars, entre eles o de melhor Direcção e Filme para Pollack. Foi também foi indicado ao Oscar por “Tootsie” (1982) e “A noite dos desesperados” (1969). Leia Mais (Click)

Novo "Indiana Jones factura USD$311 milhões em todo o mundo

Só nos Estados Unidos e no Canadá, lucro do filme que traz Harrison Ford como herói foi de USD$151,1 milhões

LOS ANGELES - Indiana Jones e o “Reino da Caveira de Cristal arrecadou US$ 311,1 milhões em todo o mundo, graças aos fãs nostálgicos que levaram os seus filhos para assistir às últimas aventuras de Harrison Ford, disse a distribuidora Paramount Pictures nesta segunda-feira, 26.
O lucro foi de US$ 151,1 milhões só nos Estados Unidos e no Canadá - a segunda maior estréia no feriado do Memorial Day de todos os tempos - e de US$ 160 milhões em 61 outros países, onde foi recorde de bilheteria, disse o estúdio. Entre as bilheterias internacionais, figuram o Reino Unido, com US$ 24 milhões, e a França, com US$ 14 milhões. As vendas de ingressos na França foram impulsionadas pela estréia no festival de Cannes, no último domingo. Leia Mais (Clic Aqui)

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Ex-ditador etíope Mengistu é condenado à morte

(Tribunal condena ex-líder e 18 dirigentes do seu regime por tortura e execuções durante o "Terror Vermelho")

O Supremo Tribunal da Etiópia sentenciou o ex-ditador Mengistu Haile Mariam à morte. O tribunal de apelação condenou ainda 18 dirigentes do regime por tortura e execução de pessoas inocentes.
O ex-ditador, que vive exilado no Zimbabwe desde a sua saída do governo, em 1991, foi considerado culpado em 2006 por genocídio. Milhares de pessoas foram mortas durante os 17 anos que em Mengistu liderou o chamado "Terror Vermelho" no país.
Mengistu era um dos chefes do golpe de estado militar que depôs, em setembro de 1974, o imperador Haile Selassie.
Em fevereiro de 1977, ocupou pessoalmente a chefia do Estado, após eliminar os seus ex-colegas e rivais no Conselho Administrativo Provisório Militar (Dergue).
Durante a sangrenta perseguição iniciada por Mengistu no Exército e entre os membros da oposição política civil, calcula-se que cerca de 2 mil pessoas tenham sido assassinadas e outras 200 continuam desaparecidas. Entre 1977 e 1978, milhares de pessoas foram torturadas e os corpos de centenas apareceram atiradas nas ruas de Adis-Abeba e de outras cidades etíopes. Mengistu e os seus onze aliados também são acusados do assassinato de Selassie, que foi estrangulado e enterrado sob o piso de uma das casas de banho do palácio real. Sessenta funcionários, ministros e membros da família real etíope foram fuzilados publicamente.
Mengistu manteve-se no poder graças ao apoio econômico e militar da União Soviética, mas em 1991, após a queda do regime marxista do Kremlin e diante do avanço de grupos rebeldes liderados pelo actual primeiro-ministro etíope, Meles Zenawi, fugiu para o Zimbabwe, onde o governo de Robert Mugabe lhe concedeu asilo político.(X)

Mugabe deixa o poder se perder eleição no Zimbabwe, diz jornal

(EMnangagwa diz que Mugabe está confiante de que vencerá a 2ª volta, mas respeitará o resultado se for derrotado)
O presidente do Zimbabwe, Robert Mugabe, espera vencer a segunda volta das eleições presidenciais no mês de junho, mas não vai permanecer no poder se perder o pleito, segundo afirmou a edição do jornal estatal The Herald nesta segunda-feira, 26.
"Nós estamos muito, muito confiantes de que venceremos esta eleição", disse Emmerson Mnangagwa, um dos altos conselheiros de Mugabe. Porém, "se o presidente perder, ele será o primeiro a reconhecer o resultado perante o povo", "ele é um herói de muitos princípios", acrescentou Mnangagwa.
O rival de Mubage nas eleições, o candidato opositor Morgan Tsvangirai, reivindica a vitória na primeira volta presidencial, realizada no dia 29 de março, e afirma que o pleito do dia 27 de junho é baseado em resultados fraudulentos e parte de um plano para manter Mugabe no poder.
Mugabe, de 84 anos, está no poder há 28. Ele é visto como um herói nacional ao ajudar o Zimbabee a conseguir sua independência do Reino Unido, em 1980. É também elogiado por levar educação e saúde para a maioria negra. Mas recentemente tem sido acusado de centralizar o poder e realizar eleições fraudulentas, além de cometer abusos e erros na condução da economia.
Órgãos independentes de direitos humanos e o candidato da oposição afirmam que membros do partido do MDC têm sido agredidos e mortos pelo governo e simpatizantes de Mugabe, para garantir que o presidente vença a segunda volta.(X)

Presidente da Nicarágua teme o assassinato de Barack Obama

O presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, disse no domingo que teme pela segurança do democrata Barack Obama, pré-candidato à Presidência dos Estados Unidos.
Obama, senador por Illinois, está em vantagem em relação à rival, a ex-primeira dama Hillary Clinton, já que tem mais delegados que votarão nele nas Convenções do partido.
"Ele está a mover-se para conquistar o governo de um império. Já viu o que acontece aos que tentam implementar mudanças? Como assassinaram Kennedy?", disse Ortega a jornalistas, em Montevidéu. "Tudo indica que (Obama) será (candidato à presidência), a não ser que o assassinem. Temo esta possibilidade, infelizmente os Estados Unidos são assim", disse o presidente.
O pré-candidato democrata gerou polêmica recentemente, ao dizer que estaria disposto se reunir-se com líderes de países hostis aos Estados Unidos, como o Irão e Cuba, acrescentando que manteria o embargo, mas faria ofertas para normalizar as relações com estes países.
"Obama tem de cuidar da sua segurança(...) Há grupos racistas, totalmente extremistas, e as armas são compradas como rebuçados (nos Estados Unidos)", disse Ortega. Caso eleito na Convenção Democrata, Obama será o primeiro candidato negro à Casa Branca.(X)

Nobel de Economia defende candidatura de Barack Obama

Vencedor do prêmio em 2002, Edmund Phelps aprova propostas de desenvolvimento e inclusão do senador

O economista e prêmio Nobel de Economia de 2002, Edmund Phelps, afirmou nesta segunda-feira, 26, que apóia a plataforma do pré-candidato Barack Obama na disputa com Hillary Clinton pela candidatura democrata à Presidência dos Estados Unidos.
Em palestra no Rio de Janeiro, o economista fez duras críticas ao sistema de bem estar social defendido por Hillary Clinton.
Segundo ele, os benefícios sociais acabam por eliminar políticas econômicas voltadas para o dinamismo e inclusão social e, com isso, induzem os trabalhadores a ampararem-se no sistema e deixar a força de trabalho do país.
"Entre Hillary Clinton, que faz campanha pelo bem estar social, e Barack Obana que faz campanha em prol do desenvolvimento e inclusão, sei muito bem de que lado me coloco", afirmou.(X)

´Flintstones´ protestam contra emissão de carbono na Europa

"Fred e Wilma Flintstone" foram presos ao aproximar-se do Parlamento Europeu na segunda-feira, protestando contra a pressão da indústria automobilística sobre as propostas de conter as emissões de dióxido de carbono por carros.


Foram detidos seis activistas do Greenpeace vestidos de homens das cavernas, dentro de um carro parecido com o dos Flintstones, além de outros três manifestantes, por ofensas à ordem pública, disse a polícia. Uma placa de pedra acusando os lobistas da indústria automobilística de gerar a mudança climática foi confiscada antes de ser entregue aos parlamentares, disse uma porta-voz do Greenpeace.
O parlamento europeu vai começar nesta semana as discussões sobre as leis que aplicariam multas aos fabricantes de carros que não diminuíssem as emissões. Mas os parlamentares vão considerar emendas que enfraqueçam as propostas originais da Comissão Européia, diminuindo o valor das multas e executando as leis mais lentamente do que o proposto.
Os fabricantes de carros europeus dizem que as propostas arruinam a sua capacidade de competir nos mercados internacionais.
A Alemanha prometeu apoiar seu sector automobilístico, que produz veículos de luxo como o Porsche, a BMW e a Mercedes-Benz .
"Os nossos activistas e o seu veículo de zero emissão de carbono alertam para a influência desta indústria-dinossauro sobre a política climática da União Européia", disse Melanie Francis, da campanha do Greenpeace no sector dos transportes.(X)

Zimbabwe: Mugabe ameaça expulsar embaixador dos EUA

O Presidente zimbabueano, Robert Mugabe, acusou hoje o embaixador dos Estados Unidos em Harare de se imiscuir nos assuntos internos do país e ameaçou expulsá-lo do Zimbabué.
No discurso em Harare que marcou o lançamento da campanha para a segunda volta das presidenciais, marcada para 27 de Junho, Mugabe acusou o diplomata norte-americano, James McGee, de ter ordenado ao dirigente do Movimento para a Mudança Democrática (MDC), Morgan Tsvangirai, que regressasse ao Zimbabwe.
«Quando o embaixador norte-americano disse a Morgan que regressasse, ele voltou a correr», adiantou, Mugabe referindo-se ao regresso ao país do seu rival nas presidenciais, e vencedor da primeira volta de 29 de Março.
McGee foi chamado pelo ministério dos Negócios Estrangeiros do Zimbabwe depois de ter efectuado uma visita, no passado dia 13, a vítimas hospitalizadas de violência política pós-eleitoral. Nessa altura, o ministro dos Negócios Estrangeiros zimbabweano, Simbarashe Mumbengegwi, afirmou que se tratou «de um primeiro aviso ao embaixador norte-americano de que não será tolerada qualquer ingerência».
Hoje, Mugabe afirmou : «Ele diz que combateu no Vietname, mas combater no Vietname não lhe dá o direito de interferir nos nossos assuntos internos».«Estou só à espera para ver se ele dá mais um passo em falso. Ele sairá» do Zimbabwe disse o Presidente. «Se continuar a agir desta forma, expulso-o», ameaçou.
De acordo com as convenções e protocolos estabelecidos os diplomatas podem ser expulsos se interferirem nos assuntos internos do país onde estão colocados.
James McGee, nomeado embaixador no Zimbabwe em 2007, ao mesmo tempo que outros diplomatas ocidentais, provocou a ira de Mugabe quando visitou, com outros diplomatas ocidentais, vítimas da violência nos subúrbios da capital, sem ter previamente informado as autoridades.
O incidente registou-se quando a polícia exigiu que os diplomatas - britânico, norte-americano, japonês, holandês, da Tanzânia e da União Europeia - exibissem uma autorização para visitar hospitais e um alegado campo de tortura. O embaixador norte-americano James McGee insistiu em prosseguir caminho, o que conseguiu após uma hora, mas sob escolta policial.(X)

RDCongo: Detido líder da oposição, Jean-Pierre Bemba

A detenção no sábado do ex-vice-presidente da República Democrática do Congo, Jean-Perre Bemba, hoje confirmada por fontes próximas, deve-se a um mandado de prisão emitido sexta-feira pelo Tribunal Penal Internacional.
Uma rádio ligada à ONU no Congo Democrático é citada como tendo dito que o opositor do presidente Joseph Kabilá é acusado de dois crimes contra a humanidade e de quatro crimes de guerra, jornalista Edmundo Galiza Matos.
Fidel Babala, director do gabinete de Bemba, confirmou a detenção do ex-vice-presidente mas disse não ter ainda mais informações sobre o motivo da detenção, neste momento.
Na véspera da detenção de Jean-Pierre Bemba, sábado, em Bruxelas, Fidel Babala dissera que o dirigente da oposição da República Democrática do Congo, que se encontrava em Portugal desde 2007, deveria fixar, na próxima semana, a data para o regresso ao seu país.
O regresso de Bemba à casa surgia num momento em que a oposição reunida na Assembleia Nacional e no Senado se preparava para o escolher para porta-voz da oposição.
De acordo com o jornal local L`Avenir, Bemba queria estar presente no dia da eleição para porta-voz da oposição, ainda sem data marcada, estando a parada desde logo ganha uma vez que 120 dos 150 membros da oposição garantiram o seu voto a favor de Bemba.
A página digital da Rádio Okapi, ligada à missão da ONU na República Democrática do Congo, MONUC, cita hoje o conselheiro para assuntos de cooperação junto do Tribunal Penal Internacional, segundo o qual Jean-Pierre Bemba foi detido na sequência da emissão de um mandado de prisão emitido sexta-feira pelo TPI.
Uma nota do tribunal de Haia, datada de sábado, e divulgada pela African Press Organization refere que Jean-Pierre Bemba, de cerca de 45 anos, foi detido naquele dia pelas autoridades do Reino da Bélgica, na sequência de um mandado de prisão emitido com o selo judicial do Tribunal Penal de Haia a 23 de Maio de 2008.
O TPI acusa Bemba de crimes contra a humanidade e crimes de guerra alegadamente cometidos pelos homens do MLC, de Bemba, entre 25 de Outubro de 2002 e 15 de Março de 2003, na República Centro-Africana, sefundo a Radio Okapi.
Jean-Pierre Bemba comparecerá primeiro perante as autoridades judiciais competentes na Bélgica, que decirão entregá-lo, ou não, ao TPI.
O Movimento liderado por Bemba afirmou hoje estar consternado com a detenção do seu líder, adianta a rádio Okapi.
François Mwamba, secretário-geral do MLC, afirmou que esta questão será debatida hoje em reunião.
Jean-Pierre Bemba encontrava-se em Portugal desde 11 Abril de 2007, tendo alegado motivos de saúde para conseguir sair, em segurança, da República Democrática do Congo na sequência de confrontos entre os seus homens e o exército congolês.
Entretanto, o comissário europeu para o Desenvolvimento, Louis Michel, mostrou-se hoje, em Bruxelas, surpreendido com a prisão inesperada do dirigente da oposição da República Democrática do Congo e agora espera que o Tribunal Penal Internacional faça o seu trabalho.
O responsável europeu recordou que a seu pedido, há alguns meses, o chefe da oposição congolesa tinha feito uma declaração pública em que manifestava o seu respeito pelas instituições democráticas congolesas.
O responsável europeu recusou fazer "juízos de valor" sobre os actos de que Bemba é acusado, os quais afirma desconhecer e não ter quaisquer provas.(X)